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Estado de Minas CARREIRA

Feedbacks difíceis de dar aos colegas de trabalho. Você está preparado?

A avaliação profissional não vive só de resultados e metas. Este retorno, muitas vezes, requer conversas mais delicadas como dizer que uma pessoa tem mau hálito ou mau cheiro


postado em 04/03/2020 14:05 / atualizado em 04/03/2020 14:05

Um jeito elegante de alertar o colega é chamar para conversar num café, um local mais reservado(foto: mohamed Hassan/Pixabay)
Um jeito elegante de alertar o colega é chamar para conversar num café, um local mais reservado (foto: mohamed Hassan/Pixabay)


Ter um ambiente profissional em que as pessoas dialogam é o segredo do sucesso, a conhecida cultura de feedback. Só que existem diversas formas de estimular essa fala: 1a1 ( frente a frente) semanais para acompanhamento do dia a dia, feedbacks contínuos para avaliação de resultados nas competências da empresa e o feedback formal da avaliação de desempenho. Somente assim os profissionais conseguem enxergar se estão no caminho certo.

Mas nem só de resultados e metas vivem os feedbacks. Muitas vezes, são necessárias conversas um pouco mais delicadas e que se tornam altamente desafiadoras: como dizer que uma pessoa tem mau hálito ou mau cheiro? Como avisar sobre um alface no dente? Como dar um feedback para seu gestor?

Pollini Jorio, cofundadora da Feedback House – plataforma e metodologia de feedbacks para empresas dos mais variados portes – levanta seis feedbacks estilo pisando em ovos, e como aplicá-los da maneira mais sutil e assertiva possível:


1) Mau cheiro na axila


Falta de banho? Desodorante ruim? Roupas mal lavadas? Distúrbio de saúde nas glândulas sebáceas? Não importa a razão, o mau cheiro na axila incomoda, afasta as pessoas, atrapalha o ambiente principalmente para os mais sensíveis ao mau cheiro. Em salas pequenas com ar-condicionado, por exemplo, o cheiro fica ainda pior. Nesses casos, para iniciar a conversa, não se deve partir do pressuposto de que a pessoa não se cuida.

"Não é justo com qualquer ser humano deduzir que ele é desleixado. A pessoa pode estar passando por N situações. Por isso, a regra número é: empatia. Como você se sentiria sendo abordado por algum desconforto corporal que esteja acontecendo com você?", questiona Pollini. "Sempre se imagine no lugar do outro para falar."

Um jeito elegante de entregar a mensagem é chamar para conversar num café, um local mais reservado. "Olha, espero que você não se sinta constrangido, mas eu preciso conversar com você sobre um assunto delicado. Algumas pessoas estão comentando sobre o cheiro de suor... você já percebeu alguma coisa?" Deixe espaço para a pessoa falar, e neste momento, ela provavelmente vai se abrir se tiver algum distúrbio de saúde.

Se for esse o caso, pergunte como você poderia ajudar. Se ela disser que nunca percebeu, então provavelmente é baixo uso de desodorante, então você deve emendar um sugestão: "Eu entendo sua situação, sei que você vem de longe e o dia começa cedo. Também passo por isso, quando eu corro muito de manhã e chego aqui no trabalho, às vezes eu vou ao banheiro reaplicar o desodorante", é um jeito delicado e direto, onde você já está dando a solução.

Se a pessoa ficar na reativa, você precisará ser mais direto, dizendo que por mais constrangido que você esteja ao ter que falar sobre esse assunto, é preferível isso do que ter pessoas falando sobre ela pelas costas. Esse tipo de feedback deve ser feito pelo gestor ou por alguém muito próximo, onde exista relação de confiança. É importante que quem esteja dando o feedback demonstre empatia no rosto e no tom de voz. "Na impossibilidade do gestor dar o feedback é preciso dar a tarefa a alguém que tenha abertura e boa relação com a pessoa para poder fazer essa abordagem."


