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Estado de Minas ENTREVISTA/CÍNTIA MUNDIM - 49 ANOS, MÉDICA CIRURGIÃ PLÁSTICA

Amor pela profissão

A medicina foi escolhida na infância, e com foco, determinação e muito estudo conquistou o que queria


postado em 23/02/2020 04:00 / atualizado em 21/02/2020 12:46

(foto: Thyago Rodrigues/divulgação)
(foto: Thyago Rodrigues/divulgação)
 

Desde que nasceu, a cirurgiã plástica Cíntia Mundim já sabeia que queria ser médica. Nunca teve dúvida sobre isso, e por causa de um acidente com seu pé, decidiu que seria cirurgiã, mas só no último ano de residência, por causa do tratamento de um paciente, ela decidiu que seria cirurgiã plástica. Apesar de ter nascido em São Paulo, cresceu em Belo Horizonte, onde se graduou na UFMG e fez pós-graduação e residência. Hoje, atende tanto aqui quanto na capital paulista e faz um trabalho preventivo de beleza, dentro do conceito inovador de  Beautification, usando técnicas avançadas que retardam a necessidade da cirurgia plástica em si.
 
Onde você nasceu e passou a infância e a adolescência?
Apesar de toda a minha família materna e paterna ser mineira, nasci em São Paulo, capital, por motivos de trabalho do meu pai. Aos 7 anos nos mudamos definitivamente para Belo Horizonte. Por isso, me considero uma mineira-paulista, o que de certa forma influenciou na minha carreira, já que hoje tenho uma clínica aqui e também atendo em São Paulo, para onde tenho ido cada vez com mais frequência. Assim, consigo dar a mesma atenção aos meus pacientes mineiros e paulistanos.

O que a levou a ser médica ? Quando você decidiu que queria ser médica?
Acho que nasci com esse desejo, algo de antes de eu existir. Minha mãe conta que desde pequenininha eu afirmava que queria ser médica. Depois, por volta dos 8 anos, tive uma pequena lesão no pé que precisou ser drenada por um cirurgião. Desde então, decidi que queria ser cirurgiã. Nunca mudei de ideia. Nunca quis ser atriz, aeromoça, bailarina, professora ou qualquer outra profissão que as crianças adoram. Nunca nem sequer passou pela minha cabeça ter outra profissão.

Quais os principais desafios que encontrou na profissão?
Ser cirurgiã é enfrentar um desafio atrás do outro. Definitivamente, não existe mesmice na minha especialidade. Para toda cirurgia ou procedimento existe uma técnica, uma formação e uma capacitação próprias. Entretanto, cada corpo humano é único, portanto, cada cirurgia é um desafio. E acho que é isso o que me motiva tanto. Mas talvez o maior desafio tenha sido conciliar a maternidade com a profissão. Meus dois filhos foram gestados enquanto eu era residente. Minha filha Bruna nasceu durante o primeiro ano da residência em cirurgia geral, em que eu tinha uma carga horária de trabalho sobre-humana – como são as cargas horárias das residências de cirurgia em geral. Então, foi um período de muito esforço, em todos os sentidos. Quantos fins de semana, feriados e datas festivas ela passava no quarto de plantão do hospital com o pai, esperando eu ter uma brecha para poder ficar um pouquinho com ela. Foi muito difícil lidar com o cansaço de uma filha pequena e de um trabalho tão pesado, além de uma necessidade enorme de me dedicar aos estudos. Época de residência é uma época que requer muita dedicação. Tive que aprender a lidar com a culpa – sobrenome de todas as mães –, aprendi a dormir apenas quatro, cinco horas por noite. Se eu não estava operando, estava cuidando de bebê ou então estudando. Já com meu filho foi bem mais planejado. Engravidei no fim do último ano de cirurgia plástica, então consegui ter um tempo maior para cuidar dele, quando nasceu. Mas nas duas gestações eu operei até no dia anterior ao nascimento de cada um. Eu realmente não escolhi entre ser mãe ou cirurgiã. Eu decidi que seria as duas coisas, mesmo que fosse muito difícil. Sabia que ia conseguir. E deu certo. Fiz a residência em cirurgia geral no hospital da Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg), onde eu desejava. Depois de dois anos, quando a Bruna tinha um ano, estudei muito e passei na residência em cirurgia plástica no Hospital das Clínicas, que também era o meu objetivo.
 

