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Estado de Minas

Dólar cai mais de 1% e fecha abaixo de R$ 4,10

Cotação da moeda norte-americana recua com cenário externo favorável e pesquisa e recua para R$ 4,069. Na bolsa de valores, o dia foi de oscilação. Ibovespa registra queda de 0,07%


postado em 21/09/2018 06:00 / atualizado em 21/09/2018 07:40

Divisa dos Estados Unidos caiu em relação a todas as moedas, apesar de ataques na guerra comercial entre América e China(foto: Fernanda Carvalho / Fotos públicas)
Divisa dos Estados Unidos caiu em relação a todas as moedas, apesar de ataques na guerra comercial entre América e China (foto: Fernanda Carvalho / Fotos públicas)

São Paulo – O dólar à vista teve novo dia de queda e terminou o pregão em baixa de 1,38%, cotado em R$ 4,0739, o menor valor desde 31 de agosto (R$ 4,0646). Já o a cotação comercial (referência para viagens e comércio exterior), a divisa norte-americana teve queda de 1,29% e fechou cotada a R$ 4,069. O cenário externo novamente foi o principal fator a impulsionar a queda da moeda aqui, como aconteceu ontem, mas operadores ressaltam que as eleições continuam sendo monitoradas de perto pelas mesas de câmbio e um dos pontos que agradaram aos investidores na pesquisa do Datafolha foi o ritmo mais lento de crescimento de Fernando Haddad (PT) do que o visto na pesquisa do Ibope.

Com o bom humor externo e o maior apetite por risco de emergentes, investidores seguiram o desmonte de posições compradas em real, fazendo finalmente a moeda cair abaixo do patamar psicológico de R$ 4,10. A moeda estava com dificuldade de ficar abaixo deste nível, que era visto como ponto de compra, afirma um diretor de tesouraria.

O gestor de investimentos da Western Asset Management Company, Adauto Lima, ressalta que desde o começo da semana está ocorrendo um movimento de queda do dólar ante vários emergentes. A esperada escalada da tensão comercial entre China e Estados Unidos, após o anúncio da Casa Branca de mais tarifas sobre produtos chineses, acabou não ocorrendo na velocidade esperada, o que trouxe alívio aos investidores internacionais. O dólar acumula queda de 2,18% na semana no Brasil, de 4,30% na África do Sul, de 4% na Argentina e de 0,31% no México. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana contra uma cesta de outras seis divisas fortes, acumula queda de 1,13%. “Foi um movimento generalizado de queda”, ressalta Lima.

O dólar à vista abriu em baixa e operou em queda durante todos os negócios. O economista para a América Latina do grupo ING, Gustavo Rangel, avalia que o provável resultado da eleição já se estreitou consideravelmente, com três nomes na disputa: Haddad, Ciro e Bolsonaro. Com isso, o cenário para o mercado de câmbio melhorou, refletindo dois fatores. O primeiro é que o risco de uma vitória de Ciro se reduziu após a entrada em cena de Haddad; o segundo é que há sinais de que, se eleito, Haddad deve se apressar para acalmar investidores, mostrando uma retórica mais pró-mercado, como Luiz Inácio Lula da Silva fez em 2002.

Ações O Índice Bovespa voltou a mostrar pouco fôlego ontem, para avançar rumo a novas resistências e teve um pregão de instabilidade, alternando pequenas altas e baixas ao longo do dia. O desempenho positivo das bolsas de Nova York e a queda do dólar gente o real foram referências positivas, que acabaram por limitar o movimento de realização de lucros visto desde a véspera. Nesse ambiente, o Ibovespa terminou o dia aos 78.116,01 pontos, em baixa de 0,07%.

A escassez de notícias acabou por figurar como um pano de fundo positivo, uma vez que não houve sobressaltos nem com o cenário internacional, nem com o front eleitoral doméstico. Lá fora, os investidores continuaram a relativizar os atritos comerciais entre Estados Unidos e China. Por aqui, a última pesquisa Datafolha teve interpretações diversas, mas nenhuma apontando para uma mudança de cenário.

Para Sabrina Cassiano, analista da Coinvalores, apesar do clima menos tenso, o quadro eleitoral ainda em aberto motiva o investidor a manter postura mais cautelosa. Esse seria um dos motivos, segundo ela, do descolamento do Ibovespa em relação às altas das bolsas de Nova York ontem. Outro fator de prudência apontado pela analista foi o tom mais duro do comunicado do Copom, que concluiu ontem sua reunião periódica, na qual a taxa Selic foi mantida em 6,5%. “O Copom sinalizou que pode voltar a elevar juros ainda este ano”, afirmou.

