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Estado de Minas

A hora e a vez dos calçados

A maior feira calçadista do país, para o lançamento de inverno, movimenta o segmento


postado em 13/01/2019 05:06

Debora Germani(foto: Leca novo/divulgação)
Debora Germani (foto: Leca novo/divulgação)



Todos os fabricantes mineiros de calçados reconhecem a importância da Couromoda para o setor, e todos eles também concordam que a feira é direcionada para grandes produtores. A prova disso é que a única marca que produz em Minas Gerais que participa do empreendimento é a Luiza Barcelos. As outras marcam presença, porém na paralela TM Fashion.

LOCOMOTIVA Para o presidente do Sindicalçados de Minas Gerais, Jânio Gomes, a Couromoda é a locomotiva do inverno. “O segmento de calçados vive em função de feiras. A Couromoda e a Francal – a feira do verão –, estão marcadas no calendário TOP do setor. Todos os grandes produtores de calçados do país participam dessas feiras, porém, muitos produtores não conseguem participar por dois motivos: não tem volume de produção suficiente para atender aos altos pedidos e nem capital para arcar com o custo dessas mega feiras. Isso fez com que surgisse a TM Fashion, uma feira paralela voltada para os produtores menores, de um segmento premium. Foi com o apoio do sindicato e deu muito certo”, diz Jânio.

GRANDE Luiza Barcelos começou sua participação em feiras na capital paulista também na TM. A empresa que foi fundada pela matriarca Dorinha, cresceu depois que os filhos Luis Raul, Luiza e Rosa assumiram o controle. Isso não significa que a empresa, não fosse grande, estável e nem que eles não trabalhassem lá. A família atuava unida, porém, o ritmo era ditado por Dorinha, que construiu uma marca sólida e estável, e foi essa implantação segura que permitiu chegar onde estão hoje.
Há alguns anos eles migraram da feira paralela para a Couromoda, que representa 42 a 45% das vendas do inverno. Segundo a estilista, que dá nome à marca, ali eles fazem o segundo lançamento de inverno – o primeiro é no Minas Trend –, e levam uma coleção mais certeira, pois já perceberam, no primeiro lançamento, o que agradou mais aos clientes. “Nosso cliente aposta mais na Couromoda, já sentiu o mercado e por isso é mais certeiro nas compras. Eles viram o preview, as tendências e já entenderam o mercado”, diz Luiza.


Além do inverno, a grife antecipa o verão, ou seja, uma coleção que transita nas tendências do que é proposto para o verão de 2020. Para o inverno deste ano, a coleção Ciclo, inspirada na pintora, designer, figurinista e cenógrafa ucraniano-francesa Sônia Delaunay (1885-1979), e no art deco, traz várias linhas, apostas de Luiza, como ela mesma diz.


Mules, que não saem mais do guarda-roupa, assim como os sapatos abotinados flatflorms e botas cowboy são os modelos que predominam na ampla coleção. Conforto é a palavra-chave. A coleção está dividida em linhas como a Royal, que traz um pouco da fantasia com o reino encantado das princesas, presente nos enfeites com pedraria aplicada sobre jeans, couro, as botas mais clássicas com cano abaixo do joelho e as botas de montaria. São modelos mais elegantes e exuberantes. O Místico, que traz os calçados tipo “bruxinha” com cores bem alternativas, como o roxo e azul forte. A Retromania surge com os calçados com decote V e saltos médios com design diferenciado. Botas cano baixo com cabedais de couro e cano em tricô bicolor dão o charme dessa tendência. O Western Safari segue a tendência mundial das botas cowboy de cano médio e os animal prints, com força nas cobras. Fechando com o Futurismo, que traz cores néon e tons metalizados com efeitos holográficos, o must have da estação.

PARALELA Tudo que é forte traz consigo mais negócios, e com a Couromoda não é diferente. Em 2007, Luciano Castro abriu, no Hotel Pestana, a TM Fashion, uma feira paralela para produtores menores, direcionada para clientes de butiques, que fazem uma compra mais seletiva, em volume menor. Se deu certo? Esta é a 21ª edição, e o que começou com calçados e bolsas hoje já está com 65 expositores entre calçados, bolsas, acessórios, bijuterias e vestuário – que começou de mansinho, há dois anos.


“A feira teve início a partir de uma demanda das marcas de segmento premium, que precisavam de um espaço para lojistas de compras mais seletivas”, explica Luciano. “Feira de pavilhão é muito difícil para este segmento, o cliente de butique prefere um local mais confortável, uma feira menor. Já existia uma outra feira paralela, mas era muito popular. Depois de um tempo ela acabou. Fundamos a TM e deu certo. O investimento do fabricante é menor e ele atende com mais conforto.”

