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Estado de Minas

Para o Planalto, Brasil tem capacidade de resistir a choques

Argumentos para esta avaliação serão apresentados neste sábado pelo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, na sessão plenária do IMFC


postado em 13/10/2018 06:00 / atualizado em 13/10/2018 08:00

Presidente do BC vai destacar indicadores fortes em encontro no FMI(foto: Evaristo Sá/AFP)
Presidente do BC vai destacar indicadores fortes em encontro no FMI (foto: Evaristo Sá/AFP)

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, deve manifestar no discurso que fará hoje em nome do governo brasileiro na sessão plenária do IMFC, Comitê Monetário e Financeiro Internacional do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele dirá que, em meio ao processo eleitoral para a escolha do próximo presidente da República, há “um aparente consenso em ascensão de que as reformas e ajustes” das contas públicas “devem continuar para elevar o crescimento sustentável” do país.


“Apesar do progresso da agenda de reformas adotada no Brasil nos últimos dois anos, o passo decisivo da mudança estrutural da Previdência Social ainda está para ser adotado”, comentará Goldfajn. Nas suas palavras oficiais, o representante do Brasil destacará que a recuperação da economia está em curso, embora num ritmo menor do que o esperado.

“A resiliência do país a choques externos é bem testada. Uma robusta posição do balanço de pagamentos, a taxa de câmbio flutuante, adequado nível de reservas, baixo nível de inflação e expectativas bem ancoradas de inflação sustentam a capacidade do Brasil de resistir a choques.”


Segundo o presidente do BC, a combinação das contas-correntes equilibradas com investimentos estrangeiros diretos vigorosos é uma vantagem nacional. Para Ilan Goldfajn, desde abril o crescimento global tornou-se mais desigual. Ele deve apontar que, enquanto a perspectiva para a economia mundial no geral continua robusta, as condições financeiras de mercados emergentes ficaram mais apertadas.


Na sua avaliação, a expansão dos Estados Unidos, apoiada por impulsos fiscais da reforma tributária, continuará forte e é projetada a permanecer dessa forma em 2019. No caso da China, o país asiático tem administrado o equilíbrio da demanda do nível de atividade com uma redução calculada do seu PIB (Produto Interno Bruto). “Países emergentes importantes recuperam-se de recessões e desacelerações, embora geralmente em taxas mais modestas do que o esperado”, destacará Goldfajn

Risco mundial
Ele pretende ressaltar que, mesmo com um cenário favorável, riscos requerem uma visão mais cautelosa da perspectiva para essas nações. Ilan Goldfajn deverá enfatizar que as condições financeiras globais podem mudar. O mundo está em transição de um período de excepcionais políticas monetárias que estimulam a demanda agregada nas principais economias avançadas para políticas em condições normalizadas.


Na avaliação do presidente do BC, o gradual ciclo de alta de juros e redução do balanço de ativos pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, são guiados por dados econômicos e boa comunicação, a ponto de ser altamente antecipada por agentes nos mercados. Porém, com a normalização da política monetária em plena evolução, “as condições financeiras tendem a mudar na mesma direção.”


Em meio a este processo, o sentimento de mercado provavelmente terá um comportamento mais sensível, levando a menor apetite por risco. “Assim sendo, condições financeiras mais apertadas e episódios de volatilidade devem ser aguardados durante este movimento para um novo equilíbrio.”


Ilan Goldfajn também deverá destacar que a longa duração de políticas expansionistas e a situação favorável das condições financeiras pelo mundo gerou inconsistências e criou espaço para altos níveis de dívidas que requerem ajustes. “Enquanto este foi um desdobramento amplo pelo mundo, vulnerabilidades foram acentuadas em países com elevados descasamentos de moedas e necessidades financeiras.”, na avaliação do presidente do BC.

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