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Estado de Minas BURITIS

Saída para problemas de mobilidade passam pela obra do Anel

BHTrans anuncia que uma das duas intervenções prioritárias para desafogar o tráfego no Bairro Buritis depende da complexa e adiada reforma da rodovia que corta a capital


postado em 25/08/2013 06:00 / atualizado em 25/08/2013 18:50

(foto: EM/DA Press)
(foto: EM/DA Press)


Abrir acessos ao Bairro Buritis, na Região Oeste de BH, especialmente via Anel Rodoviário e Avenida Tereza Cristina, aliviando avenidas como Raja Gabaglia, Nossa Senhora do Carmo, Barão Homem de Melo e a própria Professor Mário Werneck. Apesar de as discussões nesse sentido se repetirem há mais de 10 anos, a BHTrans garante que elas vão sair do papel até 2016, com pelo menos duas novas possibilidades para os quase 30 mil moradores espremidos em ruas e avenidas que há muito não comportam mais a demanda. A promessa é do diretor de Planejamento da empresa municipal, Celio Freitas, que lista outras duas intervenções já estudadas, mas ainda sem nenhuma previsão de implantação.

A ligação entre a Rua Moysés Kalil e o Anel Rodoviário é considerada prioridade pelo diretor, como parte da reforma da rodovia que corta a cidade. “A obra do Anel será licitada no ano que vem e já levamos ao governo do estado nossa vontade de que a parte do Buritis seja feita o mais rápido possível”, diz ele. A obra deve possibilitar todos os movimentos entre o bairro e o Anel Rodoviário, como as conversões à esquerda, que hoje não são possíveis. Em recente visita a Minas, a presidente Dilma Rousseff anunciou que o edital para as obras do Anel será lançado em fevereiro de 2014, sendo que três trechos terão início um mês antes. Porém, nenhum deles contempla a região do Buritis.

A segunda intervenção prevista para o bairro – que já está garantida, segundo a BHTrans, com recursos municipais e federais – é a implantação da Avenida Henrique Badaró Portugal, entre as avenidas Professor Mário Werneck e Tereza Cristina. “Ela já virá com faixas exclusivas para o transporte rápido por ônibus (BRT, da sigla em inglês) e com uma ciclovia”, anuncia Celio Freitas. A Copasa informou que vai disponibilizar recursos para que a Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte (Urbel) faça a remoção das famílias que moram às margens dos córregos Cercadinho e Ponte Queimada, tributários do Arrudas e que definirão o traçado da nova avenida. “A expectativa é de que, na pior das hipóteses, essa obra pelo menos comece em 2016”, diz Celio Freitas.

Ambas as intervenções estão intimamente ligadas com o tráfego do Buritis 2, pois estão bem perto do novo canteiro de obras do bairro. É um alento para a designer gráfica Leidiane Oliveira, 31, que se mudou para o Buritis 2 em novembro de 2011. Junto com o marido, ela optou por um apartamento na Avenida Senador José Augusto buscando a tranquilidade da parte mais alta do bairro, ainda cercado por algumas áreas verdes. Mas, menos de dois anos depois, ela se assusta com a velocidade com que os prédios surgem nas proximidades. “Eu ainda tenho um pouco de sorte, por estar bem perto do Anel Rodoviário, mas, quando isso tudo estiver ocupado, a tendência é parar o trânsito. Hoje, mesmo indo de moto, meu marido já enfrenta dificuldades para chegar à Avenida Raja Gabaglia, onde ele trabalha”, diz ela. Leidiane mora em um condomínio com seis prédios, totalizando 166 apartamentos. “Tive uma vizinha que morou aqui por um ano e desistiu por causa do trânsito”, completa.

Segundo a BHTrans, já foi detectada a necessidade de outras duas intervenções no Buritis. Uma seria a ligação entre a Rua Doutor José Rodrigues Pereira e a Avenida Raja Gabaglia. Outra é a conexão entre a Rua Paulo Piedade Campos e a Barão Homem de Melo. Nos dois casos, a possibilidade é usar o que os técnicos chamam de desnível, fazendo trincheiras ou viadutos. Porém, não há nenhuma previsão sobre o dia em que essas obras sairão do papel.


(foto: Sidney Lopes/Arquivo EM)
(foto: Sidney Lopes/Arquivo EM)

Nem o imponente letreiro resistiu ao crescimento

No fim da década de 1980, quando fui trabalhar por aqueles lados, o Buritis era apenas um loteamento com poucas construções. A Mendes Jr, onde hoje está a UNI-BH, a Dynamis, que deu lugar ao Verdemar, e o posto de gasolina da Rua José Rodrigues Pereira – tenho a impressão que ele já estava lá quando o bairro surgiu –, e não mais do que uma dezena de prédios. A via, aliás, era uma das únicas saídas do bairro, além da Rua Paulo Piedade de Campos, pois a Avenida Mário Werneck não chegava até a Avenida Barão Homem de Melo e a saída para o Anel Rodoviário era de terra (e ruim). Doze anos depois, quando me mudei para lá, o Buritis já era um bairro com vários prédios e moradores, mas ainda era um local tranquilo, com trânsito bom e várias comodidades. Na Rua Vitório Magnavaca, o som das bolas de tênis batendo na quadra Dynamis, do outro lado da rua, penetrava nos quartos nas manhãs de sábado. Mas o crescimento acelerado roubou do bairro esses tempos. Nem mesmo o letreiro gigantesco com o nome Buritis, que imperou solene no alto do bairro por muitos anos, resistiu ao crescimento: foi posto ao chão para dar lugar a um dos inúmeros prédios que foram e continuam sendo construídos por aqueles lados. (Marcílio de Moraes)


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