O guarda municipal Leanderson Leonardo de Souza, de 32 anos, que estava internado no Hospital João XXIII se recuperando dos três tiros que levou na Unidade de Pronto Atendimento do Bairro Primeiro de Maio (UPA Norte), foi ameaçado na manhã de domingo antes de receber alta. A esposa dele registrou boletim de ocorrência na Polícia Militar (PM) relatando que um oftalmologista, funcionário da unidade de saúde, culpou Leanderson por uma multa aplicada ao seu carro na porta do hospital. Muito nervoso, o médico disse ao guarda que tem “influência” e que o tratamento do paciente a partir daquele momento seria "diferenciado”.
O caso aconteceu no quarto andar do hospital, na ala da enfermaria, onde Leanderson está internado desde 24 de fevereiro. Acompanhado da esposa e do filho, ele aguardava autorização para ir embora, quando foi surpreendido pelo oftalmologista. Conforme o boletim de ocorrência, o médico entrou na sala com um canhoto de notificação de trânsito e perguntou se Leanderson conhecida quem teria feito tal multa. Disse que estacionava o veículo com freqüência no mesmo local e nunca havia sido multado e insinuou que o guarda internado no hospital tinha relação com aquela notificação.
Depois das acusações, o médico saiu da sala. Em seguida, voltou mais nervoso e gritando em direção ao guarda internado e disse ironicamente: “vamos continuar a tratar bem de você”. O oftalmologista apontou o papel com multa para o guarda e se retirou. A PM foi acionada pela esposa do guarda e por testemunhas, entre elas um técnico em enfermagem que presenciou toda a cena.
A Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) informou que o caso será apurado e todas as pessoas envolvidas devem ser ouvidas. O coordenador do plantão fez um relatório com descrição de todos os fatos, documento que será usado pela direção do hospital para apurar o ocorrido. O guarda Leanderson deixou a unidade de saúde ainda no domingo.
Relembre o crime na UPA Norte
Na madrugada do dia 24 de fevereiro, o guarda e uma técnica de laboratório foram baleados dentro da UPA. Três homens chegaram insistindo para entrar, contra as regras da unidade de saúde, e se desentenderam com o servidor. Rafael Maciel Corrêa, o “Sinistro”, chegou na UPA acompanhado dos menores IA. e G.L., ambos de 17 anos. Eles insistiram para entrar e visitar o filho de Rafael, mas foram impedidos pelo porteiro.
Diante na insistência dos três homens em entrar na UPA, o guarda se aproximou, colocou a mão na cintura e sacou a arma taser. Em resposta, I.A. atirou contra o servidor e ainda atingiu a técnica, que estava na portaria. Leanderson foi atingido por três tiros no braço, peito e costas. Carmen Maria foi baleada nas nádegas. Os dois feridos foram socorridos na própria unidade de saúde e depois encaminhados para o Hospital João XXIII. Rafael e os dois adolescentes foram detidos no dia 27 de fevereiro.
