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Estado de Minas ENTREVISTA

A pandemia vem nos ensinar a ser feliz e viver em comunidade, diz consultora de feng shui

Katia Gonzalez explica que estamos entrando na era de aquário, em que o mais importante é ser feliz, e não ter posses ou títulos


02/08/2020 04:00 - atualizado 02/08/2020 11:24

(foto: Ilana Lansky/Divulgação)
(foto: Ilana Lansky/Divulgação)

Guru, benzedeira, pé de coelho, fada madrinha. Nomes pelos quais Katia Gonzalez, de 63 anos, é carinhosamente chamada pelos clientes, incluindo empresários, executivos e celebridades. Mas ela não se apega a nenhum deles, se diz uma pessoal comum. Depois da nossa conversa, posso dizer que nem tanto. Katia é uma pessoa muito intuitiva, curiosa, com sensibilidade acima da média, que estuda os astros, se interessa por todas as religiões. Atualmente, trabalha para equilibrar a energia do corpo (trabalhando com chakras) e dos ambientes (como consultora de feng shui). Certa de que temos tudo para ser feliz, ela criou a #TáFácilSerFelizCâmbio, como forma de motivação para alcançar a felicidade. De casa, ela se dedica a atendimentos on-line e encontra mais tempo para recarregas as suas energias.
 
Como você se define?
Já fui de tudo na vida. Coroinha, campeã de natação, professora primária, secretária bilíngue (sem falar nenhuma língua), apresentadora de TV, produtora de moda. Nos últimos 30 anos, me encontro como terapeuta corporal e consultora de feng shui. Tenho alguns apelidos, como guru, benzedeira, pé de coelho, fada madrinha, mas no fundo não é nada disso. Sou uma pessoa normal.

Na sua visão, o que a pandemia vem nos ensinar?
Ficou insustentável o modo como estávamos vivendo. Abusos contra o planeta, a sociedade de consumo, ninguém estava satisfeito interiormente. A gente vivia prestando atenção em ter coisas, agora, depois do coronavírus, o importante é ser feliz. Neste momento, descobrimos que somos um só. Se não nos unirmos, não vamos conseguir mudar esta história. Temos que prestar atenção no resto que está em desigualdade, trabalhar este lado esquecido, que é viver em comunidade, olhar para o lado. Não é só doar cesta de Natal, é um caminhar constante. O coronavírus veio tão silencioso e o antídoto é o amor, ficar em casa. Não é só olhar o que é bom para mim. O coronavírus é um prêmio, veio coroar este momento em que renascemos para compartilhar. Ele iguala todo mundo. Não adianta ter o melhor cartão de crédito do mundo. Se o vírus te pegar, você corre o risco, como todos os outros, de desaparecer do planeta. Todo mundo virou título, sou CEO, estudei em Harvard, e de repente o curso mais chique em Harvard é como achar a felicidade. O coronavírus coloca máscara na boca para falarmos menos, o momento é de ouvir e enxergar mais. Até que enfim vamos olhar para os olhos das pessoas, o olho é a nossa alma. Temos também a oportunidade de mudar tudo o que fazíamos contra a nossa vontade. Até aqui éramos marionetes de um sistema monetário. Nós vamos renascer numa nova era e, para entrar nesta nova era, temos que saber quem somos e o que queremos.

Fale mais sobre a mudança de era
Vínhamos da era de peixes, que trouxe muita culpa, muito medo. A igreja nos fez acreditar que existia bem e mal. Todo mundo se perdeu e foi ficando longe do amor. Estava previsto que chegaríamos à era de aquário. Era o meu sonho chegar aonde tudo ia ser paz e amor, como os hippies cantavam, se despir do ter objetos para ser feliz. Para mim, a mudança de era veio quando atingiram as Torres Gêmeas, foi o marco. Pensei: isso vai mexer com a estrutura monetária, vai mexer com o planeta e a humanidade vai ter que mudar. A pandemia veio coroar a era de paz e amor. Vamos ser felizes, colher o que plantamos. Não precisamos ter medo, vamos abraçar a prosperidade, o livre-arbítrio para ser leve. Estamos renascendo e vamos colher tudo o que é bom, sem culpa e sem pecado.
 
