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Estado de Minas CAMINHÕES E ÔNIBUS

Volvo anuncia R$ 1 bi em investimentos

Com o melhor desempenho da história em 2019, a montadora sueca vai destinar os recursos, entre 2020 e 2023, para o desenvolvimento de novos produtos no Brasil


postado em 06/02/2020 04:00

Linha de produção de caminhões trabalha em dois turnos. Em algumas áreas da fábrica, no Paraná, chega a operar em três períodos(foto: Divulgação)
Linha de produção de caminhões trabalha em dois turnos. Em algumas áreas da fábrica, no Paraná, chega a operar em três períodos (foto: Divulgação)

São Paulo – A Volvo, montadora sueca de caminhões e ônibus, anunciou ontem que pretende investir R$ 1 bilhão na América Latina no período de 2020 a 2023. Esse valor se soma aos R$ 250 milhões que a companhia já havia anunciado para este ano.
 
Wilson Lirmann, presidente da Volvo América Latina, não aprofundou o plano de investimentos na apresentação dos números, feita ontem, em São Paulo. Em linhas gerais, o executivo informou que os recursos serão destinados a pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços em todas as divisões de negócios.
 
No projeto da Volvo, estão incluídas a ampliação da rede de distribuição em países como Argentina e Peru, desenvolvimento do que o executivo chama de “evolução de produtos, de novas tecnologias e indústria 4.0”, mais recursos para a unidade de motores, no desenvolvimento de modelos e na linha fabril. Por uma questão estratégica, Lirmann não detalha quais áreas devem receber mais recursos nos próximos anos.
 
Como a produtividade é elevada, o executivo ainda não confirma se serão feitas contratações de funcionários nos próximos meses. Hoje, a linha de produção de caminhões já trabalha em dois turnos e em algumas áreas da fábrica, no Paraná, chega a operar em três períodos. Se forem somados os recursos investidos desde 2017, os aportes da Volvo na região poderão chegar a R$ 2,25 bilhões.
Os veículos elétricos ainda não estão de fato nos planos da montadora sueca para a região. Hoje, a empresa ainda tem se dedicado a monitorar custos e ao desenvolvimento da cadeia de fornecedores até definir quando poderá ofertar esses modelos na América Latina. “O futuro é elétrico. Na Europa, esse desenvolvimento já está acontecendo”, comenta o presidente.

AMEAÇA CHINESA Apesar do otimismo, Lirmann terá pela frente alguns desafios. Um deles é a contaminação por coronavírus na China, onde estão muitos dos fornecedores da companhia. Hoje, há fábricas, inclusive de autopeças, que estão com as portas fechadas em uma tentativa do governo chinês de conter o aumento de casos da doença.
 
O executivo da Volvo, no entanto, lembra que, em 2002, outro vírus, que provoca a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), também causou uma onda alarmista no mundo depois que começaram a surgir casos na China, mas que rapidamente a doença foi contida pelos agentes de saúde governamentais.
 
“As ações estão sendo encaminhadas. Nossa área de logística está coordenando os fornecedores no mundo. Esse é um trabalho feito constantemente. Não nos preocupamos com possíveis efeitos no curto prazo, mas o caso precisa de atenção”, analisa Lirmann.
 
Para fugir de problemas como o do coronavírus na China ou a crise na Argentina e no Brasil, que causou abalos nos fornecedores, a Volvo deve usar parte dos recursos anunciados para o período 2020-2023 também no desenvolvimento de fornecedores locais.

CONTAS PÚBLICAS Outro ponto de atenção, como descreve Lirmann, é o que ele chama de 'desafio do déficit fiscal'. “O resultado fiscal de receitas não recorrentes ainda em um nível elevado. Com isso, temos certas questões que precisam ser resolvidas. A recuperação do emprego ainda é lenta, temos um nível elevado de desemprego e há incertezas do mercado externo, o que não é uma novidade”, analisa. Segundo o executivo, como esses são fatores externos, a estratégia é se concentrar na melhoria da competitividade.
 
Em 2020, a previsão da montadora é chegar a um crescimento de até 15% na divisão de caminhões com capacidade superior a 16 toneladas. Essa projeção, segundo a direção da Volvo, está atrelada à recuperação do consumo e dos bons níveis de emprego.
 
O agronegócio ainda é um setor da economia que vem impulsionando os negócios da empresa e deve manter esse status em 2020, já que há perspectiva de safra recorde de grãos e uma evolução dos preços do setor sucroalcooleiro. A montadora também acredita que o setor da construção deva manter o ritmo de retomada dos negócios, o que deve trazer impacto positivo para as vendas do setor de caminhões.

RETOMADA “A construção foi a que mais sofreu por uma série de circunstâncias. Na Fenatran (o Salão Internacional do Transporte Rodoviário de Cargas, que aconteceu no ano passado, em São Paulo), já percebemos boas perspectivas para o setor residencial, mas que deve se repetir na infraestrurura, segundo aponta o cenário”, diz o presidente da Volvo. No evento, a montadora fechou cerca de R$ 1 bilhão em contratos e atendeu a 10 mil clientes, aproximadamente.
 
Além do anúncio sobre investimentos na América Latina, o presidente da operação divulgou os números da Volvo em 2019. O Brasil terminou o ano como o segundo maior mercado do grupo no mundo. As vendas de caminhões pesados aumentaram 58%, com a entrega de 14.505 unidades. O segmento de semipesados apresentou uma alta de 55,5% e os emplacamentos chegaram a 2.339. Com esse resultado, segundo Alcides Cavalcanti, diretor comercial de caminhões, a marca voltou à liderança no segmento de pesados.
 
Segundo Lirmann, o crescimento da Volvo foi acima da média do setor no segmento de pesados (48,7%). As vendas de 2019 representaram o melhor ano da história da montadora em pesados. O segmento de semipesados apresentou uma evolução um pouco menor, de 30%. Já as vendas de ônibus cresceram 73% no Brasil, com 744 unidades comercializadas. As exportações tiveram um desempenho um pouco maior, com alta de 77%, num total de 1.055 unidades que tiveram como principais destinos a Colômbia e o Chile.

CARGAS Os caminhões usados fora de estrada, por setores como o de mineração, canavieiro e florestal, têm mantido uma posição relevante nos negócios da multinacional. No ano passado, a Suzano, uma das maiores empresas de celulose do mundo, encomendou os primeiros veículos, de 52 metros de comprimento e com capacidade para transportar até 200 toneladas.
 
Mas foram duas empresas do setor de transporte de cargas que se destacaram na lista dos clientes com a maior carteira de pedidos. A TransBen, de Santa Catarina, adquiriu 320 caminhões no ano passado. Já a IC Transportes comprou por volta de 300 unidades que serão entregues ao longo de 2020.
 
O ano de expansão dos negócios influenciou no desempenho do braço financeiro da montadora. A Volvo Financial Service (VFS) cresceu 80%. Se forem agrupadas as operações do Banco Volvo e Consórcio Volvo, a VFS esteve presente em 40% das vendas de caminhões, ônibus e equipamentos de construção no país. Em 2019, também houve um aumento de 20% na venda de seguros para caminhões.



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