 

Presença Mineira

 

Os principais produtores de calçados e bolsas de Belo Horizonte participam da TM Fashion desde a primeira edição. Paula Bahia é uma delas, e marca presença nas duas edições – inverno e verão –, e acha superimportante porque movimenta a fábrica.
“Participo todo ano do Minas Trend, que é mais cedo, um preview mesmo. Não sei se por ter sido logo depois das eleições, mas não foi muito bom de venda para mim. Mas as feiras, tanto o MT quando a TM Fashion, são tradicionais e importantes para o setor”, diz Bahia, que vai levar a mesma coleção apresentada em Minas, com pequenas alterações.
“Nosso DNA está presente nos modelos e a cartela de cores traz o verde-militar, o violeta, que foi a cor da Pantone de 2018, e o mostarda. O tênis flatform com um bico mais afinado é forte na coleção. As peças não têm muitos enfeites, e uma coleção mais limpa, e os saltos são mais grossos e se apresentam em três alturas diferentes,  o mais alto com 9cm.
Deborah Germani complementa o que lançou aqui em Minas. “São os mesmos cabedais com mais modelos. O Minas Trend é nosso lançamento oficial, mas faço mais alguns modelos para atender os clientes, porque às vezes já não posso mais vender determinados calçados, por causa do mercado. Mas os saltos e as solas são os mesmos. Nosso calçado é atemporal, nunca fiz coleção modinha”, conta, afirmando que prioriza conforto, beleza e modernidade.
A novidade de Germani para esta coleção são os saltos mais largos. “Nosso sapato é um casulo confortável que a mulher pode usar o dia todo, e sair à noite. Usamos materiais nobres, o cabedal prioriza o corte e a beleza no pé. A linha baixa é o nosso forte, se fazemos muita moda o cliente não compra. Nossa preocupação é atender ao desejo do cliente para sermos assertivas e nos manter no mercado”, diz Deborah.
Para São Paulo Júnia Gomes acrescente algumas peças e reforça o que teve mais aceitação no lançamento no Minas Trend. “O Minas Trend é o preview, como sempre Minas Gerais lança a moda, temos condição e capacidade para isso, somos vanguarda e não poderia ser diferente. Para nós, o MT é um laboratório junto ao cliente, e para São Paulo direciono a coleção dentro do que mais vendeu”, explica, afirmando que toda feira é de extrema importância para o setor, tanto para pesquisa quanto para estar à vista do seu cliente e de quem ainda não é. “Feira é vital para o fabricante”.

PRECURSORA Mônica Batista, ex-Torres, foi a precursora em calçados aqui em Minas Gerais. Com 40 anos de mercado, lançou moda com um estilo muito próprio e de vanguarda, compondo o famoso e saudoso Grupo Mineiro de Moda. Depois, se mudou para o Rio de Janeiro, onde desenvolveu coleções para importantes marcas brasileiras, fabricando os sapatos no Sul do país. Há quase três anos, retornou para Belo Horizonte e desde então desenvolve a coleção Studio Guller, para a marca de Robson Castro.


“A marca está no mercado há décadas, mas sempre fez uma linha mais básica, só de sandálias. Já estamos na quinta coleção especial com mules, calçados fechados, mocassins, oxfords, abotinados flatforms, botas. Nesta coleção desenvolvemos solados de borracha com vira colorida, o couro com detalhes em malha canelada. O mercado tem aceitado muito bem os modelos e o crescimento é significativo em termos de vendas. Este ano participaremos da TM Fashion”, explica a estilista, que não esconde a felicidade de ter voltado para casa.


“Passamos por uma crise grande no setor porque a área de exportação perdeu o mercado para a China, então se voltou para o mercado interno, porém não sabia como atuar. Conseguimos superar os problemas. Hoje, temos um grande desafio que é fazer um sapato de moda, diferente, com conforto, qualidade e preço acessível. Não tenho dúvidas de que, apesar da dificuldade, conseguiremos. Nesses 40 anos, o setor cresceu muito e estou com muita esperança em 2019”, conclui.

CONTEMPORÂNEA Filha de peixe, peixinho é. Marcela Torres, filha de Paula Bahia, cresceu vendo sua mãe criar e produzir calçados, e não deu outra, fez faculdade de moda, trabalhou com bolsas, mas foi no sapato que se encontrou. Ao lado da ex-colega Marina Lerbach, criou a Nuu Shoes e, há três anos fazem calçados modernos, esportivos, confortáveis, em couro com solado de borracha. Uma moda casual, atemporal e bem diferente. A maioria dos modelos é baixo ou flatform e quando ousam com o salto alto ficam na altura média, porque não abrem mão de oferecer conforto às clientes. O estilo é contemporâneo e bem eclético no que diz respeito à faixa etária dos usuários.


“Participo do Minas Trend e acho a Couromoda muito importante porque movimenta o setor. Não participamos de nenhuma feira fora de Belo Horizonte, somos muito novas e pequenas. Nosso nicho é o público AB e nos sentiríamos perdidas em uma feira desse porte. Nem temos capital para isso ainda”, explica Marcela, que afirma já ter visitado várias vezes tanto a Couromoda quanto a TM Fashion.


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