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Estado de Minas

Veja como mudança na Petrobras derrubou bolsa e provocou alta do Dólar

Mercado financeiro reagiu negativamente após presidente Jair Bolsonaro ter indicado general Joaquim da Silva e Luna para comando da estatal


22/02/2021 19:03 - atualizado 22/02/2021 19:22

Moeda norte-americana subiu 1,35%, com cotação de R$ 5,458 nesta segunda-feira (22/2)(foto: Reprodução)
Moeda norte-americana subiu 1,35%, com cotação de R$ 5,458 nesta segunda-feira (22/2) (foto: Reprodução)

No primeiro dia de pregão após a escolha do general Joaquim da Silva e Luna para o comando da Petrobras por indicação do presidente Jair Bolsonaro, a queda da bolsa de valores e a alta acentuada do dólar provocaram pânico no mercado financeiro. A Ibovespa recuou quase 4%, a 113.741,03 pontos, e a moeda norte-americana subiu 1,35%, com cotação de R$ 5,458. As ações da estatal brasileira também despencaram mais de 19%, em início de semana atípico na história da empresa.
A nomeação de Luna para a Petrobras na sexta-feira (19/02) já havia gerado forte reação no mercado. Ele poderá substituir o atual presidente, Roberto Castello Branco, demitido depois de reação aos aumentos mais recentes dos combustíveis nas refinarias, que elevaram a pressão dos caminhoneiros sobre o governo. Mas a escolha do novo presidente dependerá de aprovação do Conselho de Administração da estatal. 
Após declarações de Bolsonaro, as ações tiveram queda de quase 8% e a Petrobras perdeu R$ 28,2 bilhões em valor de mercado. Até quinta-feira, a estatal estava cotada a R$ 383 bilhões, mas, após as falas do presidente da República, a empresa encerrou a semana valendo R$ 354,8 bilhões.

No momento mais tenso deta segunda-feira (22/2), por volta das 15h20, os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) operavam em queda de 18,73%, enquanto as ações ordinárias da Petrobras (PETR3), com direito a voto em assembleia, tinham perda de 19,30%. Outras empresas tiveram impactos, com recuo de 11,06% nas ações do Banco do Brasil e de 4,33% nas ações ELET3 e 3,28% nas ELET6 da Eletrobras.

Para aumentar o estresse do mercado financeiro, Bolsonaro sinalizou com mais mudanças nesta semana. Um dos possíveis alvos é o setor de energia elétrica, outra fonte de pressão inflacionária.
O vice-presidente Hamilton Mourão aprovou a escolha de Luna para comandar a Petrobras: “Está dentro da atribuição do presidente. O mandato do Roberto terminava dia 20 de março, poderia ser renovado ou não, a decisão é não renovar. Não vejo forma de intervir nos preços, até pela própria legislação que rege a companhia, que é o que está sendo comentado e muito, não vai haver isso. É uma questão de confiança na pessoa que está lá, pelo que o presidente colocou”.
Para o economista Regis Chinchila, analista do Terra Investimentos, que atua no mercado financeiro , os rumos do país dependerão de medidas a serem adotadas pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. “O mercado financeiro vai querer ouvir a opinião do Paulo Guedes sobre o Bolsonaro interferir no comando da Petrobras e querer mexer no setor elétrico. Mas até agora não tivemos esses comentários do ministro, que sempre defendeu uma agenda econômica liberal no governo. Isso seria importante para tentar acalmar os ânimos dos investidores, mostrar algum sinal e expectativa futura”.
 
“A semana começou bastante negativa como prevíamos, com Ibovespa pesando com empresas estatais na ponta vendedora, com destaque para a Petrobras e Banco do Brasil. Para a sequência, vamos teremos eventos importantes, como discurso do presidente do Fed (Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos), PIB dos EUA e vários balanços importantes como Petrobras, Vale, CSN, Gerdau, Itausa, Vivo entre outros”, destaca. 

Leilão

Numa tentativa de segurar as cotações do dólar, o Banco Central promoveu ontem um leilão de US$ 1 bilhão entre instituições financeiras. A intervenção foi feita por meio de swap cambial, um tipo de contrato ligado ao câmbio que, ao ser negociado pelo BC, tem um efeito equivalente à venda de dólares no mercado futuro.

O efeito da atuação do BC foi perceptível. Após ter sido negociado a R$ 5,5336 mais cedo, o dólar à vista era vendido a R$ 5,4976 às 12h27. 

A alta no dia era de 2,08%. No exterior, o dólar também subiu ante outras moedas de países emergentes ou exportadores de commodities, como o dólar canadense (alta de 0,08% para o dólar americano), o rand sul-africano (+0,80%), a lira turca ( 1,43%) e o peso chileno ( 1,34%). Mas o porcentual de ganho da moeda americana no Brasil é bastante superior ao que se vê em outros países.

Foi a primeira vez, considerando as projeções feitas nos últimos dois anos, que o mercado indica a expectativa de que o IPCA - o índice oficial de inflação –  fique acima do objetivo central do BC, ainda que dentro da margem de tolerância.

O porcentual diz respeito à mediana de todas as projeções encaminhadas ao BC para formulação do relatório. Uma previsão de analistas do mercado diz que a inflação encerrará 2021 em patamar ainda maior, aos 4,61%. (Com agências)


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