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Estado de Minas

Aprendizado de controle de gastos na infância faz falta na maturidade

Sem orientação e disciplina na infância, os jovens chegam à idade da razão com dificuldade de controlar as finanças


postado em 10/10/2016 06:00 / atualizado em 10/10/2016 10:08

Com a filha Izadorah, o educador financeiro Ricardo Melo defende o cofrinho como forma lúdica de ensinar o valor do dinheiro às crianças(foto: Gadyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Com a filha Izadorah, o educador financeiro Ricardo Melo defende o cofrinho como forma lúdica de ensinar o valor do dinheiro às crianças (foto: Gadyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Os índices de inadimplência por faixa etária no Brasil mostram que o crescimento do endividamento é mais forte entre os jovens de 18 a 24 anos, mas também cresce rápido entre os maiores de 65. Manter as finanças sob controle é um desafio para o brasileiro e, num momento de crescimento do desemprego, lidar com o orçamento mais curto e com os ajustes no padrão de vida é um desafio, especialmente, para quem chegou à fase adulta sem orientação ou disciplina.


Somando-se a isso o cenário de crise, o brasileiro convive com uma realidade diferente de grande parte dos países desenvolvidos. Os juros no cartão de crédito e cheque especial por exemplo, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças e  Administração (Anefac), pode chegar perto de 400% ao ano, o que rapidamente multiplica uma dívida e pode torná-la impagável.


O israelense e consultor internacional de finanças pessoais Ben Zruel, autor do livro Eu vou te ensinar a ser rico, lançado recentemente no Brasil, aponta um percentual preocupante de desconhecimento no país. Segundo ele, 90% da população brasileira têm pouca ou quase nenhuma educação financeira. Para ele, o alto endividamento dos jovens é um reflexo do despreparo para lidar com dinheiro, que se torna explosivo em um “país muito consumista como o Brasil”, onde se praticam taxas estratosféricas de juros. “Antes mesmo de começarem a trabalhar os jovens já recebem crédito dos bancos, mas sem a devida orientação que deveria vir junto,” observa o especialista.


Para o educador israelense, uma regra simples, considerada a chave do negócio, mas tão difícil de ser colocada em prática, deve ser ensinada já para os pequenos: “Desde a infância, deve-se gastar menos do que se ganha.” Zruel afirma que não se intimidar com valores também é um bom caminho. “Mesmo que a criança receba um pequeno valor de mesada ela deve ser incentivada a não gastar tudo que ganha, a poupar entre 10% e 30%. Esse é um hábito poderoso levado para a vida.” E completa: “Crianças entre 8 e 9 anos já podem começar a aprender como gastar sua mesada com sabedoria.”


De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), do total de famílias endividadas no Brasil, 58,2%, um alto percentual, 21% têm mais da metade da renda comprometida com o pagamento de dívidas caras, como aquelas contraídas no cartão de crédito (76,3%) e no  carnê (14,8%), além do contrato de financiamento de veículos. (10,9%).


Quem se lembra da fábula A cigarra e a formiga? Adaptada da obra de La Fotaine, a história mostra o contraste na visão de futuro entre as previdentes formigas e a despreparada cigarra. Sem sobrecarregar a infância com questões do mundo adulto, os educadores financeiros apostam na educação como uma brincadeira criativa e interessante, que pode ajudar a mudar o cenário do endividamento no Brasil e cumprir o que hoje é um trabalho árduo, ajudar os adultos a manterem os gastos dentro do orçamento, negociar melhor o consumo, administrar melhor o crédito, a fugir dos juros impagáveis.


Para o educador financeiro Ricardo Melo, tudo pode ser transportado para o mundo das crianças. Defensor do cofrinho, Melo acredita que o velho conhecido das famílias não está ultrapassado. Ele é um aliado e tanto, já que pode mostrar concretamente o poder das pequenas economias e materializar sonhos das crianças com o esforço, mas de forma lúdica. (Veja entrevista nesta página).

RANKING MUNDIAL Na lista dos países com melhor nível de educação financeira, entre 144 avaliados num ranking global da divisão de ratings e pesquisas da Standard & Poors, agência norte-americana de classificação de risco, não há muitas surpresas. Aparecem nele as economias desenvolvidas como Noruega, Dinamarca, Suécia, Israel, Canadá e Reino Unido.


O Brasil ocupa a 74ª posição e a surpresa fica também com os Estados Unidos. A população mais rica do mundo não estão entre as 10 mais bem-educadas, e sim na 14ª posição. A pesquisa observou quatro conceitos principais: domínio da população sobre aritmética, diversificação de risco, inflação e juros compostos. No Brasil, 35% dos participantes acertaram ao menos três dos quatro tópicos abordados.


Enquanto isso...

...aperto entre mais velhos

O aperto nas finanças não escolhe faixa etária. Pesquisa da empresa de serviços financeiros Serasa Experian mostra que o Brasil tem 7,5 milhões de inadimplentes com mais de 61 anos, o que representa 12,7% do total de pessoas com pagamento em atraso de dívidas. Em maio e julho, surgiram 100 mil inadimplentes a mais. Para o economista do Serasa Luiz Rabi, uma das explicações para o crescimento da inadimplência entre os mais velhos está relacionada ao crédito consignado, modelo do qual muitos lançam mão para quitar as despesas domésticas. Pesa também o crescimento do desemprego e a alta de preços de itens como alimentos, remédios e planos de saúde.


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