Publicidade

Estado de Minas

Fiemg vê equívoco em corte nos repasses ao Sistema S

Instituição mineira reage à proposta do futuro superministro Paulo Guedes, destacando que recursos financiam treinamento de pessoal e ensino profissionalizante em todo o país


postado em 22/12/2018 06:00 / atualizado em 22/12/2018 07:58

"Em todo lugar do mundo o ensino profissionalizante é prioridade e geralmente tem subsídio. E, nesse caso, nem é o governo quem subsidia: é a própria iniciativa privada", diz Flávio Roscoe, Presidente da Fiemg (foto: Alexandre Rezende/Encontro - 23/11/18)
O presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, disse ontem que ao declarar a intenção de “meter a faca” no Sistema S – que reúne nove entidades empresariais voltadas para o treinamento profissional, assistência social, consultoria, pesquisa e assistência técnica – o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, colocou o “bode na sala”. Segundo ele, as afirmações de Guedes têm efeito “midiático” e erram a prioridade do que sejam os problemas do Brasil. “Isso é de efeito midiático, visa botar o bode na sala. Acho que está errando a ordem de prioridades. Deveria estar atacando os problemas do Brasil. E este está longe de ser problema: é grande ativo do Brasil”, assinalou. “É um péssimo começo de reforma”, disse.

Roscoe criticou o que chamou de cultura no Brasil de “bater em empresário” e manifestou preocupação de que se converta esses impostos sobre a folha de pessoal – que atualmente financiam o Sistema S – em um outro imposto destinado ao governo. “Espanta quando o governo fala: eu vou começar por aí. Não vai começar pela Previdência, pelos gargalos, pelo setor público, mas por aquilo que é bem gerido no setor privado, que tem índice de produtividade maior do que o serviço público? Tem alguma coisa errada”, considerou Roscoe, depois de afirmar que tem agenda esta semana com o economista Marcos Cintra, que será secretário- geral da Receita Federal.

Atualmente, uma parte das contribuições e tributos que as empresas pagam sobre a folha de pagamento é repassada para as entidades do Sistema S. O dinheiro deve ser usado para treinamento profissional, assistência social, consultoria, pesquisa e assistência técnica. Neste ano, foram repassados R$ 17,1 bilhões. Em 2017, o repasse foi de R$ 16,5 bilhões.

“Somente o sistema indústria, ou seja, somente o Senai, formou 73 milhões de brasileiros desde a sua fundação. Anualmente em Minas o Sesi e o Senai da indústria formam 160 mil pessoas nas mais diversas áreas de atuação. São muito relevantes para a retomada da indústria, pois formam toda a mão de obra e até para a própria população”, disse o presidente da Fiemg.

“Em todo lugar do mundo o ensino profissionalizante é prioridade e geralmente tem subsídio. E, nesse caso, nem é o governo quem subsidia: é a própria iniciativa privada. É a indústria que paga o percentual sobre a sua folha de pagamento para treinamento de sua mão de obra e você não vê uma grita generalizada da indústria para não pagar o Sistema S”, assinalou, em referência ao fato de que as empresas formam profissionais tidos como fundamentais para a produtividade da economia.

Educação Segundo Roscoe, se ocorrerem cortes de 30%, como sugerido por Paulo Guedes, haverá cortes correspondentes nas escolas do Sesi. “As nossas escolas do Sesi são quase sempre a melhor escola da cidade do interior, a segunda ou a terceira”, afirmou, acrescentando que elas atendem alunos de mesmo perfil sociodemográfico das escolas públicas. “Este é um trabalho de inclusão que o Sesi faz com o apoio da indústria. E também o Senai dá formação profissional para milhões de pessoas que são vitais para a produtividade da indústria”.


Publicidade