
De acordo com os dados, as vendas internas de aço de janeiro a junho foram de 8,3 milhões de toneladas, o que representa queda de 10,5% em relação ao valor registrado no mesmo período de 2019. A queda na comercialização foi maior nos aços planos. O instituto calcula que 4,5 milhões de toneladas esse tipo de material foram vendidas este ano. Uma quantidade 14,5% menor do que a registrada no mesmo período do ano passado, de 5,3 milhões de toneladas. O impacto foi menos sentido nas vendas internas de aços longos, que sofreram queda de 5%: saindo de 3,7 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2019 para 3,5 milhões na primeira metade de 2020.
A divisão de resultados se deve ao tipo de indústria a qual cada tipo de produto é destinado, segundo o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Pollo de Mello Lopes. “Os planos vão para o setor automotivo e indústrias de transformação, que pararam. Já os longos são destinados para a construção civil, que continuou operando”, explica o dirigente. De acordo com o instituto, 80% do aço brasileiro é usado por três indústrias: automotiva, de bens de capital e a construção civil.
"O pior já passou"
Apesar dos números do acumulado do semestre indicarem queda, os valores mensais mostram que a siderurgia está conseguindo se recuperar. A produção de aço bruto saiu de 2,7 milhões de toneladas em janeiro para um mínimo de 1,8 milhão em abril, até voltar a crescer em junho, com 2 milhões. As vendas internas seguiram a mesma tendência. Em janeiro o instituto registrou venda de 1,5 milhões de toneladas, que caíram para 976 mil em abril, e fecharam junho com 1,5 milhões.
“Esse crescimento ocorreu sobre uma base menor ou podem se justificar por uma demanda reprimida. Fato é que o sentimento do setor é de o pior já passou. O fundo do poço foi em abril e estamos agora em uma trajetória de recuperação”, afirma Marco Pollo de Mello Lopes. Por outro lado, a expectativa é que certos segmentos mercado interno demorem a se recuperar, como a indústria automotiva. A aposta do setor para a demanda de aço é nos projetos de infraestrutura e construção civil.
O otimismo dos empresários do setor pode ser percebido nos resultados do Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) de julho. O indicador chegou a 62,8 pontos no mês, 15,9 pontos a mais do que em maio. Como o valor está acima de 50 pontos, indica confiança. Com isso, o índice está mais próximo dos 70,2 pontos registrados antes da crise, em fevereiro.
Apesar da avaliação de que o pior já passou no mercado interno, a recuperação ainda não seria suficiente. Outra preocupação dos representantes da siderurgia durante a retomada é o nível de ocupação da capacidade instalada. Segundo o balanço, as siderúrgicas trabalham com 48,5% da capacidade no momento.
Esse índice deveria chegar 80% para o setor ser efetivamente competitivo, aponta o presidente executivo do Instituto Aço Brasil. A organização ainda calcula que o funcionamento de 13 alto fornos foram paralisados por causa da crise, sendo que seis deles em Minas Gerais. Atualmente, dez fornos continuam parados, dos 32 em todo o país.
Foco no mercado internacional
A solução de curto prazo para o problema da capacidade ociosa é focar no mercado internacional, na opinião de Marco Pollo de Mello Lopes. Para o dirigente, nesse momento o Brasil precisa incentivar as cadeias nacionais e proteger seus produtos no mercado, algo que Estados Unidos e China estariam fazendo.
“Todos os segmentos que dependeram de produtos de outros países pararam. A grande lição da pandemia é que não é pra se inserir nas cadeias internacionais, mas estimular a produção interna”, argumenta o presidente executivo do Instituto Aço Brasil.
A principal demanda do setor para cumprir com o objetivo de incentivar as exportações é restabelecer a alíquota original do Reintegra, de 3%. O Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras tem como objetivo retornar tributos residuais pagos pelas empresas que trabalham com produtores exportados. A elevação significaria um aumento de 5,3% nas exportações da indústria manufatureira e a criação de 663 mil empregos, segundo a organização.
Na visão do Instituto Aço Brasil, a recomposição do valor é “vital”, já que “possibilitará que a indústria de transformação recupere os níveis de produção anteriores ao início da pandemia e possa aumentar a oferta de empregos qualificados no país”, afirma, em nota.
Segundo os dados do instituto, a siderurgia brasileira exportou 6,1 milhões de toneladas de aço nos seis primeiros meses de 2020. O que representa uma baixa de 8,1% em comparação com as 6,6 milhões de toneladas mandadas para o exterior no mesmo período de 2019. Já o volume de aço importado na primeira metade do ano foi de 1 milhão de toneladas, 17% a menos do que as 2 milhões recebidas em 2019.
Perspectiva
O balanço também traz as projeções para 2020. Segundo os cálculos, as siderúrgicas devem produzir 28,2 milhões de toneladas de aço bruto no ano. O que representaria uma queda de 13,4% se comparado com as 32,5 milhões de toneladas registradas em 2019. Já as vendas internas devem atingir 16,5 milhões de toneladas – baixa de 12,1% e m relação às 18,7 milhões de 2019. Segundo o instituto, a confirmação desses números levaria a sideruigia para o mesmo patamar de 15 anos atrás.
*Estagiário sob supervisão da editora Liliane Corrêa
