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Estado de Minas

MRV diversifica e usa tecnologia para crescer

Construtora avança em outros segmentos e busca reduzir gastos fixos com a ajuda de inovação


postado em 07/12/2018 06:00 / atualizado em 07/12/2018 09:15

(foto: FOTOS: DIVULGAÇÃO)
(foto: FOTOS: DIVULGAÇÃO)

 

São Paulo – Maior construtora de imóveis residenciais da América Latina, a MRV deve terminar 2018 com o lançamento de 48 mil unidades. No ano que vem, o número deverá chegar a 50 mil imóveis, o que é reflexo principalmente da retomada econômica. Para os copresidentes da companhia Rafael Menin e Eduardo Fischer, nem mesmo as indefinições sobre o maior programa habitacional do país, o Minha casa, minha vida (MCMV), ameaçam os planos de expansão.

 “Modificar radicalmente um programa exitoso como MCMV só se o cara for louco. Pode mudar o nome, algum parâmetro talvez, mas a chance de ruptura é muito pequena e somos a empresa mais protegida do mercado caso haja mudanças”, disse Menin em encontro com analistas e investidores, em São Paulo, no canteiro de obras do maior empreendimento já lançado pela MRV – o Gran Reserva Paulista, em Pirituba (Zona Oeste da capital paulista), com 7.300 unidades.

 Para Menin, o MCMV é um programa “exitoso” por uma série de características, como a abrangência nacional, a geração de empregos e de tributos, além de oferecer imóveis a um valor à população de menor poder aquisitivo.

 

 Diversificação

 Mas a companhia não mira apenas o segmento de imóveis dentro do programa federal. Para isso, lançou recentemente uma linha que utiliza recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Já foram feitos dois lançamentos, um em Salvador e outro em Belo Horizonte. Ontem, o Santander confirmou que será parceiro da MRV nessa modalidade de financiamento.

 “Estou otimista tanto com esse segmento quanto com o MCMV. É possível que a participação do SBPE nos negócios da MRV chegue a 25% nos próximos três a quatro anos”, prevê Fischer. Segundo Menin, esse tipo de estratégia vai blindar a companhia. “A MRV é a empresa mais protegida pela diversificação. Se tiver alguma mudança no MCMV, a única empresa capaz de manter crescimento somos nós.”.

Realidade Virtual  
 

Além do posicionamento em mais um segmento, a companhia também tem cuidado da redução das despesas. A tecnologia tem sido uma ferramenta importante nesse processo, conta Rodrigo Resende, diretor de marketing e vendas da MRV. Neste ano, a construtora passou a investir em realidade virtual para substituir os tradicionais apartamentos-modelo que são montados na época do lançamento de um empreendimento – que custam caro e, de tempos em tempos, têm de ser recuperados para continuar com uma aparência atraente.

 “Neste primeiro ano já tivemos uma economia de R$ 5 milhões com a troca do apartamento-modelo pela realidade virtual”, conta Resende. Foi contratada uma empresa dos Estados Unidos que desenvolveu uma série de recursos para que o software faça cerca de 800 combinações a partir das informações fornecidas pelo cliente.

 O interessado no imóvel coloca os óculos 3D e vê no tour virtual suas características e preferências, como cores, acabamentos ou quartos para filhos. É possível acrescentar até um animal de estimação ao passeio pela residência. Isso tudo sem ter de investir na construção de um apartamento, na mobília e na decoração, que mais tarde serão descartados ou vendidos por um valor bem abaixo do que foi pago.

 A nova tecnologia permite ao possível comprador personalizar e ver por meio da realidade virtual até mesmo o acabamento do imóvel, que poderá ser incluído na assinatura do contrato.

Inteligência Artificial

 

Outra ajuda da tecnologia para a diluição de gastos começou a ser implantada na área de seleção de corretores. Fischer lembra que o desempenho desses profissionais é muito diferente, com “uns vendendo muito e outros vendendo pouco”. Um software de Inteligência Artificial (AI), desenvolvido por uma startup israelense, foi comprado pela MRV para analisar as características dos melhores corretores e assim chegar a um padrão desses profissionais.

 “Estamos começando a usar essa tecnologia agora. Isso vai permitir que sejamos mais assertivos na seleção desses profissionais, porque o software já vai mostrar se eles têm o mesmo perfil, a partir de determinados dados, que o daqueles com os melhores resultados”, explica o copresidente.


 

 

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