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Estado de Minas

Prisões de gêmeos em Minas Gerais quebram tranquilidade do Enem 2018

Dois irmãos que faziam provas em Montes Claros e já vinham sido monitorados foram detidos sob suspeita de fraude. Foram os únicos casos no país. Taxa de abstenção é a menor desde 2009


postado em 05/11/2018 06:00 / atualizado em 05/11/2018 07:39

Dois irmãos gêmeos de 22 anos foram presos em flagrante, em Montes Claros, no Norte de Minas, suspeitos de tentar fraudar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ontem, no primeiro domingo de provas. De acordo com o delegado Dênis, da Polícia Federal, os dois acusados, que usavam ponto eletrônico, estavam sendo monitorados pela corporação. Balanço do Ministério da Educação (MEC) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostra que a edição 2018 da avaliação teve a menor taxa de ausentes desde 2009.

As duas prisões foram as únicas no país, de acordo com o ministro da Educação, Rossieli Soares, e integram um conjunto de 71 ocorrências registradas em todo o Brasil que levaram à eliminação de candidatos. O coordenador-geral de Inteligência da Polícia Federal, Dênis Cali, explicou que os suspeitos foram flagrados durante rotina de fiscalização. “Fizemos um trabalho prévio junto com o Inep, por meio do qual foi realizado o cruzamento de candidatos com o banco da PF e pessoas foram elencadas como suspeitas. Nesses dois casos, eles foram detectados”, afirmou o delegado.

Os candidatos, Marcos e Mateus R. J, foram detidos pela Polícia Militar na Escola Estadual Armênio Veloso, no Bairro de Lourdes. Um deles foi flagrado com uma fiação junto ao corpo, debaixo da camisa, e um ponto eletrônico. O outro estava com um ponto eletrônico no ouvido, além de portar duas carteiras de identidade falsa com nomes de pessoas que seriam naturais do Espírito Santo. Também foram apreendidos três telefones celulares amarrados às pernas dos candidatos. Os dois suspeitos foram encaminhados para a delegacia de plantão da Polícia Civil de Montes Claros. Ainda de acordo com Dênnis Calli, eles vão responder pelo artigo 311A do Código Penal – se utilizar de equipamento para obter vantagem em certame de curso superior.

O ministro lembrou que este ano houve aumento do número de equipamentos de detecção de metais. Dos 71 eliminados, 67 descumpriram regras gerais, como não atender orientação do fiscal de sala ou sair antes do horário da prova. “Houve uma redução grande. Antes era uma média de 150”, disse ontem. Em 32 locais de prova houve queda de energia elétrica e em dois deles as provas tiveram de ser interrompidas – Franca (SP) e Porto Nacional (TO). As provas serão aplicadas novamente em 11 e 12 de dezembro.

ABSTENÇÃO
Se o Enem 2017 foi marcado pela maior taxa de abstenção num período de sete anos (29,9%), em 2018, foi o inverso. A presidente do Inep, Maria Inês Fini, chamou a atenção para o fato de esta edição ter registrado o menor percentual dos últimos anos. Foram 24,9%, ou 1,3 milhão de participantes. Ao todo, pouco mais de 4,1 milhões de candidatos compareceram aos locais de prova – 5,5 milhões confirmaram presença no exame. Em Minas, a taxa de abstenção foi de 24,2% (141 mil faltantes). Para o ministro, isso é o reflexo das mudanças no edital, no tocante à regra de pagantes e gratuidade (quem faltar tem que justificar para manter a gratuidade para o próximo Enem).

“Esperávamos essa maior presença, afinal, desde 2016 estamos implementando ações para reduzir o número de ausentes e o gasto desnecessário do dinheiro público. Primeiro passamos a exigir mais dados dos participantes que solicitavam isenção, depois anunciamos a justificativa de ausência. Em 2018 concretizamos todo esse movimento com a criação de um período específico para solicitação de isenção da taxa de inscrição e para essa justificativa. Nesse mesmo período, ampliamos o perfil de participantes com direito a não pagar a taxa de inscrição”, explica Maria Inês. Entre 2013 e 2017, as ausências levaram a um prejuízo de quase R$ 1 bilhão aos cofres públicos. Dos mais de 2 milhões de ausentes no Enem 2017, 84% estavam isentos e apenas 4.345 (0,2%) conseguiram justificar a ausência e garantir a isenção também em 2018. (Com Luiz Ribeiro)

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