
Uma das cidades mais afetadas pelos desvios impostos pela interdição da ponte sobre o Rio das Velhas, na BR-381, Santa Luzia, na região metropolitana, parou na manhã dessa quarta-feira. Dezenas de carretas articuladas ficaram estacionadas nas ruas da cidade, pois foram impedidas pela Polícia Militar Rodoviária (PMRv) de continuar viagem pela AMG-145, conhecida como Avenida Beira Rio, acesso à rodovia federal. Segundo o tenente-PM Geraldo Donizete, a proibição foi decidida em reunião entre o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) e a prefeitura local. Porém, os caminhões foram barrados já dentro da cidade, o que travou o tráfego. Caminhoneiros esperaram por até seis horas para deixar o município.
O tenente Donizete explicou que a PRMv só pode atuar a partir da AMG-145 e que a proibição de entrar na cidade por outros caminhos cabe à prefeitura. “Está proibido o tráfego de caminhões articulados pelo desvio de Santa Luzia, exceção feita apenas a veículos locais, que atendem ou partem do município. Caminhões bitrem estão proibidos de qualquer forma”, afirmou. Os caminhões autorizados a circular receberão um selo de identificação para facilitar a fiscalização.
Uma ponte e 9 erros
A sucessão de equívocos que começou com a interdição e parece sem data para acabar. Confira:
1 - Prevenção inadequada
Duas intervenções para revitalizar a ponte do Rio das Velhas, há 12 e há oito anos, não foram capazes de evitar que a estrutura sucumbisse ao tráfego diário de cerca de 50 mil veículos. Sem manutenção que prevenisse o problema, a estrutura cedeu em 20 de abril, véspera do feriado prolongado da Semana Santa. O Dnit constatou que uma das sapatas de sustentação, baseadas no rio, ficou sem apoio.
2 - Comunicação ineficaz
Logo depois, com uma comunicação ineficiente sobre os desvios, milhares de carros, caminhões e ônibus enfrentaram congestionamentos quilométricos tanto na saída quanto na volta do feriadão. Para piorar, em 21 de abril, a BR-356, caminho para o desvio por Ouro Preto, foi fechada para caminhões durante toda a manhã. Dezenas de caminhoneiros esperaram por horas para seguir viagem.
3-Falta de fiscalização
A falta de agentes de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal, da PM Rodoviária, das prefeituras de Santa Luzia, Caeté e Sabará e do Dnit fizeram com que carretas e até bitrens circulassem por ruas estreitas e inadequadas das cidades históricas, o que provocou abalos na estrutura de casas, deteriorou o pavimento de vias urbanas e travou o tráfego urbano nos municípios atingidos.
4 - Tranquilidade em excesso
Somente depois de nove dias de interdição houve reunião formal entre todas as autoridades envolvidas, para traçar plano de emergência capaz de enfrentar os problemas gerados pela interdição. O encontro, ocorrido em BH, contou com a participação do diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot.
5 - Bate-cabeça entre envolvidos
As constantes mudanças nas permissões de circulação de veículos pesados em Santa Luzia permanceram até ontem, quando se teria chegado a um consenso, segundo a PM. O prefeito de Sabará, William Borges, criticou a falta de comunicação entre os vários envolvidos, o que estaria contribuindo para agravar os problemas.
6 - Demora para agir
Somente depois de 14 dias foi eliminada cratera que fazia com que o tráfego em um trecho da AMG-145, uma das rodovias usadas como desvio, fluísse em meia pista.
7 - Uma festa fora de hora
Com desvios já precários e mesmo diante de todos os problemas, a Prefeitura de BH resolveu dar sua parcela de contribuição para o caos: a BHTrans fechou a Via 240, prolongamento da MG-020, uma das ligações entre Santa Luzia e Belo Horizonte, para as comemorações do 1º de Maio.
8 - Demolição atrapalhada
A obra de demolição da estrutura abalada teria provocado a interdição da passadeira usada por milhares de pessoas para ter acesso ao transporte coletivo, embora a empreiteira responsável pelo trabalho negue relação com o transtorno.
9 - Invasão de área privada
O Dnit não pediu autorização de uso ao proprietário do terreno em que se concentra grande parte dos esforços para resolver a situação. Sequer a medição da faixa de domínio da rodovia foi feita antes da instalação do canteiro de obras.
