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Estado de Minas CARREIRA

Como se tornar um profissional criativo

Criatividade, assim como a inteligência, não é algo nato ou imutável. Estudos na neurociência já comprovaram que é possível desenvolver estas capacidades. Tudo depende dos desafios


postado em 07/08/2019 14:30 / atualizado em 07/08/2019 14:31

A coach Marília Cardoso diz que existem crenças pessoais e limitantes que prejudicam os processos criativos (foto: Arquivo Pessoal )
A coach Marília Cardoso diz que existem crenças pessoais e limitantes que prejudicam os processos criativos (foto: Arquivo Pessoal )


Você se considera criativo? Muitas pessoas pensam que criatividade é um dom especial que poucos têm. Outros acham que se tornam mais criativos quando trabalham sobre pressão, remetendo àquele velho ditado de que a necessidade é a mãe da criatividade. Há os que pensam que criatividade é um processo solitário. Ou seja, que competir é melhor do que colaborar, com aquele receio de ter a sua ideia "roubada" por alguém.

A coach e facilitadora em processos de design thinking Marília Cardoso, pós-graduada em comunicação empresarial, MBA em marketing e pós-MBA em inovação, alerta que, além de todos esses equívocos, "ainda existem algumas crenças pessoais e limitantes que prejudicam os processos criativos".

Para Marília Cardoso, sócia-fundadora da PALAS, consultoria de inovação e gestão, um dos mais comuns é o medo da crítica. "Com receio de virar alvo de piadas dos colegas, muitos acabam guardando para si ideias que poderiam ser muito valiosas. O medo de errar e o conservadorismo extremo fazem com que não haja ambiente fértil para a proliferação da criatividade."

Um erro comum, destaca Marília Cardoso, é a rejeição prematura. "É o famoso 'não!', que surge muito antes da lapidação das ideias. Por outro lado, a satisfação prematura também pode ser uma armadilha. Se apaixonar por uma ideia logo de cara faz com que ela fique limitada, sem espaço para novas ramificações."

Normas e questionamentos


Marília Cardoso destaca que a criatividade, assim como a inteligência, não é algo nato ou imutável. "Diversos estudos na neurociência já comprovaram que é possível se tornar mais criativo ou inteligente. Tudo depende do quanto nós nos desafiamos."


Mas, o que é preciso fazer para se tornar uma pessoa mais criativa? Marília Cardoso explica que "vários estudiosos do assunto começam a responder essa pergunta a partir dos chamados bloqueios mentais. São as crenças que nos fazem acreditar que as coisas são como são".

Para ela, talvez, o maior bloqueio da criatividade seja a chamada "resposta certa". "Desde pequenos, aprendemos que há apenas uma resposta certa e é ela que separa as pessoas entre vencedoras e fracassadas. No entanto, quando você acredita que há apenas uma única resposta certa, você ignora todas as outras possibilidades."

A inovação é feita de tentativa e erro e, se o erro for punido e evitado a qualquer custo dentro das organizações, certamente a criatividade também será limitada. Cuide para não deixar isso ocorrer

Marília Cardoso, sócia-fundadora da PALAS, consultoria de inovação e gestão

Infelizmente, chama a atenção Marília Cardoso, as escolas e seus gabaritos acabam com a espontaneidade e a criatividade da criança. "Inclusive, se você quiser se aprofundar nesse assunto, sugiro assistir ao TED de Ken Robinson, autor do livro Libertando o poder criativo. Robinson é um profundo crítico do modelo escolar atual."

Outro bloqueio criativo, enfatiza a coach, é buscar lógica em tudo. "A vida é cheia de ambiguidades e contradições. Portanto, é limitado o número de coisas que podem ser pensadas apenas de forma lógica. Somos doutrinados a seguir as normas. Na pré-escola, nos ensinam que não podemos pintar fora do contorno. Receosos por punições, obedecemos, sem nem ao menos questionar ou procurar saber o motivo."


Errar e inovar


Marília Cardoso diz que outro bloqueio mental que prejudica a criatividade é a mania que as pessoas têm de serem práticas e objetivas para tudo. "Temos pressa e queremos os melhores resultados no menor período de tempo. Esse hábito, certamente, não favorece a criatividade."

Por fim, Marília Cardoso alerta que o bloqueio mais limitante é o medo de errar. "Numa sociedade que só valoriza os acertos e as vitórias, o erro é algo a ser duramente punido. No entanto, Thomas Watson, fundador da IBM, dizia que "o segredo para o sucesso é dobrar a sua taxa de erros". Para inventar a lâmpada, Thomas Edison encontrou outras 1.800 maneiras de como não criá-la. A inovação é feita de tentativa e erro e, se o erro for punido e evitado a qualquer custo dentro das organizações, certamente, a criatividade também será limitada. Cuide para não deixar isso ocorrer."


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