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Estado de Minas Variedade

Loja na Savassi com curadoria afetiva chega aos 10 anos valorizando a arte e o feito a mão

Desde o primeiro cliente até hoje, Patrícia de Deus segue a intuição para selecionar produtos vendidos na loja com o seu nome


30/08/2020 04:00 - atualizado 29/08/2020 21:30

Há 10 anos, quando abriu a loja, Patrícia de Deus atraiu o primeiro cliente com a foto do pai na vitrine(foto: Joana Moreira/divulgação)
Há 10 anos, quando abriu a loja, Patrícia de Deus atraiu o primeiro cliente com a foto do pai na vitrine (foto: Joana Moreira/divulgação)
 
No nome, um complemento para reforçar sua pluralidade. Patrícia de Deus – Ideias e Papéis pode ser considerada uma papelaria ou referência em presentes. Não seria equivocado dizer que é um espaço cultural ou uma galeria de arte. Outros definiriam como lugar de aconchego ou ponto de descanso. Para a fundadora, é como se fosse sua casa. Localizada na Savassi, com vitrine artística e banco de praça convidativo na porta, a loja que valoriza a arte e o feito a mão completa este mês 10 anos.

Nem parece que o tempo passou. Muito dinâmica, Patrícia está sempre em busca de novidades em relação a produtos, decoração e estratégias de venda. Até o início da pandemia, ela estava lá todos os dias recebendo clientes e fornecedores. Com o projeto do banquinho, instalado debaixo da árvore em frente, a loja já ganhou um prêmio de gentileza urbana. “A loja trouxe para a cidade aconchego, o carinho dos objetos feitos a mão. Tem gente que fala que é um lugar mágico. Tento ao máximo criar um ambiente de descontração e curto manter a loja como se fosse a minha casa. Ponho flores todo sábado.”
 
Arte e artesanato são parte da sua história. Na família, todas as mulheres costuram, bordam, cozinham, fazem crochê. A mãe dela, inclusive, era costureira. Difícil acreditar que Patrícia se formou em química e chegou a fazer mestrado em plantas da Amazônia. Para ela, a ligação entre os dois mundos, tão distantes, está nos detalhes. “A química estuda as moléculas e eu adoro os pequenos detalhes. Gosto de cozinhar, decorar a casa. Aprendi a bordar com a mamãe, mas gosto mais do crochê.”
 
Escultura em metal da árvore e do banquinho que ficam na porta da loja, por José Napoleão(foto: Agencia Decibéis/Divulgação)
Escultura em metal da árvore e do banquinho que ficam na porta da loja, por José Napoleão (foto: Agencia Decibéis/Divulgação)

Patrícia tem um hábito peculiar: coleciona caderninhos. Sempre quando viaja, volta cheia de novidades para sua coleção. “Gosto de escrever as coisas que estudo, observo, faço um caderno de ideias, e tenho muitas, viu? As ideias brotam todo dia.” Soma-se a isso o fato de que os produtos mineiros faziam sucesso entre os amigos cariocas (ela já morou no Rio de Janeiro). Muitos falavam: por que você não monta uma loja?. Lá ela nem chegou a tentar, mas, de volta a BH, pôs em prática seu lado empreendedor.
 
A loja começou “escondida”, nos fundos de uma galeria. Patrícia programou a inauguração para 13 de agosto, dia do aniversário do pai, e colocou na vitrine uma foto dele. Esse detalhe acabou resultando em uma história curiosa, para não dizer emocionante. “Cinco minutos depois que abri as portas, passou um moço e falou: o que o meu professor está fazendo na vitrine da loja?. Ele tinha sido aluno do meu pai no curso de odontologia. Papai mandou meu primeiro cliente”, conta. O homem saiu de lá com um álbum de fotos. Um ano e meio depois, o negócio se firmou em uma loja de rua, onde ganhou visibilidade.
 
Desde o início, Patrícia segue seu feeling para escolher os produtos. Diz que faz a curadoria com o coração. “O elo está no design, na arte e no feito a mão.”
 
