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Estado de Minas

Descumprimento da lei é maior causa das "saidinhas de banco"

São quatro ocorrências por dia útil em Belo Horizonte


postado em 05/05/2012 06:00 / atualizado em 05/05/2012 07:12

Motociclistas são alvo constante de blitzes da PM, porque estão envolvidos em 80% dos assaltos do lado de fora das agências(foto: JAIR AMARAL/EM/D.A PRESS - 7/7/11)
Motociclistas são alvo constante de blitzes da PM, porque estão envolvidos em 80% dos assaltos do lado de fora das agências (foto: JAIR AMARAL/EM/D.A PRESS - 7/7/11)

No início de 2009, a empresária Adriana Ferreira Dias, de 44 anos, foi a uma agência bancária na Avenida Dom Pedro II, no Bairro Carlos Prates, na Região Noroeste de BH, pagou contas da sua empresa de telecomunicações e aproveitou para sacar R$ 4 mil. Ao chegar ao carro estacionado numa rua próxima, ela foi surpreendida por um casal numa moto. Armados, os criminosos levaram a bolsa com o dinheiro da empresa e puseram Adriana na estatística das vítimas da saidinha de banco. Esse tipo de crime se tornou desafio para a Polícia Militar e o combate esbarra na ineficácia do cumprimento das leis estadual (proibição de celular dentro das agências) e municipal (obrigatoriedade da instalação de biombo entre caixas e clientes) e na resistência dos bancos.

Apesar de a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) garantir que é grande o investimento em segurança, o número de saidinhas no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2011 mostra que 85% das ocorrências se concentram em três instituições financeiras que ainda resistem em instalar biombos. Segundo a PM, de janeiro a março deste ano, em média, quatro pessoas foram vítimas desse crime em BH em cada um dos 62 dias úteis.

Para Adriana Dias, o jeito foi mudar hábitos e parar de sacar dinheiro. “Passei a usar a internet e fazer sempre transferências, para evitar manipulação do dinheiro. Os biombos são importantíssimos para evitar os problemas com os assaltantes”, diz.

A PM não informa, mas o EM apurou que os três bancos que concentram o maior número de ocorrências são Bradesco, Itaú e Santander, que ainda resistem na instalação dos biombos. De acordo com o coronel Rogério Andrade, comandante do policiamento da capital, um banco que não tem biombo em nenhuma agência foi alvo de 87 saidinhas no primeiro trimestre de 2011, contra 112 no mesmo período deste ano, um aumento de 28,7%.

“Os dados mostram que os biombos são importantes para diminuir a violência”, lembra o militar. Em fevereiro, diante do aumento dos ataques, a PM lançou a Operação Saque Seguro, para tentar coibir ataques. O objetivo é fazer patrulhamento preventivo perto das agências bancárias abordando pessoas em atitude suspeita e principalmente motos, meio usado em 80% desses crimes, segundo a polícia. Ainda segundo o coronel Andrade, de fevereiro a abril houve redução de casos, ainda que os números absolutos sejam muito altos.

“Uma instituição que instalou biombos em todas as agências da capital teve redução de 66,7% nos casos de saidinha, caindo de 27 no primeiro trimestre de 2011 para nove no mesmo período deste ano”, garante o militar. Um terceiro exemplo é o de um banco que ainda está instalando os biombos. Ele passou de 16 ocorrências nos primeiros três meses de 2011 para 12 este ano, uma queda de 25%. A região de BH mais visada é a Nororoeste, com 62 ocorrências de janeiro a março de 2012, ou 24,5% dos 253 ataques. A explicação passa pela atuação de quadrilhas especializadas e pela ligação mais fácil entre os bairros da Noroeste e alguns aglomerados próximos.

Contato com gerentes

O aumento verificado na Região Noroeste também foi o maior (51,2%). Para coibir os ataques, está em curso um projeto da PM com os bancos da região para minimizar o problema. “Das 52 agências atendidas pelo 34º Batalhão, só temos problemas nas que não têm biombo. Os militares estão em contato com os gerentes dos bancos para facilitar a troca de informações e identificar criminosos. Com base nessa troca, já conseguimos prender quatro pessoas”, segundo o tenente-coronel Idzel Fagundes, comandante do 34º BPM, que abrange a Região Noroeste.

A liderança do ranking das saidinhas fica com a Noroeste quando consideradas as áreas dos batalhões de policiamento. Somando as ocorrências do 1º BPM, responsável pelo Centro, com os registros do 22º, que patrulha a Zona Sul, a liderança passa para a Centro-Sul, com 103 casos entre janeiro e março.

Análise da notícia - Lei não é cumprida

O argumento da Febraban  de que os biombos são inseguros cai por terra quando a Polícia Militar mostra estatísticas que provam que os equipamentos diminuíram as ocorrências de saidinhas de banco em Belo Horizonte. Os lucros bilionários das instituições financeiras, ao que parece, podem cobrir investimentos na instalação desses painéis, para que os clientes se sintam seguros no momento de fazer uma operação bancária.  Não há argumento que prove o contrário, já que existe uma lei obrigando a colocação de biombos e os bancos a descumprem sem a menor cerimônia. (GP)


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