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Estado de Minas ECONOMIA

Balança de agosto tem impacto de importação de uma plataforma, diz MDIC


postado em 03/09/2018 16:45

O superávit de US$ 3,775 bilhões na balança comercial do mês de agosto foi impactado pela negociação de plataformas de petróleo, após mudanças em regras tributárias do setor. De acordo com o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Abrão Neto, houve exportação de uma plataforma no valor de US$ 1,3 bilhão para o Panamá.

Também foi "importada" uma plataforma no valor de US$ 2,1 bilhões. Essa operação, no entanto, é feita apenas do ponto de vista contábil - a plataforma já estava no Brasil, mas havia sido exportada para que as empresas se beneficiem das regras do Repetro, regime fiscal do setor. Em julho, no entanto, o governo mudou regras permitindo que os mesmos benefícios sejam dados a plataformas no Brasil, o que deu início a um movimento de nacionalização desses equipamentos.

No mês passado, outras três plataformas já haviam sido nacionalizadas, o que representa um impacto de US$ 7,330 bilhões no ano. Outra três foram exportadas, somando US$ 4,079 bilhões. Em julho, o orçamento da Petrobras foi ampliado em R$ 32,7 bilhões fazer frente às mudanças no Repetro, mas Neto destacou que não é possível saber se esse será o montante efetivamente nacionalizado.

O secretário ressaltou que, mesmo sem o impacto das mudanças tributárias para o setor de petróleo, as importações brasileiras teriam crescimento expressivo nos oito primeiros meses do ano. Retirando as plataformas da conta, a importação cresceria 15,7%, ante 23,1% com os equipamentos. "As importações continuam crescendo porque vimos queda muito acentuada nas compras do exterior no ano passado e porque a economia está aquecida", afirmou.

Neto manteve a previsão de que o superávit comercial fique na casa dos US$ 50 bilhões este ano. Até agosto, o valor está em R$ 37,811 bilhões.

Argentina

Abrão Neto disse que o Brasil acompanha a crise na Argentina e que, nos últimos quatro meses, houve desaceleração nas vendas brasileiras para o país vizinho. De janeiro a agosto, as exportações para a Argentina cresceram apenas 0,5%, alcançando US$ 11,559 bilhões. O país é o terceiro principal parceiro comercial do Brasil, atrás apenas de China e Estados Unidos.

Em relação ao estabelecimento de imposto sobre as exportações, o que poderá afetar os preços de produtos comprados pelo Brasil, o secretário disse ainda estar se inteirando do assunto mas que, em regra, são produtos que não estão na pauta de comércio com o Brasil.

"Estamos observando a situação com muita atenção e esperamos que os desafios do lado argentino sejam vencidos com a maior rapidez possível, o que é do interesse do Brasil", completou.


Soja

As exportações de soja cresceram 43% em agosto, atingindo os patamares recordes de 8,1 milhão de toneladas e US$ 3,2 bilhões. De acordo com dados divulgados pelo MDIC, o valor e o volume exportados no ano também foram recordes para o período, quando alcançaram US$ 25,7 bilhões e 64,6 milhões de toneladas, respectivamente.

Também chegaram ao maior valor registrado de janeiro a julho as exportações de celulose, somando US$ 5,6 bilhões e 10,1 milhões de toneladas. Outro recorde no período foi o superávit da conta petróleo, que teve saldo de US$ 5,485 bilhões no ano.

No mês passado, as importações cresceram 35,3%, no 21º mês consecutivo de aumento. Já as exportações atingiram o segundo maior valor para o mês (US$ 22,552 bilhões), abaixo apenas de agosto de 2011 (US$ 26,1 bilhões). O saldo do ano, de US$ 37,811 bilhões, é o segundo maior para o período, abaixo apenas do ano passado, quando foi de US$ 48,087 bilhões.

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