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Estado de Minas POLO DE TECNOLOGIA

Vale da eletrônica em MG quer reconhecimento como parque tecnológico aberto

Santa Rita do Sapucaí busca essa condição que facilita acesso de empresas da região a recursos com taxas menores e políticas de incentivo


postado em 26/08/2019 06:00 / atualizado em 26/08/2019 11:06

Feira Industrial do Vale da Eletrônica, realizado na última semana, mostrou a produção de inovações na cidade(foto: Fivel/divulgação)
Feira Industrial do Vale da Eletrônica, realizado na última semana, mostrou a produção de inovações na cidade (foto: Fivel/divulgação)


A pequena notável Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, abriga população de 42 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ela poderia ser apenas uma cidade comum do interior do estado, porém, o que está dentro dos cerca de 352 quilômetros quadrados de seu território extrapola suas fronteiras e alcança o mundo. O polo eletrônico – comparado ao Vale do Silício, na Califórnia (EUA), por ter surgido na mesma época e por abrigar pulsante produção de inovações –, tem expressão mundial e está por trás de inovações como o desenvolvimento do padrão brasileiro de TV Digital, toda a elaboração e confecção das urnas eletrônicas, e pelo desenvolvimento da tecnologia 5G.

O passo importante agora para o município, reconhecido internacionalmente por sua inovação, é conseguir o reconhecimento, por parte do governo, como sendo parque tecnológico aberto. Condição que impulsionaria ainda mais as indústrias da região.
 
Atualmente, no Vale da Eletrônica, o Arranjo Produtivo Local (APL) – aglomeração de empresas, localizadas em um mesmo território, que apresentam especialização produtiva e mantêm vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e com outros atores locais –, tem 153 indústrias de tecnologia que geram 14.700 empregos e com confecção de cerca de 14.500 produtos. O faturamento em 2018 foi de R$ 3,2 bilhões.

Segundo o Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), para os próximos 18 meses a expectativa é que só em novos negócios as indústrias faturem mais R$ 1 bilhão. Outros dados do Sindvel mostram que o investimento em pesquisa feito pelas indústrias, mesmo durante a crise, alcançou o montante de R$ 300 milhões por ano, em média.
 
Desse investimento em pesquisa, estão soluções para a indústria 4.0, Internet das Coisas – que é a forma como ocorre as interações com eletrodomésticos, que podem ser acionados remotamente ou se autoabastecer, como as geladeiras, por exemplo –, biotecnologia sustentável para o campo, aparelhos de segurança pública e eletromédicos de diagnóstico a distância.

Tudo isso foi apresentado na Fivel – 15ª Feira Industrial do Vale da Eletrônica, que ocorreu na última semana na cidade. Presente na abertura da feira, o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, afirmou que a cidade do Sul de Minas, apresenta um arranjo “inusitado” para uma cidade do interior e que representa a “visão e a percepção do futuro”.
 

Biotecnologia


Entre as inovações apresentadas na feira para a área de biotecnologia está, entre outras coisas, um aparelho de eletrocardiograma, chamado de “Cardiofit”, que permite que sejam feitos exames e laudos a distância. Um aparelho é colocado no paciente e pelo celular o médico recebe on-line os resultados do monitoramento dos batimentos do coração. 
 
De acordo com Roberto Couto Júnior, engenheiro da Ventrix, empresa responsável pelo desenvolvimento da tecnologia, a possibilidade de fazer os exames em qualquer momento e em qualquer lugar resolve uma série de problemas e ainda permite diagnósticos mais precisos. “O resultado do monitoramento é enviado diretamente ao médico e o problema pode ser tratado mais rapidamente”, afirmou.
 
As tecnologias desenvolvidas em Santa Rita do Sapucaí também alcançam problemas de segurança pública. Uma tornozeleira eletrônica, desenvolvida por outra indústria, a Alarmes Santa Rita, permite determinar que o alvo da medida tenha rotas estabelecidas e locais onde pode frequentar ou mesmo horários para estar em casa.

Caso as condições estabelecidas sejam desrespeitadas, um alarme é emitido para a Justiça e para a pessoa que está com a tornozeleira. Mas a principal realização, segundo os responsáveis pela tecnologia, está no uso em medidas protetivas. Nesses casos, a mulher vítima e a Justiça são avisadas caso o agressor avance sobre a distância preestabelecida. Caso ele insista, a mulher ainda pode acionar um botão de pânico.

PRÓXIMOS PASSOS

A principal atração do Vale da Eletrônica em Santa Rita do Sapucaí para as indústrias não está em políticas de incentivo com redução de impostos, mas na configuração que permite reunir toda a cadeia produtiva, desde a pesquisa, o desenvolvimento até a fabricação do produto. O ambiente formado atrai os empresários e permite que quem se forma também fique por lá. “O arranjo produtivo local fornece todas as possibilidades para que a gente cresça de forma menos difícil”, conta Carlos Cerqueira, diretor comercial da Lumenx.
 
A empresa em que ele é um dos sócios desenvolveu interruptores que podem ser acionados apenas com o toque dos dedos, e principalmente, não necessita que sejam furadas as paredes, já que ela por ser de fina espessura, pode ser colada na parede. Além disso, todo o sistema pode também pode ser acionado via aplicativo. Assim, se a pessoa perceber que esqueceu uma lâmpada acessa em outro cômodo e está com preguiça de levantar para apagar, pode desligar a iluminação do aparelho celular, via aplicativo desenvolvido pela empresa.
 
Para que o crescimento seja ainda maior, a expectativa do presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto, é que o vale da eletrônica seja reconhecido como parque tecnológico aberto. Segundo ele, até o momento o polo tecnológico se desenvolveu por forças próprias, fruto de trabalho árduo, organização e dedicação. Mas a identificação como parque fará com que outras portas se abram. “O reconhecimento permitirá que as indústrias tenham acesso a financiamentos com taxas mais vantajosas e também possibilitará que sejam aplicadas políticas de incentivo”, afirmou.
 
A Subsecretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação não deu sinalização positiva para a demanda. O argumento da pasta é que para que o reconhecimento ocorra é necessário que sejam feitas alterações na lei. O que não há prazo para que ocorra. “A Subsecretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação informa que para o reconhecimento de um Parque Tecnológico Aberto são necessários ajustes na legislação atual”, informou em nota.
 
Polo eletrônico


153 
indústrias de base eletrônica

14.700 
empregos

14.500 
produtos

R$ 3,2 
bilhões de faturamento em 2018

R$ 1 bilhão 
de faturamento em novos negócios nos próximos 18 meses
 
Fonte: Sindvel 
 


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