"Beautification é usar tratamentos eficazes de prevenção e correção que entreguem beleza com naturalidade, respeitando a individualidade de cada um"

 

Você é bem focada, determinada e pelo visto bastante estudiosa.
Sou sim, tanto que desde pequena já sabia minha profissão e nunca desviei do meu propósito. Terminada a residência, para receber o título de especialista em cirurgia plástica os residentes se submetem a uma prova da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que testa todos os seus co- nhecimentos. Nessa prova fui aprovada em primeiro lugar de Minas Gerais. Na época, recebi o prêmio com uma barriga de nove meses e carregando minha filha de quatro anos no colo. Foi muito emocionante e rendeu muito assunto sobre a capacidade das mulheres de exercerem todos os papéis ao mesmo tempo, porque na época não era muito comum formarem cirurgiãs mulheres, ainda mais grávidas e com filhos pequenos.

O que a levou para a cirurgia plástica?
Eu queria ser cirurgiã,  nunca tive dúvidas sobre isso. Estava fazendo residência em cirurgia geral, sem saber direito em que me especializar. Na época, pensava em cirurgia cardíaca, mas sem convicção. Dizem que quando você acha o quer fazer, seu coração avisa, e comigo foi assim. Durante a residência em cirurgia geral, eu atendi junto a um preceptor – chefe de residência – um paciente com uma hérnia incisional gigante. O paciente usava uma espécie de suspensório contendo a hérnia e a barriga, que se dependurava até o joelho. Eu me interessei pelo caso e o meu preceptor se dispôs a operá-lo junto comigo. Terminada a cirurgia, a hérnia foi tratada, mas a barriga caída permanecia lá. Olhei na maior frustração para ele e perguntei: "Acabou? Vamos deixar essa barrigona aí?". Ele riu e falou: "Sim, nossa parte acabou. Se ele quiser ficar sem a pele, tem que ser através de uma cirurgia plástica". No pós-operatório, eu senti a frustração do paciente com a permanência da barriga caída e lhe perguntei se ele gostaria de fazer a plástica. Ele disse que sim. Então, procurei os residentes de cirurgia plástica do hospital e encaminhei o caso. Pedi permissão e assisti à cirurgia. Pronto. Naquele momento me encantei, me apaixonei e tive certeza de que era aquilo que eu queria fazer. Como se não bastasse a maravilha da técnica cirúrgica, eu também me encantei pela evolução do pós-operatório e, principalmente, pela felicidade que gerou no meu paciente. Sabia ali para o quê tinha nascido. Hoje, olhando pra trás, não consigo entender como nunca tinha pensado nisso antes. Olhe só, sempre fui uma criança trabalhadora e empreendedora. Eu e meu irmão já tivemos uma pizzaria, vendíamos as pizzas para os vizinhos do Bairro São Bento, onde morávamos. Depois a pizzaria fechou e eu abri uma empresa de reforma de bonecas. Pegava as bonecas velhas e quebradas da vizinhança, cobrava alguns centavos e as reformava. Passava esmalte vermelho na boca, colava braços e pernas, lavava cabelos. Enfim, já criança eu fazia uma verdadeira plástica nas bonecas.

