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Lanches rápidos fora de casa sobem quase o dobro da inflação em seis meses

Pães encabeçam a lista de alta de preços, com o pão de forma 15,62% mais caro de janeiro a junho, segundo dados do IBGE


12/07/2021 16:13 - atualizado 12/07/2021 20:04

Os irmãos empresários, Gabriel e Mariana, contam com a reabertura total para retomada plena dos negócios(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)
Os irmãos empresários, Gabriel e Mariana, contam com a reabertura total para retomada plena dos negócios (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)
Os consumidores de lanches rápidos fora de casa estão assustados com a alta dos preços, depois que o horário do comércio em Belo Horizonte e Região Metropolitana,  ganhou nova ampliação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísca (IBGE), os lanchinhos entre as principais refeições do dia ficaram 7,13% mais caros no acumulado de janeiro a junho, para uma inflação de 3,87%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mésmo período. 
 
Os pães encabeçam a lista com o pão de forma 15,62% mais caro, seguido pelo pão doce (9%). O presunto subiu 7,37%, os bolos, 6,6%, e o queijo, 6,03%. O suco de frutas ficou 4,4% mais caro.
Renato Moura Caldeira, sócio do tradicional Café Nice, na Praça Sete, diz que o preço do café já subiu 10% neste mês. O fornecedor alega que não está conseguindo comprar o produto e o comerciante tem dificuldade para reajustar. "Os clientes estão sem dinheiro. Pior ainda seria reajustar preços no momento em que o movimento vem melhorando de forma gradativa", diz Caldeira.
 
Bianca diz que está
Bianca diz que está "ficando inviável" comer fora de casa, com os preços em alta e desemprego (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press )
 
Bianca de Souza, 28 anos, está desempregada. Na manhã desta segunda-feira (12/7) foi ao Centro da capital para resolver "algumas coisas", e procurava um "lanche mais em conta".

Ela diz perceber que os preços estão bem mais altos. "Geralmente como um pão de queijo, um refresco, um pastel. Mas, pelo que estou notando, os preços não estão convidativos. Se continuarem subindo, sair de casa só levando lanche pronto, ou esperar voltar para matar a fome."
 
As amigas Tainara Silva, de 21, atendente, e Tahis Lopes, de 28, vendedora, atestaram que os preços estão mais salgados em relação há alguns meses. "Sempre que viemos ao Centro paramos para um lanche rápido. O pastel, nosso preferido, está mais caro", observou Tainara. 
 
Thais disse que visitou o Centro da capital pela última vez há cerca de cinco meses. "Hoje paguei o dobro do preço por um pastel assado. Subiu 100%, muito caro para momento tão delicado."
 
As amigas Tainara e Thais se surpreenderam com os preços dos lanches no Centro de BH(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)
As amigas Tainara e Thais se surpreenderam com os preços dos lanches no Centro de BH (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)
Os irmãos Gabriel Vinicius Braga Lara, de 22 anos, e Mariana Braga Lara, de 30, gerenciam parte dos negócios da família, proprietária de uma das mais tradicionais e antigas redes de pastelarias de Belo Horizonte "A Pastelândia". São 17 lojas espalhadas por vários pontos da capital – eram 18 antes da pandemia.
 
O pastel é responsável por cerca de 90% das vendas da rede, que também trabalha com pizzas, sanduíches e outros salgados. Gabriel conta que a tentativa de segurar os preços aos clientes foi possível até há um mês. "Mantivemos os preços de antes da pandemia, que era de R$ 1,60 a unidade até concluirmos que não teríamos mais como segurar." O salgado passou a R$ 1,90.
 
Os insumos para a fabricação do pastel, um dos salgados mais populares da capital, estão entre os principais vilões na inflação dos alimentos. Os estoques das lojas têm base na carne, farinha de trigo, queijo e óleo, itens que representam os maiores custos. 
 
Os empresários pagavam antes da pandemia R$ 14,90 no quilo da carne bovina. Atualmente está em R$ 21. O óleo, que custava R$ 118 o galão de 18 litros, subiu para até R$ 180. A farinha de trigo, importada da Argentina, com a alta do dólar que puxa para cima os preços, subiu de R$ 64 para R$ 81,05, o saco de 25 quilos, e o queijo, que era comprado por R$ 19,90, hoje, não custa menos que R$ 27,50 o quilo. Sem contar os seguidos aumentos da energia elétrica, utilizada nas fritadeiras. 
 
Gabriel conta que desde o início das restrições de mobilidade provocadas pela pandemia, as vendas despencaram 70%. "As lojas do Centro foram as que mais sentiram. Com o comércio fechado, mesmo com a reabertura de casas de alimentos, a clientela desapareceu."

O comerciante observa que os clientes de lanches são aqueles que trabalham no Centro ou que passam pela região em busca de serviços ou compras.
 
O fechamento dos shoppings provocou o encerramento de uma das lojas no Barreiro. "As que se sustentaram foram aquelas nas dependências dos terminais de ônibus, mesmo com queda acentuada, possibilitou manter um mínimo de negócios."

Gabriel Braga conta ainda que o setor não contava com imprevistos como o de uma pandemia. "Não houve preparação para a pandemia, sim para um problema, mas não imaginávamos sua dimensão. Sempre pensamos em reservas para algo inusitado. Mas com vendas em queda vertiginosa, mesmo negociando aluguéis, contratos de trabalho e pagamento a fornecedores, as reservas foram se esvaíndo."
 
Com a reabertura do  comércio não essencial as vendas começam a reagir. Mesmo com quadro reduzido de funcionários em quase 50% em algumas unidades, na Região Central, as vendas, em junho, já voltaram a 70% dos registros antes da pandemia, informa o empresário.




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