Publicidade

Estado de Minas

Cresce o corte de vagas na indústria

Com economia desaquecida e queda dos preços de minérios, sindicatos de trabalhadores temem mais dispensas em Minas


postado em 20/07/2015 06:00 / atualizado em 20/07/2015 07:29

As demissões na indústria de Minas Gerais se intensificaram no primeiro semestre do ano, diante da retração da economia, que afeta segmentos com grande participação na produção de bens no estado, como a mineração e a siderurgia. De janeiro a junho, o setor industrial e a extração de minerais tiveram o pior resultado nessa base de comparação dos últimos cinco anos, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. Houve 19.078 dispensas a mais que as contratações na indústria de transformação e um saldo de vagas também negativo em 2.917 empregos na indústria extrativa mineral durante os seis primeiros meses de 2015.

Foram os primeiros saldos negativos desde 2011. A indústria de transformação vinha admitindo mais que demitindo até o primeiro semestre de 2014, quando o balanço ficou positivo em 16.978 empregos. Com o mesmo comportamento, a indústria extrativa mineral admitiu mais que desligou trabalhadores até o ano passado, quando o saldo foi positivo em 1.104 vagas. A queda dos preços internacionais de minério de ferro, principal produto extraído em Minas, e o desaquecimento da economia no mundo, particularmente da China, que é grande importadora de matérias-primas produzidas no Brasil, levou as empresas a intensificar as demissões e usar mecanismo de paralisação ou redução do ritmo da atividade, a exemplo de férias coletivas.

Segundo os sindicatos de trabalhadores na indústria do ferro e metais básicos, o clima é tenso entre os trabalhadores neste semestre. Na siderurgia, a tensão é a mesma. Somente neste ano, nas estimativas do Sindicato Metabase de Congonhas e Ouro Preto, a Companhia Siderúrgica Nacional já demitiu cerca de 200 trabalhadores e, desde maio, vem dando férias coletivas. Em 5 de agosto, retornam ao trabalho os empregados que a mineradora Vale pôs em férias coletivas nas unidades de Feijão e Jangada, nos municípios de Brumadinho e Sarzedo, na Grande BH.

Em Congonhas e Ouro Preto, o Sindicato Metabase denuncia demissões a conta-gotas que estaria sendo feitas pela Vale. “Há um número grande de pessoas demitidas e não há contratações na mesma dinâmica”, afirma o presidente do sindicato, Ivan Targino. Além disso, segundo Ivan, a CSN vem dando férias coletivas desde maio em Congonhas. “São ao todo 300 trabalhadores. As férias começaram em maio e vão até este mês”, diz Ivan.

Procurada pelo Estado de Minas, a siderúrgica informou, por meio da sua assessoria de imprensa, que não comentaria o assunto. Em Brumadinho e Sarzedo, o presidente do sindicato metabase local, Agostinho Sales, disse que os trabalhadores da Vale voltam à ativa em agosto, “sem demissões”. Em nota, a Vale informou que as férias coletivas nas unidades de Feijão e Jangada estão relacionadas à paralisação de usinas de tratamento de minério a seco que operam com maior custo e material de menor qualidade nessas unidades.

“As demais atividades realizadas em Feijão e Jangada continuarão normalmente. Esse grupo representa menos de 1% do total de empregados da Vale em Minas Gerais. Trata-se de adequação necessária frente ao atual cenário do mercado de minério de ferro”, diz a nota da Vale. Em relação à produção, a companhia já havia anunciado a decisão de promover cortes em jazidas de Minas que têm maior custo de operação.

Linha férrea livre


A Vale informou ter concluído investimentos de R$ 300 milhões na modernização do trecho ferroviário que liga Belo Horizonte a Sabará, na Grande BH. A ligação faz parte do corredor Goiás-Minas Gerais e Espírito Santo, responsável pela exportação de 7,5% de grãos do país e 4,5% da importação de fertilizantes. Realizada em parceria com o governo federal, a obra eliminou um gargalo logístico centenário em um trecho 8,3 quilômetros de BH a Sabará, por onde passam trens de três ferrovias – Ferrovia Centro-Atlântica, MRS Logística e Estrada Ferro Vitória a Minas.


Publicidade