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Estado de Minas

Avianca coloca mais mulheres no comando de aviões

Avianca acaba de concluir a primeira turma para pilotos formada apenas por profissionais do sexo feminino. Com isso, companhia aérea passa a ter 34 mulheres no controle das aeronaves


postado em 13/07/2018 06:00 / atualizado em 13/07/2018 14:57

Avianca passa a ser a 7ª companhia aérea no mundo em participação feminina na função de piloto (foto: AVIANCA/DIVULGAÇÃO)
Avianca passa a ser a 7ª companhia aérea no mundo em participação feminina na função de piloto (foto: AVIANCA/DIVULGAÇÃO)

São Paulo – Há 15 anos, a carioca Paula Babinski, 33, poderia ser encontrada no check-in do aeroporto e cuidando do embarque de passageiros. Dois anos depois, ela começou a investir em uma nova carreira, de piloto de aeronaves. Na época, era a única mulher da turma e chegou a ouvir piadinhas do tipo “vai pilotar fogão”.

Como o mercado da aviação comercial passou por um período sem crescer muito, levou tempo até que conseguisse acumular as horas de voo para se tornar copiloto e depois comandante de um avião comercial.

Há dois anos ela trabalha na Avianca e nesta semana pôde participar da formatura da primeira turma de pilotos exclusivamente formada por mulheres. “Sinto que não estou sozinha. Por muito tempo minha carreira foi solitária de parceiras”, diz.

Paula explica que não há nenhuma diferença técnica entre um homem e uma mulher no comando de uma aeronave. Mas acredita que as profissionais nessa área levam mais sensibilidade para a cabine. Logo que começou a pilotar aviões comerciais, em 2011, a comandante teve de passar por uma situação tensa. Um passageiro desembarcou do avião pouco antes da decolagem ao perceber que uma mulher estava no controle.

“Felizmente, muita coisa mudou de lá pra cá e este foi o único caso negativo. Na maioria das vezes a reação é muito positiva. Uma vez, uma senhora veio até mim e disse que sabia que era uma mulher no comando porque o pouso foi muito bom”, lembra.

Hoje, Paula pode pilotar um Airbus A320. Seu sonho é ser promovida a um equipamento maior, o A330, com capacidade para voos internacionais. “Além disso, quero muito que chegue o dia em que não será mais algo extraordinário ter uma mulher no comando de um avião, mas sim algo corriqueiro”, diz.

A Avianca conta com mulheres em 42% do total de vagas. Além disso, 32% delas ocupam cargos de liderança. No evento da última quarta-feira (11), a companhia aérea formou pela primeira vez na história da aviação nacional uma turma de pilotos composta apenas por mulheres, 16 profissionais ao todo.

A iniciativa faz parte do programa Donas do Ar, que promove a equidade de gênero no ambiente de trabalho e, entre as atividades, leva essas profissionais para darem palestras em escolas públicas. “Falamos para as meninas e meninos que a nossa profissão não depende de sexo, classe social ou etnia’, conta Paula.

Antes de o programa começar, apenas 1,6% dos pilotos da empresa eram mulheres. Agora, conta Frederico Pedreira, presidente da Avianca, esse número sobe para 5%, ou 34 profissionais.

RANKING MUNDIAL

Com esse percentual, a Avianca passa a ser a sétima companhia aérea no mundo em participação feminina na função de piloto de aeronaves e a primeira entre as empresas brasileiras. Pedreira pretende aumentar esse número, mas admite que não é fácil pela falta de mulheres com formação na área.

“Do total de currículos que recebemos para a função, menos de 5% são mulheres. Nosso desafio é tornar a carreira mais atraente e chegar a 30% de mulheres já na fase de treinamento”, prevê o executivo.

Pedreira lembra que tradicionalmente o ambiente da aviação é dominado por homens, mas o executivo acredita que a divulgação de programas como o Donas do Ar pode ajudar a diminuir essa desigualdade no setor e atrair mais mulheres.

A empresa não tem planos para novas turmas de pilotos formadas apenas por mulheres. A proposta com esse grupo era, segundo o presidente da Avianca, “fazer ruído com o objetivo de atrair o interesse de outras profissionais por essa atividade”.

A expectativa de Pedreira é levar a iniciativa para outros países onde a Avianca atua. Para o executivo, é uma ação positiva para promover a diversidade de gênero na companhia. “Se o sonho das mulheres que lerem esta reportagem é serem pilotos, que tenham muita força. Vocês podem!”, garante o presidente da companhia.

 

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