
O tio-avô de Gabriel, Aires Ferreira, de 68 anos, tem um apartamento na Avenida Oceânica, na Praia do Morro, há mais de 15 anos. Gabriela saiu de casa às 22h de sexta-feira, prometeu voltar às 00h30 e não apareceu. À 1h da madrugada de sábado, os familiares saíram para procurar o adolescente. Eles deram uma volta na praia e não o encontraram. Aires disse ter entrado em contato com um estudante de Engenharia do Rio de Janeiro, que estava hospedado no prédio em frente ao deles e conheceu Gabriel neste fim de semana. O jovem contou que eles se encontraram na praia à noite e depois foi embora, deixando o amigo lá. Ele procurou a família assim que soube do desaparecimento e ajudou nas buscas.
Às 7h30 eles procuraram o Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) da cidade, mas os dois órgãos garantiram não terem feito a remoção de alguma vítima de afogamento ou homicídio com aquelas características. Gabriel também não foi encontrado no Conselho Tutelar, nem na delegacia da cidade. Eles fizeram outra ronda nos mesmos locais às 14h, sem novidades. A família, então, decidiu procurar a Polícia Civil para registrar o desaparecimento de Gabriel, mas o policial que estava no local se recusou, dizendo que eles deviam esperar completar 24 horas do sumiço para fazer o documento. Eles retornaram às 21h e fizeram o boletim de ocorrência.
Em Belo Horizonte, o tio paterno de Gabriel, Marcelo Woidella, de 40 anos, disse ter recebido uma ligação de Aires às 7h informando sobre o desaparecimento do rapaz. Eles estavam preocupados, pois ele sempre voltava nos horários combinados quando saía de casa. Em seguida, ele ligou para o pai do menino, Rodrigo Bastos. Ao ser informado, Bastos e o irmão, Gustavo, pegaram a estrada para o Espírito Santo, pois não conseguiram passagens de avião. Neste intervalo, Marcelo, que tem a login e a senha do Facebook do sobrinho, acessou a página dele na rede social - para pedir ajuda a conhecidos - e descobriu que ele havia conversado com uma “paquera” de BH até as 22h40 de sexta, quando ele se despediu dizendo que iria para a praia e, em seguida, voltaria para casa.
Gabriel acessou a internet de uma lan-house que fica em uma galeria em frente ao prédio do tio-avô. Ele e a esposa foram até o local e o proprietário confirmou ter visto ao adolescente no local até as 22h40. Eles, então, imprimiram cópias de uma foto em que Gabriel mostrava uma tatuagem de henna com o nome da garota com quem havia conversado pela internet - encontrada por Marcelo na rede social - e saíram para distribuir o material na esperança de que alguém o tivesse visto.
Reconhecimento
O pai do adolescente e o tio chegaram a Guarapari entre 22h e 23h de sábado e também saíram para espalhar os panfletos. Já no início da madrugada, Rodrigo Bastos foi abordado por uma mulher. Ela disse que o rapaz da foto havia caído de um prédio na Avenida Oceânica. Imediatamente, o pai de Gabriel foi até o local, que fica a 400 metros do apartamento da família e encontrou um tênis que pertencia ao adolescente. Um morador do prédio disse ter visto um corpo caído no terreno ao lado do edifício, na tarde de sábado, e acionou os bombeiros e o Samu, que removeram a vítima. Rodrigo procurou o Instituto Médico Legal (IML) de Vitória e reconheceu o corpo do filho adolescente.
A família acredita que houve omissão dos órgãos competentes na cidade. O tio-avô de Gabriel chama atenção para o fato de que o corpo do rapaz já havia sido recolhido enquanto eles faziam as buscas no sábado. O corpo do adolescente tem vários ferimentos o rosto e o laudo preliminar indica “morte por suposta queda”. A conclusão do laudo sai em 15 dias.
Marcelo Woidella questiona como o adolescente entrou no outro prédio, quem permitiu a entrada e quem é o proprietário. O em.com.br entrou em contato com o Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de Guarapari pela manhã, mas eles disseram ainda não ter informações a respeito do caso. O pai de Gabriel está a caminho de Belo Horizonte neste domingo para providenciar o enterro do rapaz.
