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Estado de Minas

Estudante mineiro envolvido com Beira-Mar já estava na mira da PF

Jovem preso na capital por suspeita de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas já havia sido ouvido pela Polícia Federal em Minas sobre depósitos envolvendo máquinas caça-níqueis


02/12/2011 06:00 - atualizado 02/12/2011 06:39

 

Rodrigo mora em casa com piscina e churrasqueira no Serrano, onde foram apreendidos materiais diversos
Rodrigo mora em casa com piscina e churrasqueira no Serrano, onde foram apreendidos materiais diversos (foto: BETO MAGALHÃES/EM/D.A PRESS)


Acusado de lavagem de dinheiro para o traficante Fernandinho Beira-Mar, o estudante do curso tecnólogo de processos gerenciais Rodrigo Garcia Pessoa Lara, de 27 anos, preso pela Polícia Civil no Bairro Serrano, na manhã de ontem, admitiu a policiais civis que era o responsável pelos negócios da empresa REF Cobranças e Fomentos. E que Fábio Moreira Campos, de 28 anos, teria apenas emprestado o nome para abertura da firma. O rapaz contou como se envolveu no esquema, mas argumentou que não sabia que se tratava de dinheiro do tráfico. No entanto, o próprio Rodrigo também afirmou aos investigadores que já havia sido chamado à Polícia Federal, há “três ou quatro meses”, para explicar depósitos oriundos da exploração de máquinas caça-níqueis. Depois disso, ele teria pedido a um contador que se desfizesse da empresa e repassasse o nome a terceiros.

Rodrigo mora com a mãe em uma casa confortável com piscina e churrasqueira, que também funciona como escritório de seguros, empresa da mãe. Na garagem, apesar de dizer que está desempregado e que deve cinco meses das mensalidades da faculdade, Rodrigo guarda um Voyage 2010. O Gol em nome da empresa de sua mãe já foi dele também. Na área de serviço, eletrodomésticos ainda na caixa, para o apartamento que ele comprou perto dali. Policiais do Rio, que receberam o apoio de agentes da Divisão Especializada de Investigação Antidrogas da Polícia Civil de Minas, apreenderam computadores, documentos, comprovantes bancários e dois iPhones na caixa, além de um celular.  

Numa conversa com policiais, Rodrigo informou que criou a empresa depois de conhecer um homem de Balneário Camboriú (SC) em um badalado restaurante de comida mineira da capital. A proposta, de acordo com o acusado, era receber dinheiro de brasileiros que moram fora do país e depositar as quantias para familiares que moravam aqui.  Rodrigo também afirmou que ganhava 0,25% de cada transação e que chegava a depositar diariamente aproximadamente R$ 200 mil em 300 a 400 depósitos diferentes. “A conta movimentava muito dinheiro mesmo, mas não tinha ideia de onde vinha disso, e eu nem ganhava tanto assim, tanto que estou distribuindo currículo para arrumar emprego. Para ganhar R$ 2,5 mil, eu tinha que fazer R$ 1 milhão em depósitos”, justificou.

Contatos

O rapaz disse à polícia que só encontrou o catarinense uma única vez e que todos os contatos eram feitos por e-mail ou telefone de um número do exterior. “Trabalhei para ele durante dois anos e ele dizia que esse dinheiro era de gente que mandava para os parentes. Ele me mandava planilha com as contas e eu mandava pagar. Era tudo pela internet. Do dinheiro depositado na conta da empresa, eu tirava a comissão. Ele dizia que tinha documentos comprovando a legalidade e que me mandaria se eu precisasse”, contou ao rapaz.

Na casa da rua vizinha, Fábio, outro sócio da empresa, chegou em seu Punto quase uma hora depois dos policiais. O rapaz trabalha numa incorporadora e afirmou que não conhecia os negócios da empresa, que só emprestou seu nome ao amigo para facilitar a abertura da REF. Os dois tiveram a prisão temporária de 15 dias expedida pela Justiça do Rio e vão ficar detidos em BH. Eles responderão por lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Segundo a polícia, não há relação direta dos jovens com Beira-Mar, mas a empresa era ponte para lavar o dinheiro do traficante.

Memória

Traficante pagou para fugir de BH

(foto: FÁBIO MOTTA/AE %u2013 15/9/08)
As ligações do traficante  Fernandinho Beira-Mar com Minas Gerais são antigas e datam da década de 1990. Em 1996, ele foi preso pela Polícia Federal em Betim. Fugindo da polícia carioca, Beira-Mar montou uma base na Grande BH, de onde comandava a quadrilha com ramificações em diversos estados. Ele foi julgado em Minas e condenado a 12 anos de prisão, mas não chegou a ficar nem um ano na cadeia. Em março de 1997, fugiu tranquilamente de táxi de uma cela do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) da Polícia Civil. Em 2001, foi recapturado na Colômbia e, meses depois, ao depor na CPI do Narcotráfico, na Câmara dos Deputados, contou que teria subornado policiais civis de Minas para fugir do Deoesp pagando R$ 500 mil. O Ministério Público denunciou 10 policiais e dois
advogados por envolvimento na fuga.

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PROCURADO

O traficante Roni Peixoto, apontado pela polícia como o braço direito de Beira-Mar em Minas, encabeça a nova lista dos 12 criminosos mais procurados de Minas, divulgada ontem pela Secretaria de Estado de Defesa Social. Ele estava preso desde julho deste ano na Penitenciária José Maria Alkmin, em Ribeirão das Neves, na Grande BH. Condenado a mais de 30 anos de prisão, foi beneficiado pela Justiça com o regime semiaberto, que prevê a saída diurna e o regresso noturno, e não voltou mais.


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