Publicidade

Estado de Minas

Ex-prefeito de Curitiba vai planejar urbanização da última fronteira verde de BH


postado em 15/03/2011 06:44 / atualizado em 15/03/2011 07:38

O projeto para a última área verde da capital evita construções irregulares, preserva bens naturais e oferece condições para uma ocupação confortável e independente(foto: Marcelo Sant'Anna/EM/DA Press)
O projeto para a última área verde da capital evita construções irregulares, preserva bens naturais e oferece condições para uma ocupação confortável e independente (foto: Marcelo Sant'Anna/EM/DA Press)


As mãos do ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná Jaime Lerner, urbanista brasileiro de renome internacional, vão traçar os contornos da área que passará de última fronteira verde a décima regional de Belo Horizonte, com mais de 70 mil unidades habitacionais e outros equipamentos urbanos. O planejamento de parte da Região do Isidoro, no Vetor Norte da capital, vai engrossar o currículo de Lerner – ex-consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) e responsável pela implantação do famoso sistema integrado de transporte coletivo da capital paranaense – e dar o pontapé para a ocupação do último vazio de BH, cortado pelo Ribeirão Isidoro, afluente do Ribeirão do Onça e integrante da bacia do Rio das Velhas. O escritório do arquiteto foi contratado por duas construtoras para elaborar o plano diretor da Granja Werneck, correspondente a um terço do Isidoro, com área de 10 quilômetros quadrados, superior à do perímetro da Avenida do Contorno.

Já no segundo semestre, a Direcional Engenharia e a Rossi Residencial, que formaram um consórcio com os proprietários da área, os herdeiros do médico Hugo Furquim Werneck (1878-1935), pretendem iniciar na Granja Werneck, onde funcionou um sanatório para tuberculosos e hoje há um lar de idosos, a construção de um novo bairro de BH. O empreendimento ocupará uma área de 3,5 quilômetros quadrados, com prédios residenciais, centro comercial, além equipamentos públicos, como postos de saúde, escolas e creches – contrapartidas impostas pelo Executivo municipal. Para atender demanda da prefeitura, o interesse do consórcio é concluir pelo menos 2 mil unidades habitacionais até a Copa do Mundo de 2014, para hospedar jornalistas e turistas.

O consórcio já apresentou à prefeitura, em fevereiro, o estudo e o relatório de impacto ambiental (EIA/Rima), primeiro passo do licenciamento ambiental, e agora espera a liberação da licença prévia (LP) para continuar o projeto. As construtoras não revelam o investimento nem o número total de apartamentos. Mas um dos herdeiros dos Werneck, o engenheiro Fernando Vianna Werneck, adianta que devem ser construídas entre 22 mil e 25 mil unidades habitacionais. “Esse número ainda não está fechado”, diz, contando que a família atua em coparticipação com as construtoras. Os empreendedores têm 12 anos para concluir a obra, quando os parâmetros urbanísticos da área serão revistos.

De acordo com o sócio do escritório Jaime Lerner Arquitetos Associados, Paulo Kawahara, coordenador do projeto, a proposta é construir um bairro sustentável. “Queremos que a Granja Werneck tenha vida e trabalho junto, e não seja apenas dormitório, como a maioria dos bairros da Região Norte. O grande diferencial será o verde e o equilíbrio com a natureza”, afirma. Segundo Kawahara, ao longo do Ribeirão Isidoro haverá um parque linear, com área de lazer para a comunidade. O Parque Leste, um dos dois a serem implantados na região, com 2,3 milhões de metros quadrados, área similar à do Parque das Mangabeiras, na Região Centro-Sul, também abrange o terreno da Granja.

O urbanista ressalta que, para evitar deslocamento dos moradores, o planejamento urbano prevê um centro comercial diversificado, denominado Aldeia. “A ideia é que haja tudo no Aldeia, desde comércio, escritórios, hotéis, miniterminal de transporte, espaço religioso. A proposta é que essa parte da granja seja um ponto de encontro, com serviços que atendam também os bairros do entorno”, afirma Kawahara, destacando que cada pequeno conjunto residencial contará com um centro comercial, composto por farmácia, padaria e mercado.

O gerente de novos negócios da Direcional Engenharia, Renato Michel, explica que o empreendimento será voltado para a classe média e prédios residenciais com apartamentos de dois e três quartos. “É o primeiro planejamento urbanístico em BH desde a época de Aarão Reis. Pensamos num empreendimento inovador. Apenas um terço da área total será ocupada, o resto será preservado. Será uma região de baixo adensamento e muito verde. A expectativa é de que 12% dos terrenos tenham vocação comercial. Há previsão para ciclovias e um sistema viário eficiente”, indica Michel.

Isidoro

Situada numa área cobiçada pelo mercado imobiliário, vizinha à Cidade Administrativa e da Linha Verde, a Região do Isidoro, que faz limite com município de Santa Luzia, é alvo da maior operação urbana consorciada encampada pela prefeitura. Por meio de uma lei especial, aprovada dentro da reforma da Lei de Parcelamento, Ocupação e Uso do Solo, e do Plano Diretor de BH, no ano passado, o poder público alterou os padrões de urbanização da última área verde da cidade, sob o argumento de evitar que siga o exemplo dos bairros populares vizinhos, Ribeiro de Abreu e Tupi, marcados por ocupações irregulares.

Antes da operação urbana, o Isidoro, região de importância ambiental ímpar, por abrigar 64 córregos e 280 nascentes, poderia receber 16,3 mil casas, em terrenos de até mil metros quadrados. As mudanças deram sinal verde para a construção de prédios, em lotes de 5 mil metros quadrados, num total de mais de 70 mil unidades habitacionais. Em contrapartida, os proprietários se comprometem a dotar a área de infraestrutura e equipamentos públicos, num investimento total de R$1,07 bilhão.

Compartilhe no Facebook
*Apenas para assinantes do Estado de Minas

Publicidade