Como você equilibra sua carreira com a vida pessoal e familiar?
Hoje, eu controlo meus horários. Há 11 anos eu só trabalho para mim. Mas confesso que trabalho muito, normalmente cinco a seis dias por semana. Em algumas épocas de maior movimento, trabalho sete dias por semana, uma média de 10 horas por dia. Mas sempre dou um jeito de curtir a minha família à noite e nos dias de folga. Meus filhos foram criados assim e hoje são eles que preparam meu jantar quando chego muito tarde. Principalmente o Thiago, que, ao contrário de mim, é um gourmand. Meu marido, André Giannini, também é médico, cirurgião plástico, então entende essa rotina acelerada perfeitamente. Sou adepta do ditado de que na convivência vale muito mais a qualidade do que a quantidade. Procuro viajar duas vezes por ano com a família toda e uma vez por ano só com meu marido.

Quem são suas fontes de inspiração na vida profissional e pessoal?
Inspiro-me em mulheres fortes e guerreiras. Inspiro-me nos grandes médicos, independentemente do sexo. Inspiro-me nas pessoas de bem.

Algum dos seus filhos decidiu seguir seu caminho?
Sim, minha filha. Isso me deixou extremamente feliz. Como disse, toda mãe carrega culpa. Eu sei que meus filhos tiveram que me dividir com a medicina. Vê-la trilhando o mesmo caminho que eu, além de me deixar muito orgulhosa me deu uma certa paz de espírito. Tive a sensação de que, apesar de todas as faltas, consegui fazer com que eles me respeitassem e admirassem. A sensação de os pais servirem de inspiração aos filhos é maravi- lhosa. Bruna já me acompanha em algumas cirurgias e vem treinando seus pontinhos e nós de cirurgiã com muita habilidade.

Hoje existem muitos recursos antes de recorrer à cirurgia plástica. Realmente são resultado?
Existem sim, e temos que recorrer a eles, porque fazem a dife- rença. É uma tendência que chamamos de Beautification.

Explique isso melhor.
Beautification significa embelezar apesar de estar envelhecendo. Definitivamente, o conceito de envelhecer mudou muito no século 21. Hoje em dia, é perfeitamente possível envelhecer e continuar linda. A medicina e a tecnologia alcançaram o tempo. Isso é simplesmente fascinante. Eu brinco que é aquela sensação deliciosa de encontrar uma pessoa que não vê você há muito tempo e ouvir dela: ‘Nossa, como você está bonita! O que você faz para parecer assim cada dia mais jovem?’. E você responde: ‘Tudo!’. Hoje é possível perceber que toda idade tem a sua beleza. Beautification é usar tratamentos eficazes de prevenção e correção que entreguem beleza com naturalidade, respeitando a individualidade de cada um.

Acredita que esse conceito se estabeleceu porque as pessoas maduras se cansaram da cobrança e pressão para aparentar uma idade 30 anos mais jovem?
Não. Acho que o conceito de beleza finalmente mudou. Eu digo que este é o século em que a idade foi desvinculada definitivamente da beleza. Antigamente, beleza era sinônimo de juventude. Hoje, o que vemos é que com os cuidados certos é possível envelhecer lindíssima e, o melhor de tudo, cheia de saúde. É a libertação do envelhecer. É ficar com os pontos positivos do envelhecimento, como a maturidade, a confiança em si mesmo, a sabedoria, a independência financeira, e tratar os sinais negativos do envelhecimento com procedimentos, tecnologias, cirurgias e bons hábitos. O melhor disso é que o tratamento é aessível a todos, financeiramente. Qualquer pessoa que quiser fazer consegue se programar, porque algumas aplicações são feitas uma vez por ano.

Quais são os recursos utilizados para isso?
Para tratar os sinais negativos do envelhecimento precisamos entender o processo de envelhecimento do ser humano. Todo mundo já sabe que a partir dos 35 anos paramos de produzir colágeno, que é uma proteína que confere viço, elasticidade e firmeza à pele. Ao longo da vida, fazemos uma reserva desta proteína, que dura mais ou menos 10 anos. Por isso, percebemos um aceleramento no processo de envelhecimento após os 40 anos, quando já não acontece mais a produção e esgota-se a reserva. Também sofremos um processo de reabsorção óssea, o que nos faz perder a sustentação dos tecidos moles da face, e ainda perdemos também ácido hialurônico, que serve para preencher todos os tecidos do rosto. Isso tudo favorece o aparecimento das rugas, sulcos e as quedas dos tecidos, que sofrem cada vez mais com a gravidade. Além disso, nossa musculatura facial vai ficando mais forte na região frontal (testa), fazendo rugas dinâmicas que aparecem quando falamos. E mais flácida em todo o resto do rosto, favorecendo mais ainda a queda dos tecidos. Para cada um desses problemas existem tratamentos específicos. Os tratamentos considerados padrão ouro, ou seja, os melhores, que são cientificamente comprovados, são os bioestimuladores injetáveis de colágeno, ultrassom microfocado, MD Codes e preenchimentos. Mas é importante ressaltar que todas as esferas do envelhecimento devem ser tratadas para que se tenha um resultado global. A avaliação individual é extremamente importante, pois algumas pessoas têm perdas maiores em um ou outro segmento. Mas normalmente o processo de envelhecimento engloba todas as perdas acima mencionadas. Para recuperar o colágeno existem os bioestimuladores injetáveis de colágeno e o ultrassom microfocado. O ultrassom microfocado é uma tecnologia de ponta que faz uma contração na musculatura flácida do rosto e do pescoço e ainda estimula a produção de colágeno. Esses dois tratamentos agem em sinergia quando feitos juntos, ou seja, um potencializa o outro. Particularmente, gosto muito do Sculptra associado ao Ultraformer. Acho os resultados extremante eficazes, e o melhor, podem ser feitos apenas uma vez ao ano.

Tem jeito de recuperar o osso?
Para a reposição óssea, foi desenvolvida uma técnica que se chama MD Codes. Não é possível repor o osso propriamente dito. Mas é possível refazer os contornos ósseos e os pilares de sustentação utilizando ácidos hialurônicos de alta coesividade através dessa técnica. As perdas de ácido hialurônico são repostas através do uso de preenchedores de ácido hialurônico biocompatíveis. A associação das técnicas de MD Codes e preenchimentos é o que popularmente vem sendo chamado de harmonização facial. Acho mais adequado o termo reestruturação facial.

O botox continua como um ótimo recurso?
A modulação da musculatura móvel da região frontal, lateral dos olhos (pés de galinha) e glabela (região entre as sobrancelhas) trata-se com aplicação de toxina botulínica. Mas ressalto a importância de uma avaliação médica competente. Preocupa-me a banalização desses procedimentos, que quando mal feitos ou mal indicados podem causar graves sequelas estéticas e funcionais. Todos esses tratamentos têm um valor preventivo e terapêutico, ou seja, agem nas mulheres mais jovens, desacelerando o processo de envelhecimento e conferindo beleza. E terapêutico quando eles são usados para tratar os sinais do envelhecimento que a paciente já tem e, consequentemente, conferir beleza.

E o pescoço? Tem tratamento preventivo?
A única coisa no mundo que funciona para flacidez do pescoço é o Ultraformer, mesmo assim, não é satisfatório. A derme do pescoço é a mais fina do corpo, igual a do interior da coxa e do interior do braço. É muito fina e flácida, e responde mal a quase tudo. Nesse caso, só mesmo a ritidoplastia cervical (cirurgia). Quando vem essas clientes jovens na casa dos 50 anos que o rosto está muito bom, mas o pescoça já está mais marcado, opero só o pescoço e faço os demais procedimentos no rosto. O resultado fica excelente.

Em quais casos não é possível recorrer a procedimentos minimamente invasivos?
Está aí uma importante questão. Os procedimentos minimamente invasivos e tecnológicos são ineficazes quando já existe um grande excesso de pele a ser tratado e uma grande flacidez muscular. Nesses casos, a cirurgia é imperativa. Tentar resolver casos assim sem o bisturi resulta naquelas faces deformadas que, infelizmente, vemos por aí. 


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