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Estado de Minas PESQUISA

Maioria dos brasileiros não tem renda para pagar despesas do início do ano

Pesquisa mostra que só 11% têm condição de pagar as despesas tradicionais de começo de ano. Cerca de um quarto precisa fazer economia


postado em 09/01/2020 04:00 / atualizado em 09/01/2020 07:55

Compras de material escolar: a previsão é de aumentos de preços na ponta do consumo de 8%(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press 14/1/19)
Compras de material escolar: a previsão é de aumentos de preços na ponta do consumo de 8% (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press 14/1/19)

Só um brasileiro a cada 10 afirmam ter condições de pagar as tradicionais despesas do início do ano com o próprio rendimento, sem que seja necessário fazer economia ou reserva financeira, segundo pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). O levantamento de dados considera despesas como o pagamento dos impostos Predial e Territorial Urbano (IPTU) e sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e a compra de material escolar.
 
Enquanto 11% vão bancar os gastos com a própria renda, outros 22% dos entrevistados não fizeram planejamento financeiro para pagar tais compromissos neste início de ano. Foram entrevistadas 813 pessoas de ambos os sexos e com mais de 18 anos, de todas as classes sociais, e em todas as regiões do país. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.

A pesquisa mostrou, ainda, que a maior parte (26%) dos entrevistados teve de economizar nas festas de fim de ano e com as compras de Natal para conseguir pagar as despesas de início de ano. Outros 21% guardaram ao menos parte do 13º salário para honrar os compromissos, e 17% disseram ter montado reserva ao longo de 2019 para cobrir os gastos no futuro.
 
Os gastos exigem tanto esforço do brasileiro que 14% das pessoas ouvidas na pesquisa da CNDL e SPC passaram a fazer algum bico para acumular renda extra e poder acertar as contas. Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, quem já se organizou para esse momento está em situação mais confortável do que aqueles que terão de parcelar as despesas.
 
“O recomendável é que o consumidor já tenha traçado no fim do ano passado um planejamento das suas despesas sazonais, separando mensalmente quantia para essa finalidade. Mas, quem ainda não teve tempo ou nem pensou nisso precisa agilizar a organização para não passar sufoco e manter a disciplina para que as prestações não desajustem o orçamento”, afirma a economista.

À vista ou parcelado?


Os especialistas do SPC Brasil explicam que para se livrar de compromissos como IPTU e IPVA o mais cedo possível, o recomendado é sempre pagá-los à vista, geralmente, com alguma reserva montada para saldar esse tipo de gasto. Aquele consumidor mais organizado e que quiser avaliar se o desconto no pagamento único é vantajoso em vez do parcelamento, deve fazer um cálculo mais criterioso.
 
O primeiro passo é avaliar se o desconto oferecido é maior do que o valor que esse dinheiro renderia caso estivesse aplicado. Na poupança, por exemplo, rende 0,3% ao mês e há isenção de taxas. No caso do IPTU, considerando-se um parcelamento em 10 meses, o pagamento à vista será vantajoso se o desconto for superior a 1,5%. No caso do IPVA, supondo um parcelamento em três vezes, para o pagamento ser realmente vantajoso, basta que o desconto supere os 0,5%.


Mais caro


A Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae) estima elevação de 8% nos preços de material escolar nas papelarias, acima da inflação oficial do país, que deve ficar em cerca de 4%. Mas, uma pesquisa bem-feita pode trazer alívio ao bolso: na cidade de São Paulo, o valor dos produtos chega a variar 333%, segundo a coordenadoria de proteção e defesa do consumidor (Procon). A pesquisa do Procon de São Paulo analisou os preços de 126 produtos entre 9 e 11 de dezembro em oito estabelecimentos de todas as regiões da capital. (Com Agência Brasil)



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