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Ampliando o ponto de vista

O estopim de tudo isso foi um simples pastel


postado em 09/12/2018 05:07

 

 

Temos o péssimo hábito de adotar as dores e os amores daqueles de quem mais gostamos. Conversando com uma amiga ela me contava que são poucas as pessoas com quem ela não conversa. De fato, trata-se de uma pessoa sempre muito disponível a dar um sorriso, um simples cumprimento a todo mundo, seu conhecido ou não. Ao entrar num ambiente diz olá a cada um, ao contrário de mim que muitas vezes o faço por atacado.
- De quem se trata? Perguntei curiosa para saber quem era a persona não grata.
- Aquela moça ali, respondeu.
Não perdi tempo tentando descobrir o que de tão grave a tal moça havia feito para merecer tamanha distinção negativa e logo perguntei.
- Na verdade, meu marido se sentiu prejudicado pelo marido dela.
- Só isto? Continuei.
- Você fala assim porque não foi você a prejudicada.
- Nem ela o vetor do prejuízo pelo que tudo indica, respondi.
Lembrei-me da irmã de um namorado que ficou dois anos sem conversar com ele depois de terem discutido por causa de um pastel servido no almoço de domingo em família. Como me via como uma parte dele, ficou sem conversar comigo também. Eu, que nem havia presenciado o bate-boca, por tabela passei a ser alguém a quem não se devia considerar. E o estopim de tudo isto foi um simples pastel!


Costumamos ver um casal como uno o que de todo não é um equívoco. Ao considerar os dois como sendo um, nos referimos principalmente à sintonia entre eles, capaz de permitir que vivam sob o mesmo teto e dividam muito mais que as contas e a mesma cama. O ideal é que ponto de intersecção entre seus membros seja cada vez maior, o que se espera que aconteça progressivamente, a medida em que os anos de convivência vão passando. São um enquanto casal e nesta relação não cabe mais ninguém, nem mesmo os filhos que venham a nascer desta união.


Mas também é esperado que as relações estabelecidas no entorno cresçam, que cada um ganhe amigos próprios, sejam entre colegas de trabalho, companheiros de infância ou outros grupos de interesse. Desta maneira ganha-se também desafetos. O problema de minha amiga é que ela transformou aquele casal num sistema fechado de complementação não dando espaço à individualização.


É natural que não haja espaço para uma aproximação calorosa, mas daí a se recusar a cumprir as regras básicas de educação e convivência e alimentar sentimentos ruins já é outra coisa. O problema é que nos convencemos de que ser fiel ao parceiro significa abraçar todas as causas que ele defende, independente do que pensamos. Mas sabemos que fidelidade vai além de tudo isso.


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