Você fala em Deus, astros, signos. Como define a sua espiritualidade?
Fui batizada, sou católica, mas me defino como uma curiosa. Transito em qualquer religião. Falo que tenho um sócio majoritário, que é Deus, que me dá toda informação que preciso. Quando me calo e escuto o meu coração, quando olho para dentro de mim, tenho clara certeza de que sou parte da natureza. Não sou sobrenome ou conta bancária, isso me dá paz de espírito. Não temos que ficar brigando por religião, todas falam em defesa da vida. Não importa se é católico, judeu, batista, cada um dá o nome que quiser. Gosto de Buda e ele falou uma coisa que sempre guardo: “nada vai embora sem nos ensinar o que precisamos saber”. Vou citar também um salmo que adoro e no qual sempre acreditei: “você comerá do fruto do seu trabalho, e será feliz e próspero”. Vamos embora que tá fácil ser feliz.

Como surgiu a ideia da #TáFácilSerFelizCâmbio?
Sou uma pessoa muito feliz e sempre achei muito fácil ser feliz. Queria ter tido um consultório de terapia do riso, porque só me conecto com a parte feliz da vida. Sempre acreditei que, desde a hora em que abrimos os olhos, temos todas as possibilidades de ser feliz. Podemos escolher o que queremos colocar para dentro. Independentemente de ver pessoas nos hospitais, perder amigos, tudo está servindo para repensar. Estamos passando perrengue, mas vamos colher o que plantamos.

Em que consiste a consultoria de feng shui?
Muita gente acha que feng shui tem a ver com espiritualidade, mas é uma técnica. Descobri que o que fazia no corpo, trabalhando os chakras, podia fazer nas casas, então estudei para casar a energia da pessoa com a do ambiente. Há mais de 2,5 mil anos, os orientais chegaram à conclusão de que devemos prestar mais atenção na energia do que nos objetos. Então, feng shui é uma acupuntura que fazemos no espaço para equilibrar as energias. São nove áreas da vida que temos que identificar no ambiente em que vivemos e trabalhamos. Podemos ativar fama, prosperidade, relacionamento, família, saúde, tudo de acordo com o momento que a pessoa está vivendo.

Quais dicas podem valer para todo mundo? 
Você tem que tomar muito cuidado com a última coisa que vê quando deita na cama e a primeira coisa que olha na hora em que acorda. Não dá para abrir o olho e ver um objeto quebrado. Temos que estimular memórias felizes. Comecei a observar algo louco, que todas as casas eram iguais, não tinham uma foto. Vamos abrir as gavetas, cadê a sua história, o que juntou na vida, o que trouxe de viagens, põe tudo para fora. No campo da espiritualidade, vale tudo: Bíblia, olho grego, Torá, fitinha do Senhor do Bonfim. Outra dica: tirem os blecautes do quarto. Temos um blecaute natural, que são as pálpebras. Quando você coloca blecaute, se despluga do planeta, não vê o sol nascer. Automaticamente, começa a tomar remédio para dormir e fala que tem insônia. Quando clareia o dia, a gente desperta e está no ápice da energia. Quando vai chegando a noite, o organismo é tão perfeito que produz melatonina. O certo seria se recolher e dormir, mas ninguém faz isso. Você fica na frente do telefone, computador e o organismo entende que ainda é dia, ele te acende e não acha que é hora de dormir. Não fique com a TV passando notícia de pandemia. Tem que se informar, mas, se ficar o tempo todo ouvindo falar de tantas mortes, vai introjetando e ficando melancólico. Aproveite para juntar a família e dançar, ou jogar baralho. Outra dica boa e fácil de resolver dentro de casa é tirar as plantas que enrolam. Neste momento, não devemos ter nada que cresça enrolando, agarrando, pisando para ficar mais bonito. Temos que ter plantas que crescem para cima, que busquem luz. O copo de leite que tem formato de ouvido, o alecrim que traz o anjo da guarda. Também não é época de ter cactos. Cacto não precisa de água, sol e ainda tem espinho. No ambiente onde tem cacto, as pessoas começam a se espetar, ele tem uma energia que gera disputa.

Como a pandemia impactou o seu trabalho?
Estou exercitando o on-line. Neste momento, é impossível o atendimento em consultório para fazer alinhamento de chakra com a energia das pessoas, mas conversamos e vamos pontuando. Feng shui, por incrível que pareça, parece estar muito mais eficiente. Acaba que no on-line as pessoas têm que ter domínio da casa delas, tem que entender a planta baixa. Olho no olho dela, não tem nada em volta para distrair. Descobri que viajar todo dia não era tão necessário. Meu trabalho pode ser mais assertivo pelo on-line, não é doido isso? Cada dia estava num lugar, dormia às 23h e acordava às 3h para pegar um voo, a minha vida era uma loucura. Há 30 anos entro na casa das pessoas, participo de compra e venda de loja, monto e desmonto sociedade. Descobri que tudo isso posso fazer daqui de casa. Moro no meio de uma cachoeira e onde estou sou muito mais intuitiva. Estou mais recarregada energeticamente do que na época em que ficava correndo. Os clientes me tinham fisicamente, mas não dava tempo de me recarregar. A pandemia está me ensinando a ficar em casa e recarregar as energias.

