Publicidade

Estado de Minas CRISE NA PANDEMIA

Com efeitos do coronavírus, indústria mineira perde produção e empregos

Pesquisa de sondagem da Fiemg aponta que uso da capacidade instalada e estoques das fábricas em Minas caíram com isolamento social


postado em 27/04/2020 16:41 / atualizado em 27/04/2020 18:53

(foto: Leo Lara/FCA)
(foto: Leo Lara/FCA)
Enquanto a o número de casos e mortes de coronavírus avançam em Minas Gerais e no Brasil, as estatísticas também começam a mostrar os impactos do isolamento social na atividade econômica. Na indústria mineira, a produção, o total de empregados, a utilização da capacidade produtiva instalada e os estoques caíram em março em relação a fevereiro. Além disso, os empresários não estão satisfeitos com as margens de lucro e se dizem pessimistas para os próximos seis meses. 

 

Esse é o cenário revelado pela pesquisa de sondagem industrial de março, divulgada nesta segunda-feira (27) pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). É a primeira feita depois da adoção ampla da política de distanciamento para combater a COVID-19. A pesquisa ouviu 179 empresas do estado, incluindo pequenas, médias e grandes, entre 1º e 14 de abril. A escala de pontuação vai de 0 a 100. Todos os valores abaixo de 50 pontos indicam queda e, acima disso, mostram alta.
 
O levantamento calcula que a produção industrial em Minas caiu 10,8 pontos em um mês, saindo de 46,8 em fevereiro para 36 em março. O índice de produção do mês também caiu 11 pontos em relação ao registrado há um ano, em março de 2019. Segundo a Fiemg, o valor deste mês é o mais baixo desde o de dezembro de 2014 (35,9), anotado durante o início da recessão brasileira. 
 
Segundo os dados, o número de funcionários que as indústrias mineiras empregam caiu com a pandemia. O índice registrado neste mês está abaixo de 50: 46,6 pontos. Em fevereiro, foi calculado 51,8, o que representa queda em 5,2 pontos em um mês.
 
Antes do coronavírus, a indústria do estado estava empregando mais, já que a pesquisa registrou valores acima de 50 em dezembro de 2019 e em janeiro e fevereiro de 2020. O índice de emprego de março deste ano caiu 3,5 pontos, se comparado com o do mesmo mês do ano passado (50,1) e é o menor em quatro anos. 
 
Outro fator avaliado na sondagem é a utilização da capacidade instalada, que mede quanto a indústria produz em relação ao que poderia produzir se operasse na capacidade total. Em março, esse valor caiu 13,8 pontos comparado a fevereiro, de 45,4 para 31,6. Segundo a Fiemg, isso indica que as empresas trabalharam durante o mês com uma capacidade “bem abaixo” da normal. Se a referência for março de 2019, o indicador caiu 8,1 pontos. 
 
O mau aproveitamento dos equipamentos não é um problema novo, mas que foi agravado pelo coronavírus. O índice não fica acima de 50 pontos desde pelo menos março de 2018. Antes da crise de saúde, os economistas já apontavam esse quadro como um das principais desafios a serem superados para que o país voltasse a crescer de forma sustentável. 
 
Em março, o estoque de produtos finais das empresas também diminuiu. O índice caiu de 49,4 pontos em fevereiro para 48,9 em março. Em março de 2019, a sondagem registrou 50,9 pontos nesse quesito.
 
Além disso, a pesquisa conclui que as indústrias fecharam março com um estoque aquém do que foi planejado. A demanda foi abaixo da esperada e o índice totalizou 49 pontos, 0,9 a menos do que em fevereiro. No mesmo mês do ano passado, a pontuação do estoque efetivo em relação ao planejado foi de 53,6 pontos. Esse também é um problema que já existia e o coronavírus piorou: os estoques vêm caindo desde novembro de 2019, segundo a série histórica da sondagem. 
 

Empresários insatisfeitos 

 
O levantamento ouviu os empresários da indústria de Minas sobre o nível de satisfação com o lucro operacional que as companhias tiveram no primeiro trimestre de 2020. A conclusão foi que eles estão cada vez menos satisfeitos quando o assunto é margem de lucratividade.
 
O indicador dos três primeiros meses deste ano registrou 40,5 pontos, uma queda de 4,4 pontos em relação ao do último trimestre do ano passado. Porém, a pontuação variou pouco se comparada com o começo de 2019, de 40,8 pontos.
 
Já o índice de satisfação dos empresários com a situação financeira foi de 44,7 pontos para os três primeiros meses de 2020. Isso indica que estão mais insatisfeitos do que no último trimestre de 2019 (50,1) e do que no primeiro trimestre do ano passado (46,8).
 

Baixa demanda é principal problema 

  
Depois do efeito do coronavírus, os donos de indústrias passaram a apontar a demanda interna insuficiente como o principal problema que seus negócios enfrentam: 37,5% dos entrevistados responderam dessa forma. Na pesquisa anterior, do último trimestre de 2020, essa era a segunda principal dificuldade. 
 
A baixa procura tomou o lugar da elevada carga tributária, que ficou na segunda colocação, com 32,2% das respostas, entre os problemas enfrentados nos três primeiros meses deste ano. Os impostos foram a maior reclamação dos empresários do setor durante quatro anos e meio.
 
No levantamento deste mês, outros problemas que os empresários da indústria mineira listaram foram a taxa de câmbio (25%), falta ou alto custo da matéria-prima (22,3%), burocracia excessiva (21,7%) e falta de capital de capital de giro (19,3%). 
 

Pessimismo para os próximos meses 

 
Com a crise provocada pelo coronavírus longe de acabar, os industriais ouvidos esperam vender menos, comprar menos matéria-prima, empregar menos e investir menos nos próximos seis meses. O indicador de expectativa de demanda – o quanto os empresários imaginam que as pessoas queiram comprar os produtos – caiu em 30,8 pontos nesta pesquisa (29,4) em relação à última (60,2).
 
Esperando tão pouco consumo, os empresários do setor industrial também reduziram a projeção de compra de matéria-prima para a menor da série histórica. O índice registrou 31,6 pontos nesta pesquisa, enquanto na última chegou a 58,6. 
 
A sondagem deste mês indica que haverá menos funcionários trabalhando nas fábricas nos próximos seis meses. O índice de expectativa do número de empregados caiu para 34,7 pontos, 19,5 a menos do que o registrado no levantamento passado. Esse valor é o menor registrado na série histórica da pesquisa.
 
Por fim, a intenção de investimento caiu de 63 pontos no último questionário para 37,5 pontos neste. A Fiemg afirma que, com isso, o indicador voltou ao patamar de 2015 e 2016, anos de recessão no Brasil. 
 
*Estagiário sob supervisão do subeditor Eduardo Murta


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade