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Estado de Minas

Reforma da Previdência aumenta corrida por planos de aposentadoria complementar

O receio e a desconfiança em relação às alterações propostas pelo governo para a Previdência social geraram uma corrida a outras formas de poupar para o futuro


postado em 09/01/2017 06:00 / atualizado em 09/01/2017 08:13

A manicure Viviane Lima aderiu ao sistema complementar pensando em uma
A manicure Viviane Lima aderiu ao sistema complementar pensando em uma "velhice melhor" (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

A reforma da Previdência social, em tramitação no Congresso Nacional, acendeu o medo nos brasileiros de se aposentar muito velhos ou mesmo de nunca parar de trabalhar para conseguir levar uma vida tranquila financeiramente. Além do receio e da desconfiança em torno das alterações, as discussões sobre as políticas geraram corrida por planos privados de previdência, que, em novembro, quando começou a esquentar o debate, registraram 26% de aumento em relação ao mês anterior, de acordo com levantamento divulgado na semana passada pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi). Especialistas reforçam a importância de poupar para constituir uma aposentadoria complementar, apostam em outras formas além da previdência privada e alertam sobre contratações de planos feitas no afogadilho.


O acúmulo registrado em novembro foi de R$ 11,26 bilhões, contra R$ 8,93 bilhões em outubro. Se considerada a captação líquida (diferença entre os aportes e os resgates), esses planos registraram saldo positivo de R$ 6,52 bilhões, um crescimento de 35,85% em comparação a novembro do ano passado, quando o saldo foi de R$ 4,8 bilhões. Em 11 meses, os aportes acumularam R$ 98,17 bilhões, apresentando uma evolução de 19,14% frente ao mesmo período do ano passado, quando somaram R$ 82,40 bilhões.


O planos privados de previdência – constituídos pelas modalidades VGBL e PGBL (veja quadro) – são oferecidos por bancos e seguradoras e não estão vinculados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As opções são bastante flexíveis. O cliente faz um aporte inicial e depois contribui com parcelas mensais, segundo o rendimento que pretende ter a longo prazo. Outra opção é resgatar o montante acumulado depois do período acordado. As contribuições podem ser a partir de R$ 35.

Especialista em previdência privada e seguro de vida, a corretora Maria Inês Prazeres se surpreendeu com o aumento na procura por planos privados de aposentadoria. “Ainda é cedo para fazer uma análise com número, mas, em relação aos outros anos, a procura deve ter aumentado seis vezes agora em janeiro. O público também mudou. Tenho recebido consulta até de servidores públicos”, afirma Maria Inês, que considera o aumento um reflexo das discussões em torno das regras adotadas pelo INSS.


A manicure e cabeleireira Viviane Lima, de 32 anos, contratou este mês um plano privado. A decisão foi tomada pela insegurança em torno do futuro da Previdência social. “Não perco a esperança, mas creio que vai dificultar muito para aposentarmos. Não sei se vai ser garantia para o futuro. Quero chegar na velhice com uma vida melhor”, afirma Viviane, que já contribui há mais de 10 anos com o INSS.


Ela já tentou, sem sucesso, fazer da poupança uma reserva para o futuro. “Sempre estou mexendo para pagar conta. Na previdência privada, isso não vai ocorrer. Vou poder contar com esse dinheiro a longo prazo. A gente não sabe o dia de amanhã, tenho dois filhos e penso também nesse dinheiro para pagar a faculdade deles”, diz. A manicure escolheu pagar R$ 100 por mês. “Já pago muita coisa. Esse valor foi o quanto consegui para começar”, ressalta.

O consultor financeiro Erasmo Vieira considera que a contratação de um plano privado de previdência tem que ser bem pensado. “É uma decisão muito importante para ser tomada de repente. É preciso analisar direitinho, se organizar primeiro. A previdência é como um aluguel que você paga para administrarem seu dinheiro e te devolverem no futuro. Mas a pessoa pode, ela mesma, buscar a informação e administrar, mas isso demanda conhecimento e dedicação”, reforça.
Antes de contratar um plano de previdência privada, Vieira recomenda que o interessado pague primeiramente as dívidas, em especial as mais caras, como empréstimos consignados. “Tem gente que faz a previdência, mas começa a entrar no cheque especial todo mês”, critica. Ele também chama a atenção para o valor das taxas. “Quanto mais próxima de 1%, melhor. Fundos que cobram 4% estavam perdendo da poupança”, ressalta.


Aqueles que atravessam turbulências econômicas também devem pensar duas vezes antes de fazer um plano privado. “Quem está desempregado não tem que pensar em previdência, tem que aprender a viver com essa restrição. É muito triste ver casos de pessoas que resgatam fundo de previdência para pagar dívida”, diz.

 

 

Planos privados
previdenciários

Flexibilidade
Os planos são bastante flexíveis. O cliente faz um aporte inicial e depois contribui com parcelas mensais. Há bancos que já criam plano com R$ 35 de aporte e contribuições também a partir de R$ 35. Geralmente, não há exigência de depósito mensal. Caso o cliente esteja apertado, ele pode ficar um tempo sem pagar.

4 Rendimento
O cliente pode optar se terá uma renda mensal vitalícia enquanto viver ou pode também optar por receber todo o montante acumulado. Há também a opção de receber em parcelas maiores por um período pré-determinado.

Modalidades

PGBL
O PGBL é uma modalidade de previdência que permite que você adie o pagamento do imposto de renda para o momento do resgate. É indicado para quem declara o Imposto de Renda (IR) pelo formulário completo. A pessoa pode deduzir na declaração o valor total das contribuições efetuadas a planos de previdência complementar até o limite de 12% de sua renda bruta. Na prática, a medida reduz o imposto a pagar ou até aumenta o valor da restituição. Nesse caso, o pagamento do IR devido sobre a previdência, incluindo os aportes e os rendimentos, ocorre apenas no momento do resgate total ou parcial ou do recebimento
do benefício.

VGBL
Quem declara Imposto de Renda (IR) pelo formulário simplificado costuma optar por esse modelo, assim como quem está isento do IR ou atingiu o limite de 12% de dedução previsto para a previdência complementar. Essa modalidade impede a dedução no IR da base de cálculo do IR dos valores dos aportes realizados ao plano. No entanto, na hora do resgate ou recebimento do benefício, o IR incide apenas sobre o valor dos rendimentos, e não sobre o valor total do resgate.

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