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Estado de Minas DESAFIOS DA SUSTENTABILIDADE

À procura de uma luz

Mudança da matriz energética é proposta em um momento de alta no consumo mundial de energia. Fontes solar e eólica ganham força no Brasil


postado em 10/06/2012 06:00 / atualizado em 07/06/2012 15:33

Para reduzir custos, Hospital João XVIII, em Belo Horizonte, faz uso de energia solar(foto: Beto Novaes/EM/DA Press)
Para reduzir custos, Hospital João XVIII, em Belo Horizonte, faz uso de energia solar (foto: Beto Novaes/EM/DA Press)

Elas já foram o patinho feio da geração de energia. Quando não havia questionamentos quanto ao uso do petróleo, eram classificadas na matriz energética brasileira como "outras fontes", tão ínfima era sua contribuição no país. Hoje, a participação ainda é pequena, mas a cada dia as energias solar e eólica (dos ventos) despertam mais a atenção do governo e também de investidores privados, como o empresário Eike Batista, que colocou em funcionamento, ano passado, em Tauá, no interior do Ceará, a primeira usina solar comercial do Brasil. Por enquanto, Tauá tem capacidade para gerar 1 megawatt, potência suficiente para abastecer 1,5 mil casas. O projeto final da usina é para 50 megawatts.

Mas, o governo brasileiro quer que a contribuição das energias solar e eólica seja maior. Para isso, há dois meses, abriu o setor elétrico à microgeração. A novidade se baseia na instalação de painéis solares em residências para geração complementar de energia elétrica. A mudança permite que o cidadão continue a consumir a energia fornecida pela distribuidora, mas o medidor de sua casa passa a contabilizar também a potência gerada pelos seus painéis solares. No fim do mês, a concessionária de energia abate da conta de luz o volume gerado pelos equipamentos do consumidor. Numa situação em que uma casa chegue a gerar energia excedente, essa potência extra será enviada para o sistema integrado nacional, ou seja, o cidadão passará a "vender" energia. Quando isso ocorrer, o consumidor terá direito a um crédito, que será abatido no consumo dos meses seguintes.

Outro tipo de energia tida como alternativa é a eólica, que somente agora começa a ganhar força no Brasil. Atualmente, a capacidade contratada de geração das usinas brasileiras é de 7 gigawatts. Desse total, 1,4 gigawatt já está em operação. O Brasil tem 71 parques geradores eólicos, em nove estados, localizados principalmente no Nordeste, onde o Ceará é o grande destaque. O estado responde por cerca de 40% da capacidade nacional instalada, que, nos últimos sete anos, aumentou 54 vezes.

Porém, em relação ao resto do mundo, o Brasil está engatinha no que se refere às fontes alternativas de energia renovável. No ranking dos maiores produtores de energia eólica, o país ocupa a 21ª posição, atrás, por exemplo, da China (maior produtor mundial), Estados Unidos, Alemanha, Espanha e Índia. Em relação à energia solar, o principal centro produtor é formado pelos países europeus, que respondem por cerca de 75% da produção mundial, ainda que não tenham o índice de insolação - quantidade de dias por ano com sol - de países tropicais como o Brasil. Os principais produtores europeus são Alemanha, Itália e República Tcheca.

FONTE
A busca desenfreada pela energia alternativa limpa é um reflexo da crise ambiental e do esforço para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases causadores do efeito estufa e do aquecimento global. Ele é produzido na queima do petróleo, que, ainda é a principal energia que move o mundo. Sem o petróleo, o planeta para. Na matriz energética brasileira, as fontes não renováveis respondem por 54,5% de toda a energia produzida no país, com destaque para o petróleo, que participa com 37% do total. Já as fontes renováveis são responsáveis por 46,5%. Os dados são do último Balanço Energético Nacional, de 2011, elaborado pelo Ministério das Minas e Energia.

Na matriz energética mundial, o petróleo continua sendo a principal fonte de energia, respondendo por 41,6% do consumo total, enquanto as fontes renováveis ficam com a apenas 12,7%, segundo o ministério. Na matriz mundial, a eletricidade supre 17,2%. Porém, diferentemente do Brasil, não se pode dizer que no resto do mundo a energia elétrica é limpa. No Brasil ela é limpa porque é proveniente, em sua quase totalidade, da força dos rios. No restante do mundo, boa parte da eletricidade é produzida com o uso do óleo combustível, que é obtido do petróleo e contribui para a produção de CO2.

O grande desafio que está colocado nos dias de hoje é que a mudança da matriz energética ocorre em um momento de alta do consumo mundial de energia. A previsão é de que até 2030 o mundo precisará de algo em torno de 35% a 40% a mais de energia do que produz hoje. O aumento da demanda é puxado principalmente pelo crescimento econômico dos países emergentes, com destaque para a China. Em 2008, o gigante asiático consumiu duas vezes e meia mais energia que em 1973, quando a economia chinesa era cinco vezes menor que a norte-americana. Hoje, a China é a segunda economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

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