
O mineiro Raul Morais saiu de Contagem e vai morar pela segunda vez na Espanha. Havia passado seis anos entre Barcelona e Madri e agora volta para fazer um doutorado em geografia que deve durar entre dois e três anos, mas os planos são de permanecer na Catalunha “A ideia é ficar para sempre. Sinto falta da minha família, mas, de resto, se encontra tudo aqui. Talvez sentisse falta do tropeiro do Mineirão, mas nem isso temos mais como era.” Com visto de permanência na Europa, Raul também não é atingido diretamente pela desvalorização do real em relação ao euro ou pelo fechamento de postos de trabalho no Brasil em 2015, pois possui economias na moeda europeia. “Nesse sentido, não fui afetado. O problema é que a crise no Brasil é para quem? Os bancos nunca lucraram tanto. É a classe baixa que paga.”
Assim como Raul, Juliana de Oliveira acabou de mudar-se para a Espanha. Ela vai acompanhar o marido italiano que vivia no Brasil e recebeu uma proposta de emprego na Catalunha. Com o filho no colo, a mineira de Belo Horizonte conta os pontos positivos da mudança. “A cidade é tranquila e tem segurança, algo que, infelizmente, falta hoje ao Brasil”. Recém-chegada, a mineira aconselha a quem pensa em fazer o caminho inverso: “Para quem vive aqui, não acho que seja o momento de voltar. A situação no Brasil está muito desfavorável. Já para quem pensa em vir para cá, é preciso pensar na mudança cultural, que não é pequena”.
A cearense Tatiana Costa chegou a Barcelona pouco antes da eclosão da crise econômica de 2008. A brasileira, que trabalha com turismo, vê diferença, sobretudo no comportamento, entre espanhóis e brasileiros. “Faltou improviso para os espanhóis na crise deles. Aqui, eles sofrem muito, te respondem com pessimismo. No Brasil, sempre se busca o lado positivo. Não é a primeira e nem nossa última crise e vamos sair dela”, avalia Tatiana, que há dois anos não visita o Brasil e não pensa em voltar. “Minha filha veio passar um mês aqui e se vê muito a diferença. O que se pode comprar aqui com pouco dinheiro, lá não; precisamos nos reinventar”, comenta.
