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Estado de Minas

Bolão 'familiar' surpreende e vira febre


postado em 17/07/2018 11:24

Na tarde da abertura da Copa do Mundo, a única - e triste - solução parecia ser acabar com algo que mal havia começado. Formado em educação física e filho de um ex-usineiro do Centro-Oeste, Julio Cesar Vedana, de 37 anos, tinha criado seu primeiro aplicativo de celular: um bolão que travou assim que o primeiro jogo começou na Rússia. A ideia inicial era bolar um jeito inovador de amigos e familiares fazerem as tradicionais apostas nos jogos. O resultado ficou tão bom que ele resolveu, meio de brincadeira, deixar disponível na Apple Store e na Google Play.

Essa foi a primeira Copa em que os bolões saíram do papel ou das planilhas de Excel. E a cada dia o número de pessoas que baixava o aplicativo dobrava, dos 20 primeiros, para 40, 80, 160. "Dois dias antes de a Copa começar, tínhamos 5 mil pessoas e pensamos que ninguém mais entraria porque precisaria de um tempo para os grupos se organizarem", conta.

Mas foram mais 20 mil só no dia seguinte e um total de 50 mil usuários quando o Mundial começou. O Bolão 2018 se tornou o aplicativo do gênero mais baixado do mundo, com cerca de 100 mil downloads.

O problema foi que Vedana não tinha um bom servidor para aguentar tanta gente acessando o aplicativo ao mesmo tempo. Para tentar salvar o projeto, contratou um serviço melhor, de emergência, por US$ 200 por dia. Mas o app Bolão 2018 não era um investimento, oferecia downloads gratuitos e não tinha anúncios.

"Nossa ideia era proporcionar uma brincadeira legal para muita gente e só isso", conta ele, que teve ajuda do amigo programador Juliano Rosseto, de 30 anos. Até o fim da Copa seriam US$ 6 mil só de gastos com o servidor melhor, calcularam. "Foi aí que pensamos que íamos ter que desligar o site."

Vendo o desânimo dos dois, o irmão de Vedana sugeriu que eles simplificassem o programa, para deixá-lo mais leve. Quem sabe assim o servidor suportaria. Tiraram várias das funções inovadoras que tinham ajudado a atrair usuários - como simulação de resultados e atualização de ranking durante o jogo. "Era fim de tarde e precisávamos resolver até a manhã do dia seguinte porque às 9h tinha jogo. Se as pessoas não fizessem suas apostas antes da bola rolar, ia acabar tudo."

O app foi voltando a funcionar, e Vedana chegou a mandar um e-mail bem humorado aos usuários avisando que tinham "começado com o pé esquerdo, caindo mais que o Neymar", mas que agora tudo corria bem. Eles também abriram anúncios para ajudar as pagar as contas, o que lhes rendeu US$ 1.100.

Frequência

Até as quartas de final da Copa, 100% dos usuários entravam no aplicativo todos os dias. Para Vedana, o sucesso bolão foi o sistema de pontuação, diferente para cada jogo, o que equilibrou a competição. "O normal em bolão é alguns dispararem, mas quando há equilíbrio, mais gente fica interessada."

Apesar de oferecer um aplicativo de apostas, o empreendedor não ganhou dinheiro. "Gastamos de R$ 12 mil a 15 mil, mas poderia ter sido muito mais. Recebemos muitas reclamações, principalmente de quem apostava dinheiro, mas valeu a pena. Agora, não param de chegar e-mails das pessoas contando como foi divertido."

Vedana também tem recebido propostas de parcerias e de pessoas se oferecendo a trabalhar com ele. Com o fim do bolão e de férias no Caribe, ele diz ainda não saber o que vai fazer com tudo o que aprendeu nesse mês em que gerenciou seu primeiro APP.

Desde adolescente, Vedana se interessa por tecnologia. Ele e o irmão faziam sucesso nos anos 1990 em Maracaju, no Mato Grosso do Sul, porque tinham o único computador da cidade. "Era tanto status que começamos a aprender a mexer nele."

Em 2002, para ajudar o pai Univaldo Vedana, então dono de uma usina de biodiesel em Goiás, criou um site de informações sobre o combustível. Com o lançamento pelo governo, pouco tempo depois, do Programa Nacional de Biodiesel, passou a atrair outros clientes. Ele hoje mora em Curitiba, onde dirige o site, chamado Nova Cana. "Eu sempre fiz os bolões da família, esse foi o estado da arte." As informações são do jornal

O Estado de S. Paulo.

(Renata Cafardo)

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