Como você atende celebridades e grandes empresas, há quem pense que o seu trabalho seja inacessível. Isso é verdade?
Não existe exclusividade no meu trabalho com feng shui, o meu preço é fixo. Atendo qualquer cliente, desde que ele esteja aberto. Mas tenho duas prioridades, uma é o Grupo Ânima. Trabalho com eles há 17 anos. O que me seduziu é que eles tinham a meta de transformar o país pela educação, isso me pegou, é um propósito muito bacana. Estou trabalhando no projeto da Singularity, uma faculdade do Vale do Silício que estão trazendo para São Paulo. É uma grande novidade do ano que vem. Faço o alinhamento do feng shui com o projeto de arquitetura, igual fiz quando eles abriram a Le Cordon Bleu. Outra prioridade é o Nizan Guanaes. Faço tudo na agência de propaganda Africa. Meu trabalho é feito por indicação, não faço propaganda. Tudo o que dá certo a pessoa indica para o melhor amigo, e isso não tem fim. Por isso, a pandemia me ajudou, vou ter mais tempo de ajudar as pessoas. Estava perdendo seis horas do meu dia em aeroporto, táxi, conexão.

Como você recarrega suas energias?
Tenho ligação com água, lua, sol me recarrega. Estou ligada às forças da natureza, sempre acreditei nisso. Moro no meio da mata, de frente para a cachoeira, por isso digo que aqui é o meu hospital energético. Sou muito privilegiada.. Meu quarto é cheio de mapas. Quando olho para os mapas, percebo o tamanho desse mundo e a quantidade de gente que não conheço que está por aí.

Quem você gostaria de conhecer pessoalmente?
Quem gostaria de conhecer já conheci. Primeiro Deus. Era uma menina criativa e os meus pais sempre me deram força para ser quem eu era. Morava no Bairro Santo Antônio e lembro que um dia, devia ter sete anos, no quintal de casa, tive uma resposta de energia e nunca mais questionei de onde vinha tamanha intuição. Tive a garantia de que poderia ser feliz, que não ia ter dinheiro, mas nada me faltaria, que ia conhecer o mundo. O que mais amo é viajar. Outra pessoa que queria conhecer era o Dalai Lama. Consegui ingresso para ir a uma palestra dele em São Paulo, sentei lá na frente e peguei na mão dele. Acabou que, não só conheci o Dalai Lama, como, seis meses depois, estava em um monastério no Himalaia. Sou uma pessoa de muita sorte, as coisas vêm na minha direção. Tudo o que quero é só pedir para o meu sócio majoritário. Dou a ele o nome de Deus, mas dê o nome que quiser.

O que você ainda espera da vida?
Acho que estou vivendo o melhor tempo da minha vida. Tudo o que eu queria era viver na era de aquário, de pensar no outro, de igualdade, de ser mais feliz. Sou privilegiada de ter uma filha que mora comigo e estamos juntas na quarentena, olha que luxo. Temos afinidade e respeito pelas diferenças. Estou no meio da mata, trabalhando com energia e com a minha filha do lado. Ou seja, onde há luz nunca vai ter lugar para as sombras. Agora estou estudando física quântica.

Você acredita mesmo que as pessoas vão mudar com a pandemia?
Acredito que está fácil ser feliz, mas não foi 100% da humanidade que percebeu a grandeza desse coronavírus. Deixo o alerta de que vem alguma coisa por aí para fazer o ser humano dobrar o joelho. Vamos ter um susto, uma coisinha para acabarmos de entrar na era de aquário. Acompanho pessoas que estudam o céu, a Bíblia fala que pode ser um meteoro. Vamos dar adeus ao passado, não tem jeito. As máscaras vão cair, mas isso é muito positivo, porque ninguém estava feliz. Acredito, do fundo do meu coração, que vamos ser mais felizes quando começarmos a amar as diferenças, descobrir que não fazemos nada sozinho, voltarmos a viver em comunidade, em vez de intoxicar a mente com consumo.


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