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Estado de Minas

Setor de franquias ignora crise e registra crescimento de 6,1% no primeiro semestre

Mesmo com dificuldades econômicas, empresas viram faturamento total atingir a marca de R$ 182 bilhões nos últimos 12 meses


postado em 18/11/2019 04:00 / atualizado em 18/11/2019 08:27

Ramo de alimentação tem desempenho crescente assim como franchising de construção e de moda (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 25/10/18)
Ramo de alimentação tem desempenho crescente assim como franchising de construção e de moda (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 25/10/18)

 
Responsável por 2,6% do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB), o setor de franquias nacional teve um crescimento de 6,1% no primeiro semestre deste ano. Mesmo com as dificuldades na economia brasileira, o faturamento continua em alta, passando de R$ 47 bilhões neste trimestre, o que anima o segmento para as vendas de final de ano.

Após uma oscilação nos últimos dois anos, o setor se solidificou em 2019 e cresceu em todas as esferas. O estudo Desempenho do Franchising Brasileiro, que avaliou o primeiro trimestre deste ano, divulgado recentemente pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), revelou que todos os 11 segmentos listados pela entidade tiveram um desempenho positivo neste terceiro trimestre. No acumulado de 12 meses até outubro, o setor arrecadou cerca de R$ 182 bilhões, um aumento de 6,8%, em relação ao fechamento do ano passado, que foi de 6,3%, no mesmo período.

Os setores que tiveram maior destaque foram de Casa e Construção (9,1%), Moda (8,6%), Comunicação, Informática e Eletrônicos (8,3%), Hotelaria e turismo (7,2%). Além disso, O franchising é um dos setores que menos fecha lojas. Segundo estudo, o índice de abertura de lojas no terceiro trimestre foi de 4,3%, contra o fechamento em 1,4%.

O levantamento da ABF aponta a criação de 1.342 milhão de postos de trabalho formais neste trimestre, uma alta de 4%. No final do ano passado, 56 milhões de pessoas estavam empregadas graças ao setor de franquias. “É o sexto mês consecutivo que o Brasil vem crescendo no emprego formal”, observa Marcelo Maia, diretor-executivo da associação.

Multifacetado, o franchising compõe uma gama variada de negócios. É possível encontrar até unidades móveis e com investimentos de R$ 400. Para especialistas, este é um modelo que abraça dois tipos de empreendedores: quem tem vontade de investir nas próprias ideias e se tornar um franqueador, ou quem prefere investimentos de baixo riscos, com marcas mais consolidadas. Segundo especialistas, o segmento mais crescente é o de alimentação, mas serviços de estética e ensino de idiomas também estão em alta.

Alternativa 

Segundo o CEO do Grupo MD e autor do livro Marketing para franquias, Denis Santini, hoje, o franchising está mais democrático, por conta do volume de opções que o mercado oferece. Ele afirma que a crise levou o modelo ser a segunda opção de renda familiar ou alternativa ao desemprego. Dos investidores do modelo, aproximadamente 40% são mulheres e 60% homens, com idades entre 35 e 80 anos, as pessoas da chamada economia prateada.

“A franquia é uma opção para iniciar a vida empreendedora. Nas microfranquias, por exemplo, os jovens interessados em empreender e sem experiência profissional podem contar com os processos e aprendizados dos franqueadores o que é incrível. Serviços para a geração prateada (nova nomenclatura para 60+) também começam a ocupar um espaço relevante para empreendedorismo e claro consumo, neste caso serviços estéticos e viagens”, explica Santini.

Fábio Spina, diretor de Operações da Casa do Construtor, primeira franquia brasileira especializada na locação de máquinas e equipamentos de pequeno porte para a construção civil, atribui a melhoria no segmento de construção ao crescimento modesto da economia brasileira, que mudou os interesses do público ao, segundo ele, darem mais importância para o conforto do que gasto com supérfluos. Spina explica que neste período houve um aumento de 24% das vendas e a maioria (60%) da clientela são pessoas físicas. “São donos e donas de casa que estão realizando pequenas reformas, adequações e manutenções em suas residências, já que temos muitos equipamentos de pequeno porte. Ou seja: quem não troca de casa faz melhorias”, aponta.

No segmento de vestuário, o segundo com maior alta, a razão para o crescimento é a procura do consumidor por marcas que “estejam cada vez mais preocupadas em democratizar a moda de forma a aliar qualidade e durabilidade com preço justo”, segundo o diretor de expansão do Grupo Hope, Elton Deretti. Ele também destaca a aproximação das marcas com os clientes, por meio de lojas online, pontos de vendas diferentes dos shoppings a fim de facilitar o acesso aos produtos e proporcionar uma nova experiência de consumo.

Segundo a ABF, a situação ocorre pelo cenário de inflação baixa que faz com que as pessoas tenham mais crédito o consumam mais. “Com as taxas e juros em queda, as pessoas estão dispostas a consumir um pouco mais. É isso que pode fazer o crescimento”, apontou Maia. O estudo também revelou a expectativa de fechar o ano em 7%, diferentemente dos 10% projetados no começo do ano. O presidente da ABF, André Friedheim, afirmou que, passado o período eleitoral de 2018 e dificuldades na economia brasileira, a expectativa diminuiu para 7%. “No final das eleições do ano passado, os associados estavam muito mais otimistas. Passado o começo do ano, a expectativa diminuiu. Estamos esperando o Natal e Black Friday e, seguramente vamos tentar chegar aos 7%, mas pode ser que cheguemos a 8%”, estima.


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