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Estado de Minas Crise hídrica

Caminhões-pipa socorrem comunidades rurais em Minas Gerais

Com estiagem prolongada, problema histórico no Norte de Minas, 81 cidades baixaram decretos de situação de emergência


10/06/2021 04:00 - atualizado 10/06/2021 00:35

Comunidades de áreas rurais do Norte de Minas Gerais, que enfrenta o velho problema das longas estiagens, estão sendo abastecidas com água em operações do Exército, enquanto prefeituras contratam caminhões-pipa com recursos próprios e, ao mesmo tempo, aguardam apoio do governo estadual. A Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams) identificou 81 cidades com decretos de situação de emergência por causa da seca prolongada.

“Alguns municípios estão  com comprometimento do abastecimento de água para uso humano na zona rural, como Coração de Jesus, Monte Azul, Guaraciama, Berizal, Ibiracatu, Pintópolis, São Francisco e Pedras de Maria da Cruz”, informou a entidade. A Amans pediu ajuda ao governo estadual, que anunciou a publicação de edital de licitação para contratar caminhões-pipa e adquirir cestas básicas para socorrer os flagelados da seca.

Na avaliação da associação, o Norte de Minas tem sofrido o impacto de sete anos sem boas chuvas. “Precisaríamos de mais quatro anos de boas chuvas para normalizar  a situação, pois o lençol freático ficou comprometido de forma geral”, diz a Amams. Os períodos hídricos de 2019 e 2020 apresentaram “bons índices pluviométricos”, “mas foram mal distribuídos”, segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG).

Francisco Sá (26,36 mil habitantes) é uma das cidades do Norte de Minas atingidas pela crise hídrica. De acordo com o prefeito do município, Mário Osvaldo Casassanta (Avante), há dois anos a população local está sendo abastecida em sistema de rodízio – a água chega às torneiras das casas a cada três dias. Principal reservatório usado no abastecimento da cidade, a barragem do Rio São Domingos está com 20% de sua capacidade.

Ainda segundo a prefeitura, atualmente, cerca de 10 mil pessoas da zona rural do município sofrem com a falta de água e estão sendo atendidas com caminhões-pipa – quatro veículos do Exército e outros três da municipalidade.  Os moradores das comunidades rurais sofrem com  a limitação do recurso hídrico para o consumo humano e também para uso doméstico e atividades produtivas no campo.

Assim como o Norte de Minas, ao longo de décadas, o Vale do Jequitinhona enfrenta as longas estiagens. Um dos municípios da região castigados pela seca é  Araçuaí (36,7 mil habitantes), onde, de acordo com a prefeitura, cerca de 500 famílias na zona rural estão sendo abastecidas por caminhões-pipa.

Entre 60 comunidades prejudicadas com a escassez hídrica em Araçuaí estão as localidades rurais de Aguada Nova, Córrego do Narciso, Barriguda, Curuto, São José das Neves e Gravatá. A prefeitura informa que o problema é histórico e decorre da baixa quantidade de chuvas registradas na região, que, nos últimos anos, alcançou média de 500 a 600 milímetros anuais.
 


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