Tiago de Holanda
Algumas pessoas temiam que chovesse, mas foi com céu estrelado, iluminado por uma lua quase cheia, que Belo Horizonte deu as boas-vindas a 2013. Em um dos cenários mais belos da capital, a orla da Lagoa da Pampulha, a 23ª edição do tradicional Réveillon da TV Alterosa alegrou e emocionou mais de 150 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar. A festa reuniu familiares e amigos, gente de todas as idades, de várias cidades de Minas e de outros estados. No ápice da comemoração, fogos de artifício exibiram por cerca de 20 minutos uma grande diversidade de cores e efeitos, alguns até então inéditos no país.
A noite foi animada ao ritmo do sertanejo universitário e do samba. Às 20h30, pontualmente, a dupla João Neto e Frederico subiu ao palco, para delírio dos fãs que não paravam de dançar. “A gente está muito contente de virar o ano em uma cidade tão bonita, que sempre nos recebeu de braços abertos. Minas é nossa segunda casa”, disse o goiano João Neto no camarim, pouco antes da apresentação. O hit Pega fogo, cabaré, segunda música do show, fez o público vibrar.
“Quem é que gosta de arrocha? Arrocha, arrocha!”, pediu Frederico, antes de a dupla tocar um pout-pourri com algumas das faixas mais populares e dançantes de 2012: Camaro amarelo, Vem ni mim, Dodge Ram, Gatinha assanhada e Sinal disfarçado (“vai no banheiro, pra gente se beijar”). Em um dos momentos mais emocionantes do show, os cantores chamaram duas fãs para subir ao palco. Elas ganharam rosas e se sentaram em cadeiras. Ao apresentarem a romântica Minha herança, os sertanejos se agacharam e cantaram pertinho das moças: “Vai, senta aqui do meu lado. Me deixa te olhar e sentir o seu cheiro”.
Em seguida, às 22h40, foi a vez de o palco ser ocupado pela Turma do Pagode. O sexteto originado em rodas de samba da Zona Norte de São Paulo, frequentador assíduo das rádios de todo o país em 2012, empolgou os presentes com canções como Lancinho, Tá na hora e Da cor do pecado. “Vamos tirar onda, vamos cantar, vamos sambar, vamos ficar à vontade”, pediu um dos integrantes, no início da apresentação. E o público respondeu à altura, dançando e brincando sem parar. Cinco torres de som permitiram a quem ficou mais ao fundo do local dos shows ouvir as músicas com a mesma qualidade que quem esteve perto do palco.
A presença da Turma do Pagode foi uma das razões para que Marlos Domingos, de 34 anos, e sua família fossem pela primeira vez à festa realizada pela TV Alterosa. “É um som muito animado, contagiante. Tá bom demais. E o melhor é que não choveu”, disse Marlos, supervisor de vendas de uma loja de cosméticos. O pessoal estava ansioso para ver o show pirotécnico. “Soubemos que há fogos novos este ano. Ficamos curiosos”, disse a esposa, Lucimar de Freitas, de 35, vendedora em uma loja de roupas femininas. O casal estava acompanhado dos filhos Marcos Vinícius, de 9, e Júlia, 14. Hamilton aproveitou para dizer o que desejava para o ano que se inicia: “Muita paz no espírito, tranquilidade, harmonia com a vida e a natureza. O resto vem naturalmente”.
Na festa havia muitas famílias, incluindo bebês, carregados em carrinhos ou nos braços, idosos, cadeirantes e outras pessoas com necessidades especiais. “Não vi nenhuma confusão. Está muito seguro, há muitos policiais”, disse o metalúrgico Hamilton Miranda, de 47, que estava ao lado da mulher, a dona de casa Carla Miranda, 46, e da filha, Luiza, 13. O grupo, que pelo terceiro ano foi ao Réveillon da Alterosa, também esperava pelos fogos. “Queremos ver as novidades deste ano. A Pampulha é um dos lugares mais belos de BH. Vai ser lindo”, previa Carla.
A gerente-executiva de Marketing da TV Alterosa, Andréia Zuqui, celebrou o sucesso da festa. “Esse revéillon já é tradição, é o maior fora do litoral no país. A Alterosa não abre mão de fazer essa festa para os mineiros”, enfatizou. Convidada especial para o evento, a diretora jurídica da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Maria Celeste Morais Guimarães, também aprovou a festa, da qual participou pela primeira vez. “Estou adorando. Está superaconchegante. Os shows e os fogos foram excelentes. É um presente da Alterosa para BH. Não temos mar, mas temos a festa da Alterosa”, brincou, e disse qual é seu desejo para 2013: “Esperamos que Minas tenha uma presença mais forte no Brasil, ganhe mais investimentos”.
Muitas surpresas na hora da virada
A dez segundos da meia-noite, os três telões de LED montados para exibir em alta definição os shows começaram a mostrar a contagem regressiva. E, enfim, chegou a hora do maior show de fogos da história do Réveillon da Alterosa, emissora que comemorava 50 anos de existência. Os fogos foram posicionados em seis embarcações estrategicamente espalhadas pela lagoa. Foram apresentadas muitas novidades, vistas no Brasil pela primeira vez, uma delas uma abelha prateada que se dividia e virava um enxame no céu.
Corações que se formaram em vermelho foram a novidade que mais agradou a farmacêutica Camila Pereira, de 30 anos. “Os fogos foram muito emocionantes, muito bonitos. Alguns, a gente nunca tinha visto. Superou nossas expectativas”, ressaltou. Já para o marido dela, Wesley Sousa de Oliveira, também de 30, a atração mais legal foram os fogos que, como pequenas cobras, subiam serpenteando e soltando silvos agudos. Sempre que eles se elevavam no céu, a multidão gritava e assobiada. “Esse empolga todo mundo”, constatou o analista de sistemas.
O casal estava sentado em um lençol posto sobre um dos pontos do gramado que margeia a lagoa. Com eles havia mais sete pessoas, quase todas parentes. Wesley, Camila, a filha Isabela, de 9, e os pais de Wesley vieram de Goiânia (GO) para passar o primeiro réveillon em BH. Eles foram convidados pelo comerciante goiano Everton Sousa de Oliveira, de 28, e sua esposa, a advogada Maria do Carmo Barbosa, de 40, que moram na capital mineira, e estavam acompanhados da filha da mulher, Lethícia Barbosa, de 19 anos, e do namorado da jovem, Huewer Souza Alves, 22. “O réveillon daqui tem fama. Lá em Goiânia, a gente ouvia falar que é muito bom”, disse Maria do Carmo.
