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Estado de Minas

Cidades desprezam radar meteorológico instalado em Mateus Leme, na Grande BH

Mais de um quarto dos municípios que poderiam aproveitar alertas emitidos por caçador de tempestades instalado na Região Metropolitana de BH não se cadastraram no serviço


postado em 11/10/2013 06:00 / atualizado em 11/10/2013 06:41

Início da operação do radar meteorológico em MG foi marcado por falhas(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Início da operação do radar meteorológico em MG foi marcado por falhas (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

O equipamento já existe, falta agora interesse. O radar meteorológico instalado em Mateus Leme, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), para alertar sobre a ocorrências de fortes chuvas e formação de granizo, ainda é ignorado por mais de um quarto (27%) dos municípios de sua área de abrangência. A informação é do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), responsável pela leitura dos dados e envio de alertas gerados pelo aparelho, adquirido pela Cemig. “O radar tem capacidade para quantificar de forma precisa a intensidade da chuva em 324 cidades que estão em um raio de 200 quilômetros de seu entorno, mas ainda restam 85 que não se inscreveram para receber as informações”, garante a diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Monitoramento das Águas do Igam, Jeane Dantas de Carvalho. O número era ainda menor no ano passado, quando o aparelho começou a operar. Somente 80 cidades haviam enviado dados para o cadastro.


Ainda segundo ela, o índice de resposta dos municípios é baixo. São poucos aqueles que informam qual foi a dimensão do evento e quais providências foram tomadas diante do alerta, afirma Jeane. Ela explica que o número pode aumentar a partir de agora, com o início da temporada chuvosa. “No ano passado não pedíamos esse retorno às prefeituras. A partir de agora estamos cobrando, porque sentimos falta da medição do efeito da ferramenta”, explica.

Jeane acredita que entre as razões para o desinteresse com os alertas meteorológicos está o desconhecimento sobre a eficiência do radar. “Diferentemente das previsões feitas anteriormente, somente com as imagens de satélite e os modelos numéricos, a leitura feita pelo satélite é muito mais precisa em relação ao tipo de chuva. Com isso, os municípios podem se preparar melhor para evitar desastres”, diz.

Problemas de comunicação

O início da operação do radar meteorológico em Minas foi marcado por falhas. Pioneiro no país e tratado como aliado fundamental no enfrentamento do período chuvoso, o equipamento especial de vigilância do tempo não foi suficiente para evitar transtornos durante uma forte chuva na capital em 15 de janeiro do ano passado.

Depois de 40 dias de testes, um alerta sobre chuva de granizo foi emitido pela central com duas horas de antecedência para bairros da Região Oeste, como Buritis e Gutierrez. A informação, no entanto, não chegou à Defesa Civil. Na ocasião, o Centro de Informações de Alerta de Chuva, da Defesa Civil de BH, confirmou que recebia as informações do Igam, mas argumentou que as daquele dia não haviam chegado. O site do Sistema de Meteorologia e Recursos Hídricos de Minas Gerais (Simge), que também divulga as informações, não tinha o aviso.

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