A queda do dólar para o patamar de R$ 4,07 foi fator positivo no mercado em geral, mas pressionou para baixo as ações de empresas exportadoras, que ultimamente vinham ganhando com a valorização da moeda americana. JBS ON terminou o dia com perda de 3,24% e Embraer ON cedeu 2,40%. Na ponta contrária esteve Gol PN, com ganho de 5,62%, atribuído ao impacto positivo da queda do dólar nas contas da companhia.

Na análise por ações, tiveram papel determinante para a baixa do Ibovespa as quedas das ações da Petrobras (-0,69% na ON e -0,55% na PN) e dos papéis do setor financeiro, como Itaú Unibanco PN (-0,65%). Os papéis da Petrobras acompanharam as quedas dos preços do petróleo no mercado internacional. Por outro lado, Vale ON, ação de maior peso na carteira do Ibovespa, subiu 1,26% e impediu uma queda maior no resultado final do indicador.

OCDE corta projeções para o PIB do Brasil


São Paulo – A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) revisou em baixa ontem suas projeções para o crescimento do Brasil neste ano e no próximo. A entidade sediada em Paris espera agora que o país cresça 1,2% em 2018 e 2,5% em 2019, quando em maio projetava avanços de 2% e 2,8%, respectivamente. Na avaliação da OCDE, o ritmo da recuperação do Brasil desacelerou, em meio a “considerável incerteza sobre as políticas futuras e problemas relacionados à greve” recente dos caminhoneiros.

“As condições financeiras estão um pouco mais apertadas, apesar das vulnerabilidades externas menores do que em muitas outras economias emergentes”, afirma a OCDE. “Reiniciar reformas, particularmente da Previdência, ajudaria a melhorar a confiança e o gasto do setor privado, permitindo que o crescimento do PIB avance para cerca de 2,5% em 2019%”, sustenta a entidade.

A OCDE também afirmou que a economia global continuará a mostrar força nos próximos anos, mas revisou para baixo as projeções para este o próximo ano e alertou que as tensões comerciais podem prejudicar o investimento e desacelerar o ritmo do mundo. A entidade cortou suas projeções para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) global para 3,7% tanto em 2018 quanto em 2019. Em maio, ela havia previsto crescimento de 3,8% neste ano e de 3,9% no seguinte.

“Não é o fim da recuperação, mas os riscos têm crescido”, afirmou Laurence Boone, economista-chefe da OCDE. “As empresas têm retardado seus planos de investimento. As encomendas de exportação têm desacelerado.” Nesta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos da China, que respondeu na terça-feira com tarifas sobre US$ 60 bilhões em exportações americanas. Trump então reiterou a ameaça de impor mais tarifas.

A escalada nos últimos meses levou a algumas tarifas americanas também sobre importações da União Europeia, que respondeu com novas tarifas sobre exportações dos EUA. Os dois lados começaram a dialogar para resolver as diferenças. Trump, por sua vez, argumenta que tarifas mais altas ajudarão a criar empregos nos EUA. Em seu relatório trimestral sobre a perspectiva global, a OCDE afirmou que a crescente incerteza sobre as regras que governam o comércio global já enfraquece o crescimento das exportações e importações, além de ameaçar investimentos, com companhias à espera de mais clareza sobre o quadro.

A OCDE manteve sua projeção para o crescimento dos EUA em 2018 em 2,9%, mas cortou a para 2019 de alta de 2,8% para 2,7%. Ela também reduziu projeções de crescimento da zona do euro e do Reino Unido neste ano e no próximo, citando em parte a falta de clareza sobre as condições para a saída do país da União Europeia, o chamado Brexit. “É vital chegar a um acordo que mantenha a relação mais próxima possível.”

Além disso, a OCDE realizou cortes nas projeções para Argentina e Turquia, que têm enfrentado desvalorizações cambiais acentuadas. A entidade espera que a economia argentina tenha contração de 1,9% neste ano, quando antes projetava expansão de 2%. Para a Turquia, projeta crescimento de 3,2%, abaixo do avanço de 5,1% esperado em maio. Em outras partes do mundo o impacto sobre o crescimento deve ser menor, conforme as elevações de juros nos EUA levam capital ao país, retirando-o de economias em desenvolvimento. “Nós não estamos esperando uma crise”, afirmou Boone.

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