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Estado de Minas

Calote avança pelo 5º mês em BH frente ao ano passado

Registros no cadastro de inadimplentes cresceram 1,97% em outubro, piora debitada à elevada desocupação e aos atrasos no pagamento dos servidores públicos do estado


postado em 30/11/2018 06:00 / atualizado em 30/11/2018 07:59

SPC da capital: Emprego escasso pressiona aposentados, que sustentam as contas da família (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press 19/11/14 )
SPC da capital: Emprego escasso pressiona aposentados, que sustentam as contas da família (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press 19/11/14 )

Os moradores de Belo Horizonte têm tido dificuldades para pagar suas contas em dia e a principal causa  está na elevada taxa de desemprego, segundo a avaliação da Câmara de Dirigentes Lojistas da capital (CDL-BH).  Em comparação com o ano passado, o número de devedores inscritos, em outubro, no cadastro de inadimplentes cresceu 1,97%, informou ontem a CDL-BH. O cenário fica dramático, quando se verifica que a taxa apresentou a quinta alta seguida do indicador, levando-se em consideração a base mensal de 2017.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o nível de desocupação no país estava em 11,7% no trimestre encerrado em outubro. Para Ana Paula Bastos, economista da CDL-BH, o desemprego impede que as pessoas cumpram todos os compromissos financeiros.


“A taxa de desemprego ainda está elevada. Apesar de ter desacelerado, ainda impacta. Além disso, há o fato os servidores do estado estarem recebendo pagamento de forma parcelada. Com isso, as pessoas não estão tendo condições de planejar o que vão pagar”, afirma a economista.

O governo do estado vem parcelando o salário do funcionalismo desde janeiro de 2016, mas, especialmente neste segundo semestre o problema se agravou, chegando, em alguns meses, a ocorrer o “parcelamento do parcelamento”. A justificativa dada pela administração estadual é a dificuldade em caixa. De acordo com a economista da CDL-BH, as despesas com água e luz são as que mais têm sofrido com a falta de pagamento. “Muitas vezes a pessoa tem que escolher e esses serviços são os que têm juros menores”, disse.

De acordo com a pesquisa, de julho a outubro, os índices de inadimplência na capital apresentaram aumento, quando comparados aos mesmos meses do ano passado. Em outubro, foi registrada a maior alta: 1,97%. Em junho o indicador avançou 1,35%; em julho, 1,17%; agosto, 0,66%, e setembro, 1,22%. A pesquisa ainda avaliou o indicador por gênero.

Neste caso, o índice de inadimplência entre as mulheres cresceu mais que entre os homens. A situação das mulheres é, na verdade, reflexo de salários menores e menos oportunidades de emprego, como explica a economista da CDL. “A mulher acaba consumindo um pouco mais por impulso, e geralmente cabe a ela fazer as compras, mas o principal fator é que a taxa de desemprego delas é maior e o salário é menor”, analisa. Dados do IBGE justificam a afirmação.

No terceiro trimestre do ano, de acordo com o IBGE, 13,7% delas estavam sem emprego. Já os homens enfrentam desocupação de 9,7%. Além disso, os rendimentos femininos são 29,7% menores que os dos homens. Apesar disso, o montante da dívida delas é menor e, em geral, elas saem da negativação mais rápido que eles, afirma economista.

Aposentados


 Outro recorte do levantamento é relacionado à idade dos pesquisados. Nesse aspecto, os maiores de 65 anos são os que apresentaram maior inadimplência, de 15,34%. A explicação para o fato, segundo Ana Paula, é que, muitas vezes, os idosos se aposentam, mas continuam sendo responsáveis por parte das despesas. “Além disso, muitas vezes eles são os únicos com renda na casa, isso se agrava com o número de desempregados. Se contar que eles emprestam cartão e se a pessoa não paga, a dívida fica no nome das pessoas nesta faixa etária”.

A despeito do crescimento do índice de inadimplência, o volume de dívidas contraídas pelos moradores de BH diminuiu. O levantamento feito pela CDL-BH registrou queda de 2,51%, em outubro, no número de débitos vencidos em comparação com o mesmo mês do ano passado. As empresas, por sua vez, passam por momentos também difíceis.

A pesquisa indicou que o índice de inadimplência entre as empresas teve alta de 6,18%. No ano passado, no mesmo período, houve elevação de 8,07%. Na comparação anual, o crescimento foi de 2,49%. Em 2017, a alta havia sido de 5,69%. Já na variação mensal (Out.18/Set.18), a quantidade de contas em atraso recuou 1,21%. “Para saber se esses índices continuarão a crescer a gente tem que esperar o comportamento da economia e como será o direcionamento da política econômica tanto no cenário macro quanto no micro”, concluiu Ana Paula, da CDL-BH.


 

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