Na loja, você encontra uma seleção de itens de papelaria, como cadernos, agendas, blocos e álbuns de fotos, alguns com capa de tecido, outros costurados manualmente. Há também uma linha de utilitários de cerâmica, incluindo xícara, queijeira e molheira. Quem busca itens de decoração pode comprar quadros, esculturas de metal, objetos de tecido, peças de madeira, almofadas. Destaque para as bonecas de uma artista de Pernambuco, feitas com as cabaças que ela planta no quintal de casa. Ainda tem espaço para o segmento da moda, representado por lenços e colares com pingentes bordados. Para as crianças, uma opção são os brinquedos de papelão.
 
Escultura de Carlos Drummond de Andrade, por Leo Santana(foto: Agencia Decibéis/Divulgação)
Escultura de Carlos Drummond de Andrade, por Leo Santana (foto: Agencia Decibéis/Divulgação)
 
Vale conhecer a linha que homenageia a cidade. “Notei que precisava de produtos com criatividade e design, e fui buscando parceiros em BH. Gosto de privilegiar artistas locais. Muita gente compra para levar para o exterior, mas eles também fazem sucesso com as pessoas daqui.”
 
A lista de lançamentos não se esgota, mesmo na pandemia. “Adoro garimpar, procurar, conhecer. Sinto o que o cliente quer e viro o elo entre ele e o artista. Dou muitas ideias e bolamos juntos novos produtos.” Com a designer de joias e estilista mineira Daniela Angelo, Patrícia criou uma coleção de miniesculturas de árvores, como ipê, jabuticabeira e quaresmeira, com pé de madeira e enfeites coloridos.
 
Neste mês de aniversário, a loja lançou vários produtos exclusivos, entre eles marcador de livro e porta-copo em referência ao teto da loja, todo de ladrilho hidráulico. Outra peça comemorativa é uma escultura de metal que reproduz a árvore e o banquinho da porta.

Banquinho

 
O famoso banquinho começou como uma gentileza aos passantes, que podiam se sentar para lanchar, fumar, namorar, descansar. Até que ganhou outro significado com o projeto do bordado, uma das paixões da idealizadora. Todo mês, mulheres se encontram para bordar. “Começou como um encontro bem informal, cada uma levava seu banco, e às vezes juntavam mais de 50, de vários grupos. Com o tempo, formou-se um grupo enorme de pessoas que bordam no banquinho.” Vez ou outra, ele é ocupado por lançamento de livro, sarau, oficinas para crianças.
 
Ipê bordado, por Denise Paiva(foto: Agencia Decibéis/Divulgação)
Ipê bordado, por Denise Paiva (foto: Agencia Decibéis/Divulgação)
 
É recomendável sentar no banquinho para admirar a vitrine da loja. Patrícia convida artistas para fazer painéis e outras intervenções. No último Natal, uma árvore de crochê com passarinhos brasileiros tecidos a mão emocionou muita gente. Em outro ano, ela teve a ideia de fazer uma chuva de papel em formato de estrela e criou um clima mágico. A vitrine funciona também como espaço de exposições. “A vitrine é a recepção da loja e tem que estar sempre bonita. Normalmente, gosto de mostrar arte.”
 
A loja está fechada desde o início da quarentena, por isso o atendimento migrou rapidamente para as redes sociais. Patrícia posta fotos dos produtos no Instagram, que no momento funciona como vitrine, e interage com os clientes. Montou uma miniloja dentro de casa e embala os produtos. Está fazendo de tudo, menos as entregas, programadas para duas vezes por semana. Os encontros de bordado passaram do banquinho para videoconferências. Até a nova vitrine da loja, com quadros da artista Liliane Coelho, que trabalha com tecidos, virou exposição virtual. As peças estão disponíveis para venda.
 
No momento, Patrícia planeja a reabertura da loja, prevista para o próximo mês. Ela diz que está numa fase de repensar o negócio e o jeito de trabalhar. “São muitas ideias, mas ainda não sei qual “vou implementar. Com certeza”, vamos manter a essência da loja. Não podemos perder o espírito afetivo e do carinho.” Um dos projetos é lançar uma loja virtual para expandir as vendas para o Brasil todo.


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