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Estado de Minas

Empresa de software de gestão investe em dados para crescer

Sankhya, de Uberlândia, que tem 10 mil clientes em carteira, aposta agora em parcerias para desenvolvimento de novos serviços e prevê expansão internacional a partir de 2020


postado em 09/11/2018 06:00 / atualizado em 09/11/2018 08:29

O diretor-presidente da empresa mineira, Felipe Calixto, avalia que ainda há muito a ser desenvolvido para os clientes (foto: Divulgação )
O diretor-presidente da empresa mineira, Felipe Calixto, avalia que ainda há muito a ser desenvolvido para os clientes (foto: Divulgação )

São Paulo – O que a fábrica de doces no interior mineiro tem a ver com a cotação do açúcar na Bolsa de Mercadorias de Nova York? E por que a linha de produção de chocolates, também em Minas Gerais, deveria ser calibrada segundo o índice de confiança do consumidor?


A Sankhya, empresa especializada em software de gestão de negócios (EPR, sigla de Enterprise Resource Planning), tem se dedicado nos últimos anos ao desenvolvimento de soluções que agreguem mais informações para as empresas que adotam suas ferramentas tecnológicas. Esse tipo de solução é usado para ajudar na administração de diferentes áreas de um negócio: tributária, contábil, RH, de estoque, financeira e no planejamento estratégico.


Recentemente, a Sankhya, de Uberlândia (MG), fundada há 29 anos pelos irmãos Felipe Calixto, diretor- presidente, e Fábio Tulio Felippe, diretor de inovação, fechou uma parceria com o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), unidade da Fundação Getulio Vargas (FGV) para agregar dados econômicos, como índices de preço e sondagens, aos serviços oferecidos pelo EPR. A plataforma ainda está em fase de teste em alguns clientes, mas já vem mostrando resultados positivos, segundo Calixto.
Foi assim, por exemplo, que o dono da fábrica de doces, que já era cliente da Sankhya, passou a ter condições de orientar sua equipe de compra de açúcar a buscar melhores condições de preço para o insumo, acompanhando a variação na bolsa internacional.


Da mesma forma tem sido possível adotar esse tipo de banco de dados na fábrica de chocolates, que no final do ano já consegue usar o Índice de Confiança do Consumidor, da FGV, para dimensionar a produção de ovos para a Páscoa e assim evitar excesso de estoque ou falta de mercadoria.


Mas não basta desenvolver uma forma de os dados do Ibre serem integrados ao EPR da Sankhya. Eles devem ganhar inteligência para que “conversem” com as informações dos clientes que usam a ferramenta e façam um diagnóstico do que precisa ser melhorado. “O trabalho passa a ser a partir de uma base científica, mas para ganhar escala será preciso disseminar essa nova cultura de dados. Enxergamos nesse segmento um potencial de mercado de pelo menos 100 mil empresas, de diferentes tamanhos”, avalia o diretor-presidente.


Como não há um contrato de exclusividade, a Sankhya deve avançar com outras parcerias para agregar mais informações à sua ferramenta. Ainda no primeiro semestre de 2019, Calixto espera já ter pronta outra ferramenta, que vai coletar e processar os indicadores de performance das empresas, permitindo que se trace comparativos entre seus clientes e outras companhias que atuam no mesmo segmento com a ajuda de robôs e dados em nuvem.


Além disso, a Sankhya vem investindo no aperfeiçoamento da Bia, assistente de voz lançada há pouco mais de um ano. Por meio da tecnologia, o cliente consegue consultar pelo smartphone, apenas com o uso da voz, os dados sobre sua empresa. Para Calixto, apesar de a empresa estar há quase três décadas no mercado e concorrer com grandes competidores, como SAP, Oracle e TOTVS, o surgimento de novas tecnologias mostra que ainda há muito a ser desenvolvido.


Atualmente, a empresa tem cerca de 10 mil clientes que faturam entre R$ 5 milhões e R$ 18 bilhões. No ano passado, sua receita foi de R$ 130 milhões. Neste ano, a previsão é chegar a R$ 170 milhões e a projeção para 2019 é de R$ 220 milhões.
Parte do crescimento vem das novas tecnologias, mas também é resultado da aposta que começou a ser feita neste ano para aumentar o número de unidades da empresa pelo país. Atualmente são 24 unidades – 8 foram inauguradas em 2018. Para 2019, a meta é instalar mais 8. Para isso, serão investidos R$ 20 milhões, entre 2018 e 2020.


Ao final desse ciclo, Calixto avalia a possibilidade de buscar clientes na América Latina. Como indica o próprio nome da empresa, o plano é crescer. Sankhya, ou sãñkhya, vem do sânscrito e significa quantificar, enumerar, calcular. O contato com a filosofia surgiu quando os irmãos faziam aulas de yoga. Fabio seguiu com as lições, se tornou mestre e se mantém na prática até hoje.

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