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Estado de Minas AMOR NA PANDEMIA

Dia dos Namorados promete reaquecer as vendas das floriculturas

Após grande volume de vendas no Dia das Mães, setor espera boa movimentação também no 12 de junho


postado em 06/06/2020 06:00 / atualizado em 08/06/2020 07:38

A floricultura Decorar com Flores está investindo no atendimento on-line para as vendas durante a pandemia (foto: Matheus Melo/Divulgação )
A floricultura Decorar com Flores está investindo no atendimento on-line para as vendas durante a pandemia (foto: Matheus Melo/Divulgação )

Desde o século 17, as flores são conhecidas como símbolo de amor, carinho e admiração. A entrega de um buquê, uma rosa ou um lírio tem significado especial para os amantes. Com o Dia dos Namorados chegando, os floricultores esperam melhorar as vendas, que ficaram mais escassas com a pandemia do novo coronavírus.

Apesar de a flexibilização do comércio em Belo Horizonte ter começado, as floriculturas pemanecem proibidas, por isso, estão tendo que investir nas vendas on-line para atrair os clientes. “As floriculturas de ponto físico não vão ter como trabalhar, já que a prefeitura de BH ainda não liberou”, afirma o presidente da Associação de Distribuidores e Produtores de Flores de Minas, Flávio Vieira.

Apesar desse desafio, o presidente afirma que as expectativas para as vendas virtuais são bastante positivas.

O gerente da floricultura Decorar com Flores BH, Matheus Melo, diz que a pandemia proporcionou um novo mercado para os floristas. “Houve uma queda nas vendas presenciais, porém, as vendas, no geral, acabaram se normalizando devido a essa clientela que não comprava on-line antes” explica.

A empresa dele já era ativa no comércio virtual antes da pandemia, mas, com o fechamento das lojas físicas, houve um investimento maior no site.

O novo público, no entanto, também trouxe novas dificuldades, segundo Matheus: “A confiança do cliente que não está acostumado a comprar online; as inúmeras tentativas de fraudes; a logística, por causa dos erros do entregador (pode causar avarias nos produtos) ou por causa do cliente que pode usar de má fé ao receber o produto e fazer uma reclamação posterior infundada (a compra presencial elimina essa possibilidade)”. 


Determinado a retomar as vendas que sofreram uma queda com a pandemia, o floricultor está investindo bastante nesta época do ano. “Um ou dois dias depois do Dia dos Namorados, o movimento continua. Tem muita gente que não consegue comprar antes ou deixa para última hora. Então, as floriculturas não conseguem absorver essa demanda uma vez só”, explica Matheus.

Para chamar a atenção do cliente, as floriculturas começaram a investir em outros produtos além dos buquês e rosas para o Dia dos Namorados. “Temos cestas de café da manhã e também as cestas românticas, que vêm com vinhos e chocolates. O que o cliente quiser montar, a gente consegue", conta Matheus.

O florista conta que quase todos esses presentes vêm com uma flor, para não fugir à tradição: “Mais de 90% das nossas cestas têm uma flor. A flor é muito simbólica, e por isso, ela está em todos os presentes”.

Segundo o presidente da Associação de Distribuidores e Produtores de Flores de Minas, muitos floricultores, assim como Matheus, estão com grande expectativas de vender “combos”, como as cestas, por exemplo.  “Eles estão procurando outras alternativas para venda das flores com preços mais baratos”, conclui Flávio.

As floriculturas estão investindo também em cestas para o Dia dos Namorados (foto: Reprodução/ Decorar com Flores )
As floriculturas estão investindo também em cestas para o Dia dos Namorados (foto: Reprodução/ Decorar com Flores )

O significado (e o preço) das rosas 


As rosas vermelhas são a mais compradas durante o Dia dos Namorados, já que simbolizam o amor profundo e a paixão.

As rosas brancas, que remetem ao amor puro e inocente, também são bastante usadas como presente.

Entretanto, neste ano, a venda dessas flores podem ser afetadas pelo alto preço que elas estão.

“Por exemplo, um buquê de uma dúzia de rosas vermelhas, no Dia das Mães ficou entre R$ 85 a R$ 120, dependendo da qualidade da rosa. Para o Dia dos Namorados, deve ficar de R$ 140 a R$ 220, também dependendo da qualidade da flor”, explica Flávio Vieira.

Segundo ele, esse aumento no preço se deu em razão da pandemia e do clima, que ficou mais frio e dificultou as plantações.  

A pandemia influenciou diretamente nas vendas de flores. Com o fechamento do comércio, Matheus conta que as floriculturas encararam uma crise intensa. “Muito dos produtores pararam de plantar rosas e começaram a plantar hortaliças. Alguns até pararam de cuidar das plantações. Outros, até mesmo, mandaram boa parte dos funcionários embora”, relatou.

Nesse contexto, o preço das flores começou a subir além do já esperado para essa época do ano. “Há um mês, os produtores estavam doando as rosas. Mas, agora, está em falta no mercado por causa da demanda”, conta Matheus.

Ele explica que não vale a pena plantar a rosa, já que a flor é muito delicada e difícil de cuidar. “Além do investimento da estufa, você tem que cuidar com os melhores produtos. Tem gente que planta rosas há mais de 30 anos, investe na área, mas ainda não sabe todos os segredos. Neste momento de pandemia, é melhor comprar a rosa na mão de quem vai jogar fora”, explica.

Datas Especiais


O floricultor Matheus comenta que o Dia dos Namorados, Dia das Mães e o Dia da Mulher são as datas que em que há o maior volume de vendas. “Cada uma data tem a sua especificidade. Durante o Dia da Mulher, saem muitos botões de rosa. Já no Dia dos Namorados, vendemos muitos buquês”, explica.
Setor fica de olho em outras datas do ano para continuar a faturar com a venda de flores(foto: Matheus Melo/Divulgação )
Setor fica de olho em outras datas do ano para continuar a faturar com a venda de flores (foto: Matheus Melo/Divulgação )


Segundo Matheus, o Dia das Avós e o Valentine's Day também movimentam as lojas, porém, nem sempre com a mesma intensidade das outras datas comemorativas.

Matheus afirma que, durante essas datas, os floricultores chegam a trabalhar mais de 32 horas seguidas a fim de lucrar. Depois desta época de produtividade, as vendas caem bastante: “Tanto antes quanto depois de datas festivas, a gente tem uma queda brusca nas vendas”.

A fim de aumentar o consumo de flores em outras épocas do ano, a Associação de Distribuidores e Produtores de Flores de Minas está criando algumas campanhas. “Após o Dia dos Namorados, neste ano não teremos mais nenhuma data de impulso específico. Mas teremos algumas datas para trabalhar e tentar aumentar o consumo de flores como Dia dos Professores, Dia da Secretária, Dia dos Finados, Natal e réveillon”.

Entretanto, Flávio lembra que essas não são datas de alta procura dos clientes pelas flores. “Não são datas de grande consumo, mas que devemos dar uma atenção especial para elas”, comenta.

*Estagiária sob supervisão da subeditora Kelen Cristina

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