2) Mau hálito


É muito parecido com o caso acima, pode ser falta de higiene bucal, mas também um problema de saúde sério ou sazonal (relacionado a hormônios e ciclo menstrual, por exemplo). Durante a conversa, deve-se dar uma dica para a pessoa de como amenizar isso, por exemplo dizendo que você sempre tem com um pacote de balas no bolso e traz escova e pasta para o trabalho. "Não esquecer da empatia. Poderia ser você em uma fase complicada com os dentes ou com algum distúrbio estomacal. Deixe claro que sabe muito bem que é uma fase passageira, mas que prefere falar, apesar do constrangimento para ambas as partes, pois você se preocupa com ela. Fale com naturalidade e amor no coração", explica Pollini.


3) Alface no dente e zíper aberto


"Tem que falar", Pollini é categórica. "Não existe a possibilidade de permitir que um colega, chefe ou funcionário se exponha dessa forma em todos os lugares por onde passar naquele dia. Pode ter certeza de que, ao chegar em um espelho e vir o dente com alface, a pessoa irá se sentir péssima e morrendo de vergonha." A melhor forma de apontar o problema é com discrição e naturalidade, mostrando real preocupação: "Mário, corre no banheiro pois tem algo no seu dente. Desculpe-me falar assim, mas eu gostaria que fizesse o mesmo comigo se fosse o contrário". E 'termine com um sorriso empático e acolhedor. Isso é, de fato, ajudar essa pessoa." Zíper aberto é parecido, mas não fique muito olhando para a região do zíper. Em ambos os casos, o toque pode vir de qualquer um, não precisa ser o gestor direto.


4) Palavreado


O profissional tem uma produtividade absurda, é rápido, objetivo e traz resultado. Mas, existe um viés da sua personalidade um tanto quanto exagerado, mesmo para as empresas mais descontraídas: excesso de palavrões. Alguns não ligam, já outros se incomodam. A naturalidade com que ele fala é tanta, que já perdeu a vergonha até em reuniões. "É necessário dar o feedback nesses casos. Não é proibir de falar, pois todo mundo fala, mas essa pessoa precisará se policiar, ou seja, encontrar formas de se perceber e de manter um certo controle", diz Pollini.

Ele precisará aprender a perceber o impacto que esses palavrões tem nos outros, emendando um "me desculpe o palavrão", caso perceba alguém incomodado. Nesse caso, uma forma elegante de entregar esse feedback é "falar que alguns clientes elogiaram o profissional na qualidade do trabalho, mas que comentaram que se sentiram um pouco constrangidos com o excesso de palavrões", diz Pollini. Objetividade junto com empatia, nessas horas, é o mais recomendado.


5) Feedback de melhorias


Feedback de melhorias é o que nos leva pra frente e nos faz evoluir. E por que se dá tão pouco feedback? Porque o grande segredo do feedback é falar de entregas, e não críticas soltas sobre comportamentos. Esqueça as milhares técnicas de feedback que já conheceu na vida. Lembre-se que um bom feedback começa com um elogio do esforço da pessoa em relação a uma meta ou atividade, seguido de o que ela poderia fazer para melhorar, caso você tenha algum ponto a levantar.

"Se for só pra reclamar, criticar e não trazer solução, nem dê o feedback", diz Pollini. A única coisa que vai conseguir é deixar a pessoa irritada do outro lado. "Se você gostaria de falar sobre algum comportamento inadequado do colaborador, chame ela para um conversa e faça um 1a1 olho no olho, dizendo porque você está se sentindo incomodado". Só registre o 1a1 na ferramenta se você for gestor, caso contrário você estará arranjando uma inimizade.


6) Feedback para o chefe


Dar um feedback para o gestor é o mais amarrado de todos os feedbacks, porque tem gestor que realmente não dá abertura. E se for esse o caso, ensaie. Sempre relacione seu feedback a uma tarefa do seu trabalho na qual você se sentiu desamparado em algum aspecto. "Nunca reclame do seu chefe, tente o ajudar a ser um chefe melhor. Diga o que você gostaria de receber dele, o que você sente falta para que o dia a dia seja mais produtivo, e o relacionamento de vocês seja mais leve", finaliza Pollini.

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