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Estado de Minas

BH tem desafios para enfrentar até a Copa de 2014

Com número bem maior de torcedores do que na Copa das Confederações, Belo Horizonte terá no transporte, segurança e sinalização urbana os principais desafios a enfrentar


postado em 07/07/2013 00:12 / atualizado em 07/07/2013 07:48

Flávia Ayer

Manifestações e falta de informações contribuíram para atrapalhar a saída dos ônibus especiais do Mineirão (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Manifestações e falta de informações contribuíram para atrapalhar a saída dos ônibus especiais do Mineirão (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)

O campeão está consagrado, turistas voltaram para casa, a bola deixou de rolar no gramado. Nem por isso o trabalho diminuiu. Passada a Copa das Confederações, é hora de avaliar o desempenho de Belo Horizonte no evento anunciado como teste para o Mundial de 2014. Mesmo sem estatísticas consolidadas, organizadores consideram que BH garantiu aprovação no torneio, mas reconhecem que há um longo trabalho pela frente. Para os torcedores, o transporte é o principal problema a ser resolvido. E, num contexto em que manifestações superaram os jogos em público, o setor de segurança teve uma prova de fogo.

Os desafios para a Copa ficam mais evidentes quando se leva em conta a quantidade maior de turistas que devem desembarcar em Belo Horizonte no ano que vem. Na Copa das Confederações, o Mineirão recebeu 130 mil torcedores nos três jogos da Copa das Confederações, a maioria da região metropolitana (cerca de 100 mil). Estima-se que 6 mil estrangeiros tenham visitado BH durante o torneio, de acordo com percentuais projetados pela Fifa. Em 2014, o Ministério do Turismo calcula que 180 mil estrangeiros, além de 380 mil brasileiros, visitarão a capital mineira durante o Mundial. Há, portanto, muito a ser feito.

Na avaliação de quem foi aos estádios, o transporte foi o ponto mais problemático. Por seis dias, o paranaense Eduardo Yamauti, de 30 anos, esteve em BH com três amigos. Ele vieram para a semifinal entre Brasil e Uruguai e foram ao jogo no ônibus especial para a Copa. “A ida foi tranquila, mas, no final, por causa das manifestações, liberaram somente uma saída no estádio. Foi uma confusão”, relata. “Não tinha sinalização, ninguém para informar de onde saía o ônibus. Quando encontramos o terminal, a fila era gigante. Se para o brasileiro foi difícil, imagina para os estrangeiros”, completa Eduardo, que preferiu andar por quatro quilômetros até um ponto de ônibus de linha convencional.

No total, 59,2 mil passageiros usaram o serviço especial da BHTrans, que contou com 300 ônibus convencionais de cinco terminais. O engenheiro Ricardo Garcia, de 46, de Volta Redonda (RJ), esteve com a família na cidade para o jogo entre Japão e México e optou por usar táxi. Ainda assim, enfrentou dificuldades. “A saída foi complicada. Por causa da manifestação, o ambiente era bem tenso, com helicóptero, muita polícia. Minha irmã tem problema de mobilidade e já não havia mais cadeira de rodas”, reclama. “O trânsito estava horrível e preferimos esperar por quatro horas numa lanchonete até conseguir o táxi. Vimos uma turista estrangeira desesperada”, acrescenta.

Impacto dos protestos O secretário de Estado Extraordinário da Copa do Mundo, Tiago Lacerda, lembra que o sistema funcionou no pior cenário possível por causa dos protestos. “A principal avenida de ligação ao estádio estava bloqueada. De fato, foi um problema e chegamos a detectar pessoas sem saber para onde ir”, afirma. Segundo ele, a perspectiva é outra em 2014, com o início da operação do transporte rápido por ônibus (BRT), além do serviço de ônibus especial, que continuará à disposição dos torcedores. Para o secretário municipal extraordinário para a Copa, Camillo Fraga, o serviço de ônibus foi subutilizado na Copa das Confederações. “Apesar de ser gratuito, infelizmente muita gente não usou. Tínhamos capacidade de transportar 40 mil pessoas por jogo”, diz. “Tivemos um bom aprendizado para fortalecer o pedido para que os torcedores usem mais o transporte público”, ressalta.

