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Estado de Minas

Cemig lucra R$ 202 milhões no segundo trimestre

Resultado no segundo trimestre tem queda de 62% sobre igual período de 2015, afetado pela redução de 11,8% na receita e pelo impacto da dívida


postado em 18/08/2016 00:12 / atualizado em 18/08/2016 07:43

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) fechou o segundo trimestre deste ano com um lucro líquido de R$ 202 milhões. Embora bastante superior ao obtido no primeiro trimestre, quando a estatal teve

R$ 5,1 milhões de lucro líquido, o resultado representa queda de 62,2% em relação aos R$ 534 milhões conquistados no mesmo período de 2015. A receita da empresa caiu 11,8%, na comparação com o segundo trimestre do ano passado.


A queda do preço da energia, a estratégia adotada pela companhia de concentrar as vendas no segundo semestre, além dos R$ 561 milhões referentes à Receita de Indenização de Transmissão foram alguns dos fatores que levaram ao resultado menor. “Já era esperado pela companhia. O resultado atual é também impactado pela dívida, que tem um custo elevado”, reforça o diretor de Finanças e Relacionamento com os Investidores, Fabiano Maia Pereira. Ele destaca também a queda acentuada no Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) no mercado livre de energia.


Ele explica que a companhia tem focado na redução da dívida, que chega a R$ 12,9 bilhões – sendo R$ 3,773 bilhões com vencimento este ano. “Estamos evitando aumentar a dívida e trabalhando fortemente para manter uma capacidade de caixa satisfatória”, afirma.


No segundo trimestre deste ano, a receita líquida consolidada da Cemig caiu para R$ 4,754 bilhões, queda de 11,8%, se comparado ao mesmo período do ano passado (R$ 5,392 bilhões). Nessa mesma base de comparação o fornecimento diminuiu 2,3%. A companhia registrou uma geração de caixa, medida pelo Lucro antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Lajida), de R$ 677 milhões, quase 45% menor em relação ao segundo trimestre de 2015, quando o Lajida foi de R$ 1,232 bilhão.


Segundo Maia, a companhia avaliou que a venda no segundo trimestre garantirá à companhia melhor preço de venda. Para se ter uma ideia, o preço médio de energia de curto prazo foi de R$ 62,4 por megawatt/hora (MWh) no segundo trimestre de 2016, enquanto nesse intervalo de 2015, o preço era R$ 356,8/MWh. Maia afirma que o planejamento estratégico da companhia traz boas perspectivas. “Conseguiremos entre um e dois anos enquadrar a companhia e trazer ela de volta para condições normais”, afirmou. O diretor não adiantou nenhuma eventual negociação de ativos da empresa, mas reforçou o foco no negócio principal da
Cemig, que é a geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica.


Usinas


A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manteve a decisão de recomendar ao governo que não renove a concessão da usina de Miranda, que pertence à Cemig. A companhia havia entrado com recurso na tentativa de reverter o posicionamento do órgão regulador, que, no dia 12 de julho, manifestou-se contra a prorrogação do contrato da hidrelétrica por mais 20 anos. A agência negou o pedido de reconsideração. Com o fim da discussão na esfera administrativa, o advogado Guilherme Coelho, do escritório Sergio Bermudes, que representou a Cemig na reunião da Aneel, afirmou que a empresa deve levar o caso para a Justiça. A mesma avaliação foi feita ontem por Maia. Para ele, o caso de Miranda deve acabar como o de Jaguara, na Justiça.

Com 408 MW de potência instalada, Miranda terá sua concessão encerrada em 23 de dezembro deste ano. A Cemig pleiteava sua prorrogação nos mesmos termos do contrato em vigor, sem redução de receitas, por mais 20 anos. Na avaliação da empresa, o contrato da usina e uma lei de 1997 asseguram uma renovação nesses termos.


A Aneel voltou a argumentar que a renovação da concessão só poderia ser feita de acordo com a legislação atual, que tem origem na polêmica Medida Provisória 579/2012. Pela lei vigente, em troca de um contrato de mais 30 anos, a Cemig teria que ter aceitado, em 2012, diminuir os ganhos com a energia produzida pela usina. (Com agências)


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