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Estado de Minas FINANÇAS

Poupança ou renda fixa: veja qual o investimento mais seguro segundo especialistas

Com a Selic a 2% ao ano, rendimento da poupança supera o de fundos com taxa de administração acima de 0,5% ao ano


02/11/2020 11:01 - atualizado 02/11/2020 11:40

Estudo mostra que R$ 10 mil na poupança renderiam R$ 140 em 12 meses, retorno melhor do que boa parte das aplicações de renda fixa (foto: Pixabay/Reprodução)
Estudo mostra que R$ 10 mil na poupança renderiam R$ 140 em 12 meses, retorno melhor do que boa parte das aplicações de renda fixa (foto: Pixabay/Reprodução)

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu manter em 2% ao ano a taxa básica de juros (Selic). Um dos principais indicadores do mercado financeiro brasileiro, a Selic tem influência no retorno aos invetidores e nos pagamentos de consumidores de operações de empréstimos e financiamentos. Também é usada como parâmetro pelo BC para controlar a inflação e estimula o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do país).

Estudo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac) destaca que, ao decidir onde vai aplicar o seu dinheiro, o cidadão deve prestar atenção em vários detalhes. O principal deles é quanto a instituição financeira cobra de taxa de administração (remuneração pela prestação de serviços de gestão).

Nos cálculos da associação, se a taxa de administração for maior do que 0,5% em um fundo de renda fixa, por exemplo, a quantia aplicada vai render menos nessa modalidade do que na caderneta de poupança – modalidade preferida dos brasileiros que iniciam seus investimentos pela segurança, mas que andou pouco atrativa e sem oferecer ganho real (acima da inflação).

Agora, de acordo com a Anefac, com a Selic a 2% ao ano, os investidores em busca de ganhos começam a admitir mais riscos.  

Uma das opções passou a ser o Tesouro Direto (negociação de títulos públicos). Os investimentos mais procurados são os atrelados à Selic (Tesouro Selic) por sua suposta segurança.

A Selic que não escapou, contudo, dos impactos provocados pela decisão do Copom, que alterou seu rendimento e acabou por deixar a poupança mais lucrativa.

Como exemplo, a Anefac aponta que, com os juros no patamar mais baixo da história, uma aplicação de R$ 10 mil na poupança a 2% anuais, após 12 meses, dá ao consumidor retorno de R$ 140. Caso fosse aplicado em fundo com taxa de administração de 0,5%, o retorno seria de R$ 109.

Reserva


O economista Rodrigo Franchini, sócio da Monte Bravo Investimentos, afirma que “a captação da poupança aumentou. E um dos motivos foi o fato de o pessoal de baixa renda conseguir guardar dinheiro quando passou a receber o auxílio emergencial pago pelo governo para fazer frente à crise econômica provocada pela contaminação do novo coronavírus. O que mostra que o brasileiro está criando uma reserva”.

Até dezembro, de acordo com o governo, serão R$ 321,8 bilhões injetados na economia com o auxílio emergencial. Em meio à pandemia de COVID-19, a caderneta de poupança registrou captação líquida de R$ 13,2 bilhões em setembro.

O valor é o maior para o mês de toda a série histórica do BC, iniciada em 1995, e representa o sétimo mês consecutivo de saldo líquido positivo. Esse resultado da poupança se deve a depósitos de R$ 294 bilhões e retiradas de R$ 280,8 bilhões.

No acumulado do ano, o ingresso líquido de recursos na caderneta chegou a R$ 137,2 bilhões, também recorde para o período. De janeiro a setembro do ano passado, ao contrário, houve saída de R$ 6,063 bilhões.

Franchini complementa que os investidores, diante das sucessivas crises no país, vêm mudando o perfil. Alguns que já tinham reserva e querem ampliar os horizontes estão “buscando alternativas para ter ganhos reais acima da inflação e aumentando os risco dos investimentos”, lembra o economista.

Opções no mercado


Segundo especialistas, com a Selic a 2% ao ano, a caderneta passa a render 1,4% no período. Em setembro, a poupança rendeu 0,12%, ante variação de 0,16% do CDI, o principal referencial das aplicações de renda fixa.

No ano, o retorno da caderneta chega a 1,76% (ante 2,28% do CDI) e, em 12 meses, a 2,67%, enquanto o CDI tem variação de 3,54%.

Vitor Craveiro, 28 anos, está há 14 anos no mundo dos investimentos e não vê a poupança como o melhor caminho para quem deseja ganhar dinheiro e defende a busca por novas alternativas para obter lucro: “Com esse rendimento ao ano e considerando a inflação, a poupança significa um ganho negativo. Ou seja, no final das contas, os brasileiros estão perdendo dinheiro”.

O medo de arriscar ainda gera muito receio em quem pretende começar a investir. Gustavo Bertotti, economista da Messem Investimentos, ressalta a importância de se respeitar o perfil de cada pessoa.

“O investidor, antes de tudo, tem que avaliar se é conservador, moderado ou arrojado e, a partir daí, diversificar seus investimentos, analisando os juros. Estando ciente de que o cenário de taxas no Brasil não vai mudar logo”, explica.

Gustavo explica que, nos últimos anos, o Brasil passou por uma mudança na área dos investimentos: “Éramos conhecidos por ser um dos países com os juros mais altos do mundo. Mas, desde 2014, vivemos um processo de redução. O cenário vem mudando, passamos por situações complexas de endividamento público e resultado de PIBs ruins. Neste ano, temos, ainda, o novo coronavírus. Então, a forma de investir no Brasil mudou, a renda fixa perdeu força, não é o investimento mais atrativo”.

Ajuda das redes sociais


Para quem pensa em fazer alguma aplicação, entender como funciona o mercado é um caminho. A estudante universitária Tânia Costa, 21, conta que se aventurou no estudo do mercado financeiro e teve bons resultados.

“Eu comecei a ver coisas de investimento em 2017, porque conheci um canal, por recomendação do YouTube. Lá, aprendi sobre educação financeira de forma prática, porque a linguagem do mercado não é acessível”, relata.

Foi a partir do canal no YouTube que Tânia começou a se interessar por desvendar os meandros das diversas opções no mercado financeiro. A universitária revela que a experiência trouxe benefícios.

“A experiência me deu muito retorno, não só financeiro, mas disciplina e organização. Acredito que, quando você começa a organizar o dinheiro, você começa a organizar sua vida inteira”.

Estudo da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que identifica o perfil do investidor e onde ele escolhe aplicar, identificou que 90% dos brasileiros conhecem a poupança e outros 88% guardam dinheiro nela.

De acordo com a Anbima, 27% das pessoas que investem na poupança dizem que o fazem por facilidade e comodidade – na maioria dos casos, quem tem conta poupança usa uma conta-corrente vinculada a ela.

Assim, é possível programar uma reserva mensal ou fazer a transferência entre contas.

A tradição da caderneta


  • A caderneta de poupança foi criada pelo Imperador Dom Pedro II, no século XIX, para a população de baixa renda.
  • Estudo da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) aponta que 90% dos brasileiros conhecem a poupança e outros 88% guardam dinheiro nela. Essa é a maior taxa identificada pelo estudo. 
  • Muitas pessoas aplicam em conta poupança pensando na facilidade da aplicação ou no resgate e na isenção do Imposto de Renda. 
  • Esta isenção dá uma falsa sensação de que os outros produtos, por serem tributáveis, são menos rentáveis. Especialistas, contudo, rebatem essa ideia.

Poupança x renda fixa


  • Produtos como CDBs, LCIs, LCAs, Tesouro Selic e até Fundos DI, dependendo da taxa Selic, vencem a conta poupança em qualquer situação.
  • Na poupança, se não houver o resgate do dinheiro exatamente no dia do aniversário, perderá a rentabilidade acumulada do último período. 
  • O rendimento só é creditado no “aniversário da poupança”, 30 dias depois do depósito. 
  • É possível, sim, sacar antes desse prazo, mas o poupador perderá os rendimentos do período. 
  • Vale acrescentar que as aplicações nos dias 29, 30 e 31 de cada mês terão como data de aniversário sempre o dia 1° do mês seguinte. 
  • Especialistas dizem que, se não houver pressa em resgatar o dinheiro, vale a pena pagar um imposto e migrar os recursos para investimento com apuração diária de juros. 
  • Um bom exemplo é o Tesouro Direto, cujo valor mínimo de investimento fica em torno dos R$ 30, dependendo do título.

 

 

 

Fonte: Anefac, BC, Anbima e BTG Pactual Digital

*Estagiários sob a supervisão de Andreia Castro


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