Com os sucessivos protestos, o setor de segurança também tirou lições do torneio. “Nossa expectativa é que a Copa das Confederações fosse absolutamente tranquila por causa dos jogos programados aqui, mas com as manifestações a coisa ganhou um outro contorno”, reconhece o secretário de Estado de Defesa Social, Rômulo Ferraz. Com as manifestações, foi preciso mobilizar mais que o dobro de agentes inicialmente previsto, passando de 2 mil policiais militares para 5,4 mil, além dos 1,2 mil homens do Exército e 300 da Força Nacional. “A articulação entre todas as instituições foi uma lição positiva. As chefias das corporações ficaram numa sala de situação com a imagem de câmeras de vários pontos da cidade, onde conseguíamos tomar decisões mais rápidas. Passaram por lá o governador e o prefeito”, conta Ferraz.

A maior dificuldade, na avaliação do secretário, foi atender a tantos interesses. “Se a PM atua mais firme, acham que é abuso. Se não, acham que tem que agir de forma mais dura. Temos que ter uma temperança para proteger torcedores, manifestantes e o patrimônio público e privado”, afirma. No que diz respeito à segurança dos turistas, a secretaria informou que 56 ocorrências foram registradas durante o torneio na Delegacia de Eventos, na orla da Pampulha, a maioria de furto.

Confiante em que a situação política e social do país se acalme até a Copa do Mundo, o secretário Rômulo Ferraz adianta que, para 2014, o sistema de videomonitoramento será ampliado, com a instalação de 280 câmeras, em especial na Avenida Antônio Carlos. Uma nova central de controle operacional, em construção na Gameleira, na Região Oeste, ficará pronta para o Mundial. Em relação ao efetivo, Ferraz reforça que dificilmente será necessário aparato policial maior do que o usado na Copa das Confederações.

Pílulas da Copa

» DE BH PARA...

Turistas que estiveram em BH durante a Copa das Confederações puderam enviar cartões-postais gratuitos para qualquer parte do mundo. O serviço, oferecido pela Belotur, trazia 10 estampas diferentes e dá a noção de quem passou pela cidade no período. No total, 3 mil postais foram enviados. No Brasil, só o estado de Roraima não esteve entre os endereços de entrega. Cerca de um quinto dos cartões foram para o exterior, num total de 40 países.

»TEMOS VAGAS

O balanço da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Minas Gerais (Abih-MG) apontou como insatisfatória a ocupação dos estabelecimentos ao longo da Copa das Confederações. Apenas no jogo entre Brasil e Uruguai houve ocupação de 100% dos 18 mil leitos. De modo geral, o movimento em junho do ano passado foi maior em relação a este ano. “Eventos que normalmente vinham para cá deixaram de vir. A Copa coincidiu com um momento tumultuado, que espantou os clientes. A média de ocupação foi de 70%”, afirma a presidente da entidade, Patrícia Azeredo Coutinho, que prevê a abertura de pelo menos 40 hotéis para o ano que vem, dobrando a capacidade de hospedagem da cidade.


» Só em dia de jogo

Na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas (Abrasel-MG), Fernando Júnior, a presença de turistas teve pouco impacto no faturamento dos estabelecimentos. “Os restaurantes mais típicos é que teriam maior incremento, mesmo assim de 2 a 3%”, afirma. Segundo ele, o principal fator para manter a casa cheia no período foi a transmissão de partidas da Copa. “O aumento chegou a 50% nos locais que mostraram os jogos”, ressalta.


» TURISTAS

Pesquisa do Ministério do Turismo indica que 69% dos turistas estrangeiros estavam no país por causa da Copa. Em média, os entrevistados ficaram duas semanas no país. Os estádios foram aprovados por 95% dos estrangeiros, ao contrário do transporte até os jogos, que foi aprovado por 61,5% deles. Entre os turistas brasileiros, 85% tinha como finalidade da viagem a Copa e a média de permanência era de três pernoites. Chama a atenção o fato de 37% deles não ter pernoitado. O preço da alimentação no estádio foi considerado ruim ou muito ruim por 78% dos visitantes.


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