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Estado de Minas DESIGNER

Jovem formado na Itália abre joalheria em Belo Horizonte e movimenta mercado mineiro

Nova coleção de Felipe Gomes é inspirada em borboletas


postado em 15/12/2019 04:00 / atualizado em 13/12/2019 15:59

Brinco é inspirado no movimento da dança flamenca(foto: Osvaldo Castro/Divulgação)
Brinco é inspirado no movimento da dança flamenca (foto: Osvaldo Castro/Divulgação)


Ele estudou na Itália e trabalhou para grandes marcas, como a Cartier, mas escolheu abrir sua joalheria em Belo Horizonte. “O Brasil tem um mercado mais jovem, que aceita novidades com mais facilidade”, justifica Felipe Gomes, que mostrou ousadia ao abrir, há sete meses, uma loja de rua, na Savassi, para ficar bem próximo dos clientes. O mineiro usa pedras preciosas, em especial o diamante, para criar peças exuberantes, que chamam a atenção pelo brilho, cores e formas.

A paixão por joias vem de muito cedo. Felipe nasceu em Teófilo Otoni, no Vale do Jequitinhonha, conhecida como a capital mundial das pedras preciosas. Aos 18 anos, ele decidiu ir para a Itália e escolheu morar em uma cidade igualmente importante no setor joalheiro. Praticamente todo a economia de Valenza, na região do Piemonte, gira em torno da produção de joias.
 
Foi na Itália que o jovem mineiro se envolveu profissionalmente com a área. Fez curso básico de gemologia (estudo das pedras preciosas) em Turim e depois se candidatou a uma vaga na conceituada escola de joalheria For.Al, antigo Instituto Vincenzo Melchiorre, que tradicionalmente forma grandes joalheiros artesãos da Europa. “Existe um teste de aptidão, porque todos os alunos ganham bolsa da União Europeia, então já ter uma formação básica me permitiu ser aceito”, conta. O curso, com duração de três anos e meio, é considerado a faculdade do joalheiro.
 
Anel da coleção Pavão(foto: Osvaldo Castro/Divulgação)
Anel da coleção Pavão (foto: Osvaldo Castro/Divulgação)
 
 
Logo que se formou, Felipe foi convidado para trabalhar em uma grande indústria em Turim. Na época, a francesa Cartier transferia 60% da sua produção para a Itália, com o objetivo de pegar carona no selo “made in Italy”, muito reconhecido no mercado da moda. “A Cartier tinha desenvolvido um sistema novo de trabalho, só que até então não encontrava profissionais aptos na Itália. Então, financiou um curso com jovens para ensinar esse método. Quem fosse aprovado, seria contratado”, explica.

O mineiro garantiu sua vaga e trabalhou por três anos e meio para a Cartier. A função dele era cravar as pedras nas joias usando microscópio, uma arte que exige bastante habilidade. “Antigamente, faziam a olho nu, mas começaram a trabalhar com microscópio para ganhar em qua- lidade. É como se fosse um cientista”, compara. Felipe também fazia a separação das pedras preciosas, aproveitando a sua formação em gemologia. Lá, 90% das pedras eram diamantes.
 
Anel em ouro branco, diamantes e citrino(foto: Osvaldo Castro/Divulgação)
Anel em ouro branco, diamantes e citrino (foto: Osvaldo Castro/Divulgação)
 
 
Mais que trabalho, o tempo na indústria da Cartier foi uma escola. “Aprendi a dar valor e ter paixão pelo que faço. O italiano é apaixonado pela profissão e o joalheiro, então, tem uma paixão especial pelo ofício, que chega a ser doentia. Se não atinge o nível de perfeição, se sente deprimido.” A indústria chegou a fazer serviços para Tiffany e Bulgari, mas acabou sendo comprada pela Cartier.

Felipe tinha a oportunidade de continuar na Itália, mas preferiu voltar ao Brasil. “Sempre tive um lado empreendedor aguçado e o meu sonho era abrir a minha própria empresa. Dentro da Itália é praticamente impossível, como competir com grandes como Cartier?”, aponta. Inicialmente, o plano era comercializar pedras preciosas. O jovem trabalhou por dois anos na Manoel Bernardes e chegou a fornecer ouro para a indústria antes de decidir entrar para o mercado como joalheiro.
 
Hoje, o mineiro conta com uma rede de colaboradores que produzem as peças, mas todo o trabalho de criação é dele. “Sou fascinado pelo processo de produção. Gosto de projetar uma joia e selecionar pedras de qua- lidade. Pensar naquilo como sonho e ver se tornar realidade é maravilhoso.”

Por ter formação europeia, Felipe sempre privilegia os diamantes. Mas ele também usa outras pedras preciosas, como rubis, safiras, esmeraldas (“beleza que me encanta”) e tanzanitas (“muda de cor dependendo do ponto para onde se olha”). Até porque, a diversidade de pedras e cores numa única peça está em alta. “Saímos de peças só com ouro e começamos a ver muitas joias coloridas”, observa.

BORBOLETAS A última coleção, Le Farfalle, é inspirada na natureza e coloca as borboletas como protagonistas. Felipe diz que escolheu esse tema por ser leve e atemporal. “Não gosto tanto de peças estáticas. Prefiro aquelas em que você bate o olho e enxerga realismo e também preciosidade”, diz. Um bom exemplo é o anel com aro todo cravejado e três borboletas – uma de ouro amarelo com safiras amarelas, uma de ouro branco com diamantes, e outra de ouro rosé com safiras rosas. No dedo, o metal não aparece, então parece que as borboletas estão voando, cada uma numa direção.
 
O criador tem um carinho especial pelo bracelete, que demorou três meses para ficar pronto. “A cada dia que olho fico mais apaixonado. É uma das peças mais bonitas e sensuais que já fiz”, opina. O bracelete, que exibe duas borboletas e uma flor, tem 320 pedras cravejadas, entre diamantes, esmeraldas, safiras e rubis. Custa em torno de R$ 20 mil. Outro destaque é o brinco pendente com uma corrente de brilhantes. Em uma ponta, uma borboleta cravejada com safiras rosas e diamantes. Na outra, borboletas em ouro amarelo com bastante brilho.
 
Vem da coleção anterior, Flamenca, inspirada no movimento da dança espanhola, a peça mais vendida da marca: um brinco em ouro rosé com pérolas rosas e espinélios. Da coleção Pavão, destaca-se o anel que faz referência à cauda aberta da ave.
 
Com um DNA inovador, Felipe quer surpreender os seus conterrâneos. “A joalheria mineira está acostumada a fazer sempre a mesma coisa. Tenho uma ousadia muito grande de investir tempo e dinheiro em algo fora do padrão, mas existe, sim, mercado. As pessoas estão buscando algo diferente”, analisa. Isso não significa deixar os clássicos de fora. O anel solitário em ouro branco com diamante, com um estilo mais tradicional, está entre as peças mais vendidas da marca.

Para o ano que vem, o plano de Felipe é abrir uma segunda loja, em Nova Lima.


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