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Estado de Minas ECONOMIA

Julho tem 'recorde' de empresas abertas, mas fechamentos crescem 20% em Minas

De janeiro a julho deste ano, mais de 24 mil empresas fecharam as portas; em 2019, foram quase 3 mil a menos


04/08/2020 18:04 - atualizado 04/08/2020 18:36

Embora julho tenha registrado números positivos, 2020 teve alta na quantidade de empresas encerradas.(foto: Álvaro Duarte/EM/D.A Press)
Embora julho tenha registrado números positivos, 2020 teve alta na quantidade de empresas encerradas. (foto: Álvaro Duarte/EM/D.A Press)
A Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg) oficializou em julho a abertura de 5.128 empresas. Em relação ao mesmo período do ano passado, os sete primeiros meses de 2020, contudo, registram queda de, aproximadamente, 5% no número de empreendimentos iniciados. Os fechamentos, por sua vez, aumentaram quase 20%.

Na soma, 28.924 empresas começaram a operar neste ano, contra 30.626 nos mesmos meses de 2019. Se em 2020, 24.478 empreendimentos cerraram as portas definitivamente, foram 21.680 de janeiro a julho do ano passado.

Para o presidente da Jucemg, Bruno Falci, embora a pandemia do novo coronavírus tenha impactado a economia, a alta nos encerramentos é explicada, em grande parte, pela abolição, em setembro, da taxa paga pelos que desejavam dar “baixa” a uma empresa — encerrando oficialmente as atividades.

“Há uma ‘acomodação’ dos negócios. De abril do ano passado para cá, a Jucemg não cobra mais taxa para os empresários darem baixa nas empresas. Isso fez com que muita gente começasse a dar baixa”, justifica.

O valor variava entre R$ 128,16 e R$ 267,56, conforme o tipo jurídico da empresa. A extinção da cobrança foi determinada pela legislação federal.

“Tudo está ligado à economia. Do jeito que estão os negócios, sobretudo em Belo Horizonte, onde empresas estão há mais de 120 dias sem operar, teremos um reflexo. Infelizmente, estamos vendo que muitas empresas vão fechar as portas”, pontua Falci.

Segundo o presidente da Junta Comercial mineira, ações do governo federal como a Medida Provisória (MP) 936, que autorizou a suspensão de contratos de trabalho e a redução de jornadas, atenuaram a situação. Ele mencionou ainda o “alento” dado por medidas do Executivo estadual, como a abertura de linhas de crédito junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

“Balde de água fria”


Março foi segundo mês do ano com mais registros de empresas: 4.486. Segundo Falci, à época, o setor dava sinais de retomada. A pandemia, contudo, freou a recuperação.

“O setor em Minas Gerais estava voltando a reagir. A pandemia foi um balde de água fria nos empresários”, lamenta.

Para ele, os efeitos econômicos impostos pela COVID-19 irão perdurar por algum tempo. “O empresário é extremamente otimista. Na expectativa de Belo Horizonte reabrir os negócios, muitas pessoas que mantém essa esperança não irão conseguir (se reerguer). Os reflexos da pandemia, não sei em qual intensidade, irão se estender por bastante tempo”, completa.

Nesta terça-feira, o prefeito de BH, Alexandre Kalil (PSD), anunciou plano de reabertura do comércio na capital. A primeira fase começa na quinta (06).

Chama acesa


Ainda de acordo com o presidente da Jucemg, a alta vista no mês passado pode ser fruto de fatores como grande número de dias úteis. Mesmo ante ao cenário complicado, ele mantém certa faísca de otimismo.

“Da mesma forma que uma empresa fecha e demite funcionários, às vezes parte deles resolve abrir outro negócio, ainda que de pequeno porte”, projeta.


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