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Estado de Minas

Por que Minas atrai investimentos em fontes renováveis de energia

Série do EM mostra a partir de hoje como a energia limpa tem mudado a realidade de cidades mineiras. Estado lidera em sistema de produção própria


postado em 25/02/2018 06:00 / atualizado em 25/02/2018 20:37

(foto: Ciete Silvério / A2img)
(foto: Ciete Silvério / A2img)

Energia limpa. Se você ainda não a conhece, é melhor se informar sobre e, se ainda não a usa, saiba que ainda precisará dela. Cada vez mais aumenta no mundo a geração e o consumo de energia das chamadas fontes renováveis: solar (fotovoltaica), dos ventos (eólica) e de biomassa. Esse crescimento ocorre também no Brasil, onde, até há algum tempo, só se falava basicamente em geração de energia por hidrelétricas, devido à quantidade de recursos hídricos, que não são mais tão abundantes, ocorrendo a redução do nível dos reservatórios e com ela, o aumento de custo da produção e a necessidade de busca de outras fontes de geração. Essa expansão das fontes renováveis é o tema da série de reportagens Energia sem fim, que o Estado de Minas publica a partir de hoje.


A expansão em ritmo acelerado é verificada no mercado de energia eólica, que começou a ser gerada no país há menos de 10 anos. O Brasil teve um grande feito no setor semana passada: com uma capacidade instalada de aproximadamente 13 mil megawatts (MW), o país alcançou o oitavo lugar no ranking mundial e ultrapassou países desenvolvidos como o Canadá e Itália. Atualmente, os ventos respondem por 8,2% de toda a energia gerada. O Ministério de Minas e Energia prevê uma expansão de 125% até 2026, quando praticamente um terço da energia brasileira virá dos ventos (28,6%).


Assim como a energia dos ventos, mais barata e sem causar danos ao meio ambiente, a energia solar voltaica está em franco crescimento. Minas Gerais também se destaca no setor como a unidade da Federação que mais recebe investimentos em megausinas solares. Também é o estado com maior quantidade de sistemas de microgeração e minigeração distribuída solar fotovoltaica, aqueles em que o próprio consumidor gera a energia consumida com painéis solares instalados em telhados ou outros espaços de residências, comércios, indústrias, edifícios públicos, fazendas e sítios.

Liderança mineira

De acordo com os dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Minas Gerais tem liderança folgada na geração distribuída de energia solar, daqueles sistemas em que o próprio consumidor produz a energia, instalados em residências, comércios, prédios, indústrias e propriedades rurais. Minas tem uma capacidade instalada de 37,9 megawatts de geração distribuída, bem à frente do segundo colocado, o Rio Grande do Sul, com 26 megawatts.

 


O estado também se destaca na geração de energia por usinas de grande porte, as usinas solares fotovoltaicas de geração centralizada, conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN), por meio de leilões promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Minas ocupa o terceiro lugar no ranking nacional, com uma capacidade instalada de 231MW, sendo superado pela Bahia (342,2MW) e pelo Piauí (270MW). Ao total, a capacidade instalada de geração de energia solar voltaica do território mineiro é de 268,9MW.


Por outro lado, o presidente da Absolar enfatiza que a tendência é que Minas, em pouco tempo, deverá assumir a ponta também na geração de energia solar por usinas de grande porte, pois o estado já tem contratados cerca 430MW de usinas que ainda vão entrar em operação.

POSIÇÃO VANTAJOSA Rodrigo Sauaia, presidente-executivo da Absolar, afirma que o território mineiro alcançou grande desempenho na geração de energia solar fotovoltaica por vários fatores. “São três vantagens principais. Primeiro, a irradiação solar do estado. Depois, as pessoas investem na geração de energia solar por conta da alta tarifa da energia. Além disso, um aspecto importante é que o estado tem uma legislação que incentiva os investimentos em energia, inclusive, com isenção de ICMS para a geração de energia fotovoltaica de até 5MW”, comenta.


Para João Paulo Palmieri, analista do Serviço de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae Minas), para a indústria, a energia solar em Minas tem a expectativa de crescer como negócio atrativo. “A energia solar tem um ambiente adequado para sua disseminação em Minas Gerais, pela irradiação solar, pela sustentabilidade e economia que oferece aos consumidores e também pelos incentivos governamentais oferecidos ao setor”, assegura Palmieri.

Investimentos no Norte de Minas


O sol forte sempre foi um castigo para o Norte de Minas, destruindo lavouras e deixando o chão esturricado onde a seca é um problema histórico. Agora, o mesmo sol virou um benfeitor por causa da energia gerada, que aquece a economia regional. Os municípios norte-mineiros recebem elevados investimentos em usinas de energia voltaica.
Segundo a Agência de Desenvolvimento do Norte de Minas (Adenor), “estudos apontam o Norte de Minas como o melhor local do país para instalação de empreendimentos fotovoltaicos, devido ao alto índice de insolação, disponibilidade de áreas com desembaraço fundiário e malha de distribuição sendo ampliada, o que reflete a cada ano em geração de negócios e empregos”. A entidade fez um mapeamento com georeferenciamento de 120 áreas propícias cadastradas para instalação de unidades de geração de energia. “Minas Gerais será, em breve, exportador, em vez de importador de energia, resolvendo definitivamente a falta de carga energética da região para novos investimentos produtivos”, afirma Uilton Rocha, responsável técnico do projeto de energias renováveis da Adenor.

 


A Fundação de Desenvolvimento Tecnológico do Norte de Minas (Fundetec) anunciou a criação do Centro de Excelência de Energia Fotovoltaica da região. Além disso, a Adenor e outras entidades de classe pretendem discutir a concessão de incentivos para atrair uma nova fábrica de painéis solares em Montes Claros. “No caso do Norte de Minas, a geração de energia solar voltaica também contribui para gerar empregos e elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de uma das regiões mais carentes do estado. É a tecnologia promovendo o desenvolvimento socieconômico e melhorando a qualidade de vida das pessoas”, avalia o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia.


Com pouco mais de 53 mil habitantes, Pirapora é um dos municípios norte-mineiros que vivem o boom dos investimentos nas fontes renováveis de energia. A cidade recebe a instalação de uma grande usina solar, considerada a maior da América Latina, com investimento superior a R$ 1,4 bilhão. A megausina, montada pela empresa francesa EDF Energies Nouvelles, ocupa uma área de 800 hectares e conta com cerca de 1,2 milhão de painéis solares. Ela começou a funcionar em novembro e a expectativa é que quando atingir sua potência total, entre junho e agosto, tenha capacidade de gerar 400 mV, o suficiente para atender a 420 mil casas durante um ano. Existem outras 20 usinas de energia solar de médio porte contratadas para serem instaladas em outros municípios do Norte de Minas.

 

Pioneirismo no Triângulo

Pioneira em projetos de geração de energia solar fotovoltaica, a Alsol Energias Renováveis, pertencente ao grupo Algar, deu início à instalação de dois parques geradores em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, com capacidade até três vezes maior que a sua maior planta, operada no Piauí. Em BH, a empresa trabalhou nos últimos cinco meses na implantação de painéis num grande conjunto habitacional que abriga 440 apartamentos. Os contratos são apenas parte da demanda que a Alsol vai atender neste ano seja nas áreas residencial, comercial, seja na indústria.


Com atuação em 14 estados e operando empreendimentos que geram 14 megawatts (MW) de energia solar fotovoltaica instalada no Brasil, a companhia tem por meta chegar à geração de 20MW e mercado é o que não falta, segundo o presidente da Alsol, Gustavo Malagoli. “Continuamos numa curva de crescimento muito acelerado e que tem como carro-chefe projetos comerciais e industriais. A geração de energia solar fotovoltaica é um segmento que está se consolidando no país”, afirma.


Em Uberlândia, estão previstos investimentos da ordem de R$ 35 milhões em dois empreendimentos com previsão de funcionamento a partir de julho próximo e capacidade de 7,5MW. Para dar ideia do tamanho dos projetos, que terão como modelo a usina do Piauí, projetada para 1,6MW, a nova geração de energia em terras mineiras é suficiente para abastecer cerca de 3 mil residências com consumo correspondente a contas de luz da ordem de R$ 200 por mês. Segundo Gustavo Malagoli, uma das grandes vantagens da opção pela energia solar fotovoltaica está na economia dos gastos do consumidor, que pode variar entre 5% e 90% do valor da conta. Outra possibilidade é de que o cliente se torne credor da companhia distribuidora de energia.


POTENCIAL Isso explica o potencial de crescimento dessa fonte de energia limpa, que, se hoje ainda engatinha com irrisória participação de 0,01% na matriz energética brasileira, poderá responder dentro de oito anos por cerca de 5% do mapa de toda a energia disponibilizada para ser distribuída no país. O presidente da Alsol destaca que Minas lidera a demanda nesse segmento devido à combinação de dois fatores. “O estado tem uma das tarifas de energia mais altas no país e índices de radiação tão bons quanto os incidentes no Nordeste”, afirma.


A Alsol opera empreendimentos também em Uberaba, Araguari e Ituiutaba, no Triângulo; e Passos, no Sul de Minas. Responsável pelo projeto e pela construção, a empresa assume a gestão dos parques ligados às redes de distribuição ou subestações de energia por meio de centros de controle. A construtora mineira MRV tem vários projetos para executar, além de BH, em Cuiabá e no Rio de Janeiro. (Marta Vieira)

 

 

MERCADO AQUECIDO NO ESTADO

 



37,9MW

capacidade instalada em Minas de geração a partir de residências,  comércios, prédios, indústrias e propriedades rurais



231MW

capacidade instalada em Minas na geração de energia por usinas de grande porte

 

 

 

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