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Estado de Minas

Uma luz sobre a mata atlântica em Minas

Pouso Alto, no Sul de Minas, vai sediar um centro de referência científica e histórica sobre esse rico bioma, do qual restam apenas cerca de 8% em todo o território nacional


postado em 21/07/2012 06:00 / atualizado em 21/07/2012 07:08

Parque Estadual do Rio Doce, no Leste de Minas, ainda guarda valorosa área de mata atlântica(foto: Evandro Rodney/Divulgação - 6/1/11)
Parque Estadual do Rio Doce, no Leste de Minas, ainda guarda valorosa área de mata atlântica (foto: Evandro Rodney/Divulgação - 6/1/11)


Minas é o campeão em destruição de mata atlântica, mas dá um salto decisivo para reduzir a perda desse tesouro da biodiversidade, do qual restam apenas 8% no território nacional. Numa iniciativa que alia a preservação do patrimônio cultural à defesa do meio ambiente, será criado em Pouso Alto, na Região Sul, a 409 quilômetros de Belo Horizonte, um centro de referência científica e histórica sobre a mata atlântica, considerado o primeiro nessa modalidade no Brasil. O local escolhido é o Solar dos Barões, imponente construção do século 19, que foi visitada por dom Pedro II e sua filha, a princesa Isabel, e encanta quem chega ao município integrante do Circuito das Águas e da Estrada Real. A expectativa é de que o imóvel esteja restaurado e pronto no ano que vem para se tornar um polo irradiador de informações, fomentar trabalhos ambientais e fortalecer o ecoturismo.

Pertencente à prefeitura local e tombado pelo município, o casarão em estilo colonial tem área construída de 800 metros quadrados e se divide em três pavimentos. “O estado de conservação não é ruim e serão necessárias adequações no prédio. Há área suficiente para desenvolvimento de várias frentes de trabalho sobre o importante bioma, que está presente na nossa região, com destaque para a Serra do Papagaio”, diz o prefeito Vicente Wagner Pereira, adiantando que os primeiros projetos serão agora licitados. À frente do empreendimento estão a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e o Instituto Estadual de Florestas (IEF), que firmaram convênio de R$ 2,4 milhões com a Prefeitura de Pouso Alto, cidade com 6,5 mil habitantes.

Entusiasmado com a iniciativa, o titular da Semad, secretário Adriano Magalhães, afirma que “será um centro de referência não só para Minas, mas para o Brasil, com o apoio da Fundação SOS Mata Atlântica”. Ele destaca ainda que se trata de uma das mais importantes ações conduzidas no Sul de Minas para o desenvolvimento da região. “Constituímos recentemente, com o apoio da Fundação Matutu, o Consórcio de Ecodesenvolvimento Regional da Serra do Papagaio, para atuarmos com a comunidade do entorno da unidade desse parque estadual”, ressalta. A associação, formada, além de Pouso Alto, por Aiuruoca, Alagoa, Baependi e Itamonte, é o primeiro consórcio público do país voltado para o ecodesenvolvimento no entorno de uma unidade de conservação.

Destruição secular

Destruída desde o início da colonização do Brasil pelos portugueses, a mata atlântica está presente em 17 estados da federação e em 3,1 mil municípios. “Mais da metade da população brasileira vive em áreas que já foram cobertas de mata atlântica”, diz Mário Mantovani, diretor da organização não governamental SOS Mata Atlântica, criada há 25 anos. Ele aplaude a iniciativa e lembra que a lei federal, regulamentada e ratificada em todas as esferas, conseguiu impedir o avanço da devastação. “Esta iniciativa é importante para Minas, que tem nas suas regiões Leste e Nordeste os maiores trechos de destruição, áreas que transformaram as árvores em carvão e pastagens.”

O Solar dos Barões, visitado por dom Pedro II e JK, abrigará o centro de referência de Pouso Alto, que deve entrar em funcionamento no ano que vem(foto: JOSEANE GUIMARÃES/DIVULGAÇÃO)
O Solar dos Barões, visitado por dom Pedro II e JK, abrigará o centro de referência de Pouso Alto, que deve entrar em funcionamento no ano que vem (foto: JOSEANE GUIMARÃES/DIVULGAÇÃO)


União fortalece municípios

O secretário de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Adriano Magalhães, afirma que o ponto inicial para a formalização do convênio com a Prefeitura de Pouso Alto surgiu a partir do consórcio dos municípios no entorno do Parque Estadual Serra do Papagaio. “Por estarem unidos nesta iniciativa, eles vão poder conduzir ações de ecodesenvolvimento com as comunidades, as quais seriam inviáveis se fossem trabalhadas de forma isolada”, destaca.

O secretário explicou ainda que o governo adota iniciativas com base na ideia de integração com as comunidades do entorno das áreas protegidas. “Estamos revisando os limites das unidades de conservação de Minas, retirando pastos e incluindo florestas, exatamente para diminuir os conflitos com as comunidades locais. Na revisão dos limites do Parque Estadual da Serra do Papagaio, sua área aumentou 8%”, explica.

No ano passado, segundo o prefeito de Pouso Alto, Vicente Wagner Pereira, o governador Antonio Anastasia visitou a cidade e deu a ideia de integrar restauração do Solar dos Barões e preservação ecológica. “Nosso trabalho agora será fazer com que ele sirva de modelo para outros municípios mineiros”, observa, explicando que o casarão foi restaurado duas vezes, durante as visitas de dom Pedro II, no século 19, e do presidente Juscelino Kubitschek, na segunda metade do século passado.


Saiba mais: tesouro da biodiversidade

A mata atlântica abrangia originalmente uma área equivalente a 1,3 milhão de quilômetros quadrados e se estendia do Rio Grande do Sul ao Piauí. Segundo a Fundação Mata Atlântica, restam hoje 7,91% de remanescentes florestais do ecossistema. Os especialistas dizem que se trata de um hotspot mundial – uma das áreas mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas do planeta, reconhecida como Reserva da Biosfera pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e Patrimônio Nacional, na Constituição Federal de 1988. A composição original da mata atlântica é um mosaico de vegetações definidas como florestas ombrófilas densa, aberta e mista; florestas estacionais decidual e semidecidual; campos de altitude, mangues e restingas. Vivem na mata atlântica cerca de 112 milhões de pessoas, ou mais de 61% da população do país. O Projeto de Lei da Mata Atlântica, que regulamenta o uso e a exploração de seus remanescentes florestais e recursos naturais, tramitou por 14 anos no Congresso Nacional e foi finalmente sancionado em dezembro de 2006. Das 633 espécies de animais ameaçadas de extinção no Brasil, 383 ocorrem nesse bioma.
 


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