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Estado de Minas FALTAM LEITOS DE UTI

Zona da Mata e Sul de Minas reforçam hospitais para atender aos vizinhos

Polos regionais, Juiz de Fora e Pouso Alegre sofrem a pressão de dezenas de municípios menores ao seu redor que não dispõem de tratamento intensivo contra o coronavírus


postado em 24/04/2020 04:00 / atualizado em 23/04/2020 22:53

De acordo com o prefeito de Juiz de Fora, Antonio Almas, o principal desafio é manter o achatamento da curva de contaminação pelo novo coronavírus frente à escassez de leitos de UTI na região. Além disso, Almas ressalta que o município está na região próxima do Rio de Janeiro, um dos estados mais afetados pela COVID-19.
A cidade é a segunda depois de Belo Horizonte com maior quantidade de registros da COVID-19.
 
Segundo boletim epidemiológico divulgado ontem, a Zona da Mata contabiliza 136 casos confirmados e quatro óbitos, sendo que, 100 registros e dois óbitos se referem a Juiz de Fora. O prefeito da cidade revela que antes da pandemia, os 108 leitos de UTI do sistema público de saúde estavam com ocupação média de 95%. Com a chegada da pandemia a situação pode ficar crítica caso o isolamento social não seja cumprido.
Para Antonio Almas, que também é médico, durante a pandemia de coronavírus, 5% dos pacientes infectados vão desenvolver o quadro crítico da doença. “Se apenas 1% da população juiz-forana adoecer, nós vamos ter 6 mil pessoas contaminadas e, dessas, 300 vão necessitar de UTI em um período de 60 dias. Se considerarmos 15 dias de internação por pessoa, nós vamos precisar de 75 leitos de UTI”, ressalta.
 
Juiz de Fora tem ao todo, nos sistemas público e privado, 190 leitos de UTI, com 69,4% de ocupação. Há a previsão de aumento de 25 unidades. Leitos ocupados por pacientes com COVID-19, na cidade, correspondem a 12%. O Superintendente Regional de Saúde, Gilson Lopes Soares, diz que a instituição está na fase final de elaboração de um plano de contingência de enfrentamento ao coronavírus.
 
Soares conta que além dos 94 municípios que compõem a regional, há outras cidades – principalmente do Rio – que usam o sistema de saúde privado em Juiz de Fora.A Regional conta com 241 leitos de UTI e 266 leitos clínicos, exclusivamente para internação de pacientes com COVID-19.

Novos leitos No Sul de Minas, a cidade de Pouso Alegre é referência no atendimento para outros 32 municípios da microrregião. Com o aumento dos casos de COVID-19 na região, o Hospital das Clínicas Samuel Libânio tem sido preparado para atender a demanda crescente. Recentemente, a capacidade de atendimento foi ampliada para 60 leitos clínicos e 40 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo a secretária de Saúde, apenas um leito estava ocupado até ontem.
 
O aumento no número de leitos ocorreu depois que o Samuel Libânio recebeu equipamentos de um hospital particular desativado na vizinha Santa Rita do Sapucaí. Outra medida adotada foi a transferência da maternidade do hospital público de Pouso Alegre para a instituição particular Santa Paula, que passou a atender as gestantes do Sistema Único de Saúde (SUS).
 
“Nesse momento, a cidade está tranquila em relação aos leitos disponíveis para tratar pacientes que venham a contrair o coronavírus”, afirma a secretária de saúde de Pouso Alegre, Sílvia Regina Pereira. A Superintendência Regional de Saúde do município é a que tem o maior número de casos positivos para novo coronavírus, com 79 registros confirmados e sete mortes pela COVID-19. No município-polo, são 19 registros confirmados e duas mortes, segundo o boletim de ontem da Secretaria de Estado de Saúde (SES).
 
Poços de Caldas, maior cidade do Sul de Minas, com 167 mil habitantes, e que também faz parte da superintendência de saúde de Pouso Alegre, tem 10 casos de COVID-19, com uma morte.De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, a cidade dispõe de 38 leitos de UTI exclusivos para tratar da doença respiratória. Até quarta-feira, quatro leitos estavam ocupados. No mês que vem, o número de leitos deverá subir para 77 dedicados ao tratamento contra o novo coronavírus.
 
A situação é também delicada na cidade de Extrema, na divisa com São Paulo, onde foram verificados 19 casos e uma morte. A prefeitura local montou uma barreira sanitária no portal de entrada e também adotou toque de recolher entre 18h e seis da manhã durante o último feriado prolongado.


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