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Estado de Minas RISCO MÁXIMO NAS ESTRADAS

Acidentes rodoviários envolvendo cargas perigosas já somam 130 este ano em Minas

Unidade da PM que cuida do Anel Rodoviário de BH se diz refém das transportadoras


postado em 27/10/2012 06:00 / atualizado em 27/10/2012 07:00

Carretas a exemplo desta, que transportam material inflamável, como gás liquefeito, deveriam receber mais atenção das autoridades na área viária(foto: Fernando Priamo/Tribuna de Minas - 11/3/2010)
Carretas a exemplo desta, que transportam material inflamável, como gás liquefeito, deveriam receber mais atenção das autoridades na área viária (foto: Fernando Priamo/Tribuna de Minas - 11/3/2010)

A cada três dias há um acidente com carga perigosa na malha rodoviária de Minas Gerais. O acidente de quarta-feira (24), que interditou o Anel Rodoviário por 10 horas, por causa de uma carga de 25 toneladas de gás de cozinha GLP, que tombou, volta a levantar as discussões sobre a importância de uma estrutura organizada para atender demandas desse tipo e liberar as pistas com celeridade. Para o subcomandante do Batalhão da Polícia Militar Rodoviária (BPMRv), major Agnaldo Lima, que cuida do patrulhamento da rodovia, a frequência de acidentes no Anel, sobretudo quando envolve cargas perigosas, deixa a unidade refém das empresas responsáveis pelo transporte dos produtos. São elas que fazem todo o trabalho de retirada da carreta, transbordo da carga, avaliação de riscos e limpeza da pista, com auxílio das autoridades de Minas. “Na hora do acidente, a gente não encontra ninguém e sai pedindo favor”, diz.

O oficial lembra que os motoristas presos no engarrafamento, atrasados para seus compromissos e cansados de uma longa viagem, exigem a liberação rápida da pista, sem se preocupar com a segurança, quesito que os policias devem necessariamente observar. Na quarta-feira (24), para retirar a carreta, foram necessários três guinchos. O cavalo mecânico e a equipe especializada para fazer o transbordo da carga tóxica vieram de Barbacena, a 173 quilômetros de BH. “Seria interessante ter um órgão ou alguém que pudesse gerenciar esse atendimento com equipe técnica para avaliar o risco”, avalia o major.

Prevenção

A diretora de Prevenção e Emergência Ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Desenvolvimento Sustentável (Semad), Zenilde Guimarães, conta que as empresas só conseguem uma licença para transportar produtos perigosos em Minas quando apresentam um plano de emergência para acidentes. Ainda assim, uma comissão foi criada para elaborar um plano estadual que pretende fazer um diagnóstico de cada região e os tipos de acidentes com carga perigosa. Segundo ela, a prioridade são as ocorrências em estradas e rodovias, estabelecendo articulação entre os órgãos e empresas produtoras e transportadoras. A secretaria vai coordenar a comissão estadual que pretende concluir o plano de trabalho em 2013.

“A prevenção é essencial em todas as áreas e por isso a importância de um plano estadual que vai identificar as estradas com ocorrências mais frequentes e definir estratégias para evitar acidentes com produtos tóxicos porque essa é a prioridade número um”, explica Zenilde. “Se o plano das transportadoras falhar ou demorar, o Estado toma a frente, prometendo dar uma resposta o mais rápido possível dentro das suas atribuições. Mas a responsabilidade do trabalho ainda será das empresas.”

Zenilde admite que a integração entre empresas transportadoras e órgãos de assistência precisa estar mais afinada, mas acredita que o problema que se enfrenta, como no caso do Anel, tem relação com o tipo de carga. “Não acho que seja problema de atuação ou agilidade na decisão. As empresas costumam resolver, mas a demora se dá devido à periculosidade do material, que exige tempo para isolar o ambiente e garantir a remoção segura para liberação da pista. Sei que afeta muita gente, mas 10 horas, às vezes, é pouco”, considera.


Ocorrências só aumentam

Um relatório da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Desenvolvimento Sustentável (Semad) aponta que a BR-381 é a que mais sofre com acidentes ambientais provocados por cargas tóxicas de carretas tombadas. Segundo o relatório, já são 101 ocorrências nas estradas este ano (até quinta-feira), 35 delas na 381 –, o que representa 34% do total. De acordo com a diretora de Prevenção e Emergência Ambiental da Semad, Zenilde Guimarães, os líquidos inflamáveis são as cargas mais presentes nos acidentes, principalmente derivados de petróleo (gasolina e diesel) e álcool. Em 2011, foram 130 acidentes envolvendo produtos tóxicos.

Para circular no estado, essas transportadoras apresentam uma série de documentos à Semad, entre eles a inscrição em um Cadastro dos Transportadores de Produtos Perigosos e um plano para situações de emergência, com as providências e ações que ele deverá executar em casos de acidente, como o chamado à seguradora especializada, a remoção do produto da via e a limpeza de cursos d’água, se forem afetados. Esses documentos são pré-requisitos para solicitar o Certificado de Regularização Ambiental para Transporte Rodoviário de Produtos e Resíduos Perigosos, uma licença que o permite trafegar. À Semad, desde 2004, foram feitas 1.650 solicitações para transporte de produtos perigosos.

Zenilde considera a integração um ponto importante para dar agilidade aos atendimentos, mas reconhece que os atendimentos dependem da movimentação das transportadoras. Ela cita o exemplo de algumas empresas voluntárias que se juntaram para elaborar planos de auxílio mútuo, apoiando umas às outras em casos de acidentes. Isso vem ocorrendo em Betim e Ibirité, na Grande BH; Sul de Minas, Triângulo Mineiro, Vale do Aço e em Juiz de For a, na Zona da Mata.

“No caso do Anel, fica difícil controlar por causa de caminhões que vêm de outros estados. Aí a gente passa só a contar com o plano de emergência que cada empresa tem que ter. Acaba-se dependendo da movimentação da empresa, mas quando ela não atua, tem as polícias, os bombeiros e o Núcleo de Emergência Ambiental da Semad”, justifica. 


ENTREVISTA: Major Agnaldo Lima, subcomandante do BPMRV

‘‘Ordem é primar pela segurança’’
Subcomandante do BPMRv, major Agnaldo Lima, responsável pelo patrulhamento no Anel Rodoviário, prega cuidado máximo com a segurança dos usuários das rodovias.

Há uma estrutura de trabalho que possa dar agilidade à liberação das pistas em caso de acidentes graves?
Não tem estrutura organizacional para isso. Se a empresa demora, o estado fica refém. Numa situação bem pessimista, se o dono da transportadora for o motorista e ele morrer, quem paga pelo transbordo da carga, quem aciona o guincho, quem avalia o risco? Isso não está bem amarrado e a bomba estoura na mão da PM.

Como se resolve, então, problemas como o desta semana, que manteve o Anel fechado por 10 horas até que se tirasse a carreta e a carga tóxica de 25 toneladas de gás de cozinha GLP?
Todo mundo que está parado no congestionamento quer passar a todo custo, mas eu preciso garantir o direito de ir e vir com segurança e não tenho como liberar a via sem a análise de um técnico e os cuidados necessários com a carga. Só que na hora do acidente, a gente não encontra ninguém e sai pedindo favor. Seria interessante ter um órgão ou alguém que pudesse gerenciar esse atendimento, com poder de contratação de equipamentos, como o guincho, e equipe técnica para avaliar o risco.

Há fiscalização para transporte de carga perigosa?
A fiscalização ocorre dentro da rotina, com objetivo de verificar se os condutores estão cumprindo a legislação especifica e apresentando uma ficha de emergência e equipamentos de segurança. Mas o que eu preciso para liberar a via mais rapidamente é essa estrutura, que eu sei que não é barata. Enquanto dá certo, tudo bem, mas se alguém vira a carreta para liberar a pista sem avaliação correta e explode tudo, de quem será a responsabilidade? Se tivesse uma normatização que pudesse definir esse grupo de apoio, um serviço especializado, seria